quinta-feira, 28 de setembro de 2017
LAMBE MIA PICA...
Lambe Mia Pica
Faziam mais de dois anos que o renomadíssimo pesquisador e psicologo Japonês, Dr. Sekaga Eukuro, estava de sabático... Por todo esse tempo andava desanimado, sem forcas ou vontade para nada. Muito provavelmente devido `a ultima pesquisa que fizera com relação `a classificação do ser humano pelos seus peidos, talvez ate' ainda tonto por ter ficado tanto tempo exposto aos gazes maléficos que o conquistaram " The International Fart Experimental Society" prêmio do ano. Aquele trabalho, "Psicologia Peidorreira", neste blog publicado meses atrás... Para o bom observador, a publicação revela muito bem o grau de intoxicação a que teve ter se submetido para completamente mudar a classificação dos humanos...
Agora, em uma nova fase de sua carreira, resolvera estudar animais, talvez na esperança de que peidos zoológicos produzam efeitos menos maléficos aos humanos.
Enfim neste novo estudo que ja' havia iniciado tentava encontrar uma maneira que pudesse definir certo tipo de animal com uma única palavra como "carnívoro" quando referimos `a animas que comem carne.
Mas não queria algo tão abrangente que poderia qualificar todo um grupo de animais como "carnívoro" se refere `a vários animais zoologicamente falando.
Para isso teria que concentra seus esforços em poucos animais, "digamos três de cada vez", pensou e e' claro os escolhidos deveriam ser animais mais populares, conhecidos, identificáveis facilmente como o cão, por exemplo, que junto com o gato são os que estão mais presentes no lares do mundo inteiro. No caso do cão, por exemplo, alem de apenas um companheiro, melhor amigo do homem, como muitos classificam a espécie, eles servem ainda para vários trabalhos assistenciais ao homem.
Definitivamente um dos primeiros a ser estudado...
O gato também havia sido escolhido. Embora não ajudasse ninguém, ser super-dependente, dormir o dia inteiro, arranhar tudo que vê `a sua frente, soltar pelo por tudo quanto e' lado, comer pra caralho, apenas para vomitar tudo minutos depois, inexplicavelmente também e' muito encontrados em vários lares através do mundo.
Depois de pensar por semanas no terceiro objeto de suas pesquisas, concluiu que gostaria de definir o mosquito. Este porem, apesar de estar presente em noventa por cento dos lares, ao contrario dos dois primeiros, la' estavam de enxeridos mas, o fato e' que eram presentes e faziam parte do dia a dia da população e assim sendo, e por isso mesmo eram definitivamente reconhecidos por todo mundo, em qualquer lugar...
Dr. Eukuro estava animado como nunca para o incio desta pesquisa. Tinha certeza que mais uma vez ascenderia `a fama e reconhecimento cientifico internacional. Sua ambição era grande. Queria que estes animas que estudava pudessem ser conhecidos sumariamente, sem sombra de duvidas por apenas uma palavra.
Tudo estava pronto em seu laboratório para o inicio de seu trabalho...
La' estava ele com um espécime de cada animal. Um cachorro, um gato e uma porrada de mosquito, ja' que este, ou melhor, estas, as fêmeas que decidira estudar, vivem em media 45 dias. Mosquito macho não serve pra nada. Não "morde" ninguém, so' come vegetais e so' vive 10 dias... Um inútil!
O cara construiu um viveiro de vidro e tascou mosquita la' dentro... O barulho que faziam, enquanto voavam de um lado para outro, dando porrada de cabeça umas nas outras alem de se estabacarem contra o vidro do viveiro, por pensar que estavam livres e procurar uma coxa humana para morder, era ensurdecedor. O cachorro era o que mais se assustava com o barulho, morrendo de medo de ser atingido. O gato, cagava pros mosquitos, so' queria comer e dormir...
O cientista passava horas olhando pro cachorro, depois pro gato, por vezes batendo com a ponta do dedo no vidro do viveiro, voltava a olhar pro cachorro, como se estivesse querendo dizer: "me ajuda ai, o meu... Da' uma dica de como te qualificar. Pode acreditar, e' pro teu bem!"
O doutor lia, pensava, pesquisava dias a fio sem qualquer inspiração... Ate' que um dia pela manha, sem saber como, sem motivo aparente, ao acordar viu o cachorro lambendo o chão enquanto o gato miava e assim que se sentou na cadeira de sua mesa de trabalho sentiu uma picada na sua bunda, sem saber se aquela filha da puta daquela mosquita havia saído do viveiro ou era uma intrusa `a procura de um pouco de sangue cientifico.
Imediatamente, dando um pulo da cadeira, sem saber se foi pela dor ou pela luz da ideia que se acendeu em sua mente, pegou o telefone e ligou para o diretor da universidade que financiava o projeto...
- Dr. Sosakana, aqui e' Sekaga Eukuro... Encontrei a resposta para meu estudo...
Estou muito feliz! Me diga o que você acha? Consegui! De acordo com uma característica
principal de seus hábitos diários mais proeminentes, vou classificar o cachorro, o gato e o mosquito,
respectivamente, com as seguintes palavras: Lambe Mia Pica...
Copyright 2/2017 Eugene Colin
terça-feira, 5 de setembro de 2017
MIRACLE
Miracle
Another day I read something that made me think... "We live in a blue planet which turns around a ball of fire and have a satellite which makes the tides rise and you think that miracles does not exist?"
Well... All of these phenomenons have a scientific explanation. Therefore, no miracles right there...
Miracle, by definition, is a surprising and welcome event that is not explicable by natural or scientific laws and is therefore considered to be the work of a divine agency. A highly improbable or extraordinary event, development, or accomplishment that brings very welcome consequences.
Not that I don't believe in miracles, on the contrary...
What happened with my friend Mike Lassiter, in my opinion, qualifies as a real one...
Mike lived in Rio de Janeiro, Brazil and had just been thrown out of his house by his wife, whom would file for divorce, according to her own words; "as soon as I get you out of my sight".
The woman, 10 years younger than him, told bluntly, that wouldn't even think to support a "bum" with her hard earnt money, as soon as she knew that her husband had lost his job.
Mike is the nicest guy you would ever meet. He never complaint of anything, always helped everybody, even strangers...
That day, without many arguments, went to his room, put together a few clothes inside a suit case, said good bye to the his, started his can on, and left.
Drove with no destination for a few hours until he found himself at Barra da Tijuca beach, where, parked in a local hotel, mentally tired, slept in his own car.
Next morning, after having breakfast, like a real guest at the hotel, he left for a short walk. Still trying to plan his next move, seated down in a street bench where, evasively, kept looking at the cars, driving by his starry-eyed demeanor.
A huge explosion, brought him back to reality.
Looking across the street, saw a young lady, very well dressed, getting out of her luxury car and looking at her blown up front tire. Immediately, he went in her direction, offering help, which she gladly accepted.
A few minutes later, she was back in her car, gratefully driving her way.
At night, Mike went automatically to his car, still parked at the hotel, like if all that was part of his life routine. "Maybe I'll sleep better tonight." He thought...
Next morning, the sun, shining over his windshield, woke him up... Seen clearly now, he realized wouldn't be able to leave the hotel without that breakfast which could well be his only meal for the day.
Still thinking of what to do with his life, moved back to the same bench which "welcomed" him for almost the entire previous day.
Thinking for how long could live like that, barely saw someone sitting next to him. Instinctively he moved away a bit, giving more room at the bench for whoever was sitting by his side.
- Hi! How are you? He heard.
- Oh! Hi!... The lady from yesterday, he said. Did you fix the tire?
- Yes! and thank you very much...
- You're very welcome. We're here to help each other, isn't it? He said.
- If everybody had this attitude, the world would, surely, be a better place. Tell me! Are you
here since yesterday?
- Oh! It's a long story... Said Mike.
- I love long stories! She replied.
Reluctantly, he told her a crash corse version of his life.
- Ok! Where is your car? She asked, touch by his honesty.
- Across the street, at the hotel. He replied.
- Get your car and follow me. She said.
Almost automatically he complied. After a few minutes driving they arrived at "her place" he thought.
After a long conversation which lasted for many hours, when both of them opened their hearts, the lady offered him a position at her industry, even not knowing how, or where, he could be of help.
- But, you don't even know me! Pondered Mike.
- Are you a serial killer? Do you intent to hurt me? Are you a thief? Do you need a job and
a place to live?
After seeing my friend's smile, in answering those questions, she said:
- Everything settled! Tomorrow we discuss what can you do to help me.
Next morning, Mike learnt everything about that hat industry which, lately, wasn't seeing it's best days...
In the months ahead he worked really hard trying to help that lady that, by now, had became his best friend. He knew she was never married, she didn't trust men, after her upbringing by a single mother who saw her husband "trade" her for a younger "chick", as she heard him saying on the last day she saw her father... He also learnt that she needed help on her business...
With time, Mike, whom was still living at the industry, had became the center of attentions from all sides. He was, practically, the head of the company... Instead of worrying that lady, seeing a stranger basically "taking over her industry", it was making her happier day after day. A few months before, she really didn't know what to do and now, she had something she never thought about, someone whom would help her, unconditionally, just for the sake of helping...
That business which a few months ago was in deep trouble, now, with a new line of products that Mike suggested, was booming like never before.
Allegra, the name of that Italian lady, was smitten by the man she rescued, for her own sake. He was the first man she ever trusted, He never asked for anything and was, all the times, grateful, for his destiny.
In less than six months they became so connected that she could not seeing herself without having him in her life.
One day, already in the car, going to work I received a call from Mike...
- Can you be here next month? He asked me.
- Mike? Is that you? I answered...
- I'm getting married and I want you as my best man... I heard, surprised.
- I thought you were married. I said.
- Oh, yes! I am! well, I was! My wife kicked me out... He replied.
- And... I said.
- Forget it! It's a long story... I'll tell you when you get here...
Yes! I was there, supporting my friend but, when I saw his wife to be in a few minutes, I asked myself: "How did he pulled this off?"
Allegra, his fiance, was the most beautiful woman I've ever seen, besides being 28 years younger than him.
Today, 15 years latter, I'm getting ready to pick them up at the airport. Their kids are coming with them, for their first visit to Disney World...
Mike, like a inveterate optimist said to me once, talking about how he met his wife, that he only was at the right place, at the right time...
For me, the whole story is precisely what I call a miracle...
Copyright 6/2017 Eugene Colin
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
PEGADAS
Pegadas
E’ interessante perceber, apesar do muito que sabemos, como nossa compreensão e’ limitada em diversos aspectos.
Existem em muitos países, cientistas que dedicam e dedicaram toda uma vida na tentativa de entender como nosso cérebro funciona. Os estudos ainda estão, praticamente, em fazes preliminares. Muitos ainda tentando desvendar cérebros menos complexos como o de uma mosca, por exemplo.
Mas, assim mesmo, conscientes de nossa limitação, muitas vezes tentamos entender os mistérios de Deus.
Em 1943, Reinhold Niebuhr escreveu a oração da serenidade, que diz: Concede-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que eu posso e sabedoria para distinguir uma da outra – vivendo um dia de cada vez, desfrutando um momento de cada vez, aceitando as dificuldades como um caminho para alcançar a paz, considerando o mundo pecador como ele é, e não como gostaria que ele fosse, confiando em Deus para endireitar todas as coisas para que eu possa ser moderadamente feliz nesta vida e sumamente feliz contigo na eternidade. Amém.
Normalmente procuramos preencher o vácuo de nossa compreensão com algo fácil de entender ou assimilar, concluindo assim a busca por algo que, de antemão, sabemos imcompreensível.
Existe na América um conto muito conhecido pela maioria das pessoas religiosas; “Footprints”. Ele relata a historia de um homem que, ao morrer, questionava Deus sobre sua vida.
Este conto e’ um exemplo tipico de como vemos as coisas mais claras de uma maneira destorcida e não conseguimos entender eventos simples. Como se fosse um desenho de ilusão ótica que, depois que conseguirmos visualiza-lo pela primeira vez, nunca mais nos esquecemos.
Apesar de gostar da historia, o fato de estar escrito em prosa não me agradava.
Resolvi então, traduzi-lo para Português e, desta vez, em forma de poema..
Pegadas
Um homem no céu por Deus esperando
o juízo final, com calma aguardava,
olhando pra Terra apenas pensando
em locais e pessoas que ainda amava...
Ao ver Deus chegar `a ele sorrindo,
humilde dizia ao seu criador,
tristeza na alma ainda sentindo,
apesar de ama-Lo com todo fervor...
Por toda uma vida andaste comigo.
Os passos lado a lado a praia la’ mostra
mas, nas horas mais duras a mim destinadas,
não vi tuas pegadas na areia marcadas...
Filho! O’ meu filho! Como todo mortal
ainda la’ em baixo, tu pensas igual,
sem ver com clareza o que acontece,
aceitando apenas o que lhe parece...
Pegadas de um so’ que vez no caminho,
quando pensas que triste andavas sozinho,
são marcas que eu deixava no solo
quando a ti, em meus braços, trazia no colo...
Copyright 8/2017 Eugene Colin
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
CHUPETA NA BOCA
Chupeta na Boca.
Marco Aurélio Gaylor estava apavorado com o nascimento de seu filho, prestes `a acontecer em poucos meses...
A duras penas havia conseguido sobreviver ao estigma cruel que rondava em todo Brasil sobre sua cidade natal... "Todo homem de Pelotas, ou seus decendentes sao gays". A duras penas conseguira se casar sem que sua namorada duvidasse de sua masculinidade.
E' bem verdade que `a primeira noite em que dormiram juntos, sua atual esposa, então namorada, quase desistiu do cara. Não porque ele era gay, muito pelo contrario. Nosso amigo deu uma "surra" tão grande na pobre coitada que no dia seguinte a moca quase não conseguia falar, com a boca toda inchada, estava toda assada, so' andava muito devagar e, alem disso se escorando nas paredes para não desmaiar de fraqueza. E isto tudo após haver tomado o melhor cafe' da manha de sua vida, segundo ela mesmo confessara ao seu namorado, a duras penas, e' claro.
Passou um mês sem responder `as ligaçoes telefônicas do Marco Aurélio. Mudou-se temporariamente para casa de sua prima, da qual o namorado nem sabia da existência, para poder tentar se livrar dos assédios do homem.
O único problema era que o tal namorado era bonito pra cacete, forte que nem um touro... Seu corpo parecia uma escultura de algum herói desconhecido da mitologia Grega e, além disso, depois que o inchaço passou, pensando bem, ela nem sabia que aquilo poderia ter acontecido.
Já tinha ouvido historia de algumas amigas sobre encontro sexuais maravilhosos e inesquecíveis mas, passar dez noras na cama, "brincando" sem parar era algo inexplicável, incomum, inacreditável e, por isso mesmo, depois de um mês, ja' estava maluca para repetir a dose.
Assim sendo, sucumbiu aos prazeres da carne, implorando a seu namorado que tentasse se controlar um pouco mais, com que ele concordou e cumpriu... Naquele segundo encontro ficaram no hotel por apenas nove horas. No dia seguinte, Marcela ate' que se movia bem melhor do que no primeiro encontro... Das duas uma: ou ja' estava com calo nas regiões afetadas ou ja' estava se acostumando com a "masculinidade" do namorado...
Aparentemente Marcela era uma ótima aluna ja' que, na noite de nupcias estava tao "animada" que saiu da festa assim que partiu o bolo, direto para sua casa e, ao invés de lua de mel, mandou imprimir um cartaz que dizia: "mudamos temporariamente para Jijoca do Jericoacoara, por três meses".
So' queria ficar na cama com o marido o dia inteiro... A mulher tava tao doida que nem ligava mais para as novelas da Globo. As mesmas que a fizeram companhia, que a consolara e a viciara durante aqueles mês em que tentava avaliar em sua mente se teria coragem de encarar o bonitão...
Agora porem, apos dois anos de casados, a coisa tava feia...
Marcela estava gravida de seu primeiro filho e Marco Aurélio estava apavorado com a possibilidade de que seu primogênito nascesse em Pelotas, onde viviam e, por isso mesmo, fosse considerado "gay", preocupação de certa maneira infundada ja' que apenas 20 milhões de homens brasileiros são homossexuais, ou seja, um em cada dez... Mas pra quem e' macho de verdade, um ja' e' demais, imagina vinte milhões!
A única solução que encontrara era mudar de Pelotas o mais rápido possível. Queria ir para uma cidade onde todos os homens eram machos para que, assim sendo, seu menino se acostumasse, mesmo antes de nascer com os ares masculinos da cidade escolhida.
O problema era descobrir a tal cidade de macho, ja' que a "bichisse brasileira" e' tao grande que e' difícil de encontrar uma esquina sem um bicha.
Finalmente, depois de árdua pesquisa, escolheram a cidade de Noiva do Cordeiro, no estado de Minas Gerais... Nem as mulheres conseguem encontrar homens na cidade, assim sendo vai ser difícil ser gay... A tal lei da "oferta e da procura"...
Dito e feito! De comum acordo, arrumaram as malas e se mandaram rapidinho pra Minas Gerais enquanto era tempo.
Mais uns meses e Marcela estava preparada para dar a luz a seu macho, que dizer, primeiro filho...
Na maternidade, com a mente aliviada, depois de uma gravides tranquila e feliz, finalmente chegou o grande dia.
Marco Aurélio estava nervoso enquanto sua esposa, alem de muito tranquila, o acalmava com palavras e pensamentos positivos, enquanto ja' na maca, rumo a sala de parto, segurava a mão de seu esposo que sua profusamente por tudo que era buraco.
O parto foi ótimo, sem qualquer complicação... Marcela estava feliz e seu marido aliviado.
Uma das enfermeiras que assistiram no parto, em alguns minutos, entrava no quarto com um lindo menino, enrolado em uma manta azul.
Assim que ela saiu, deixando o menino no peito da mãe, Marco Aurélio, desmanchou a manta que o enrolava para tentar ver o "tamanho" do menino.
Sua esposa so' teve tempo de ver o sorriso de satisfação do pai quando, olhando para ela, abriu a mão, mostrando cinco dedos e sussurrando: " cinco centímetros... Esse e' macho!".
No dia seguinte, ao chegar `a maternidade a mesma enfermeira que ate' então cuidava de sua esposa o chamou em um canto e reservadamente perguntou:
- O senhor e' de Pelotas, não?
- Sou! Porque? Respondeu Marco Aurélio.
A enfermeira então, deixando escacar um sorriso maldoso respondeu:
- E' porque os recém nascidos aqui não estão acostumados a acalmar usando partes de seu corpo.
Aqui, os bebes põem a chupeta na boca...
Copyright 2/2017 Eugene Colin
sexta-feira, 28 de julho de 2017
BELEZA...
Beleza
Procurando em beleza de todas as formas
pensei eu, então, como ser definida…
seria perfeição, segundo suas normas
ou prazer para os olhos pra so' ser sentida?
Uma flor e' bela, por do sol e' também,
muito mais se temos conosco alguém…
As estrelas no céu, a areia, o mar
pintura tão bela que quero guardar…
As flores que caem sopradas ao vento,
uma lagrima solta pelo sentimento,
a presença de Deus nos guiando na vida
quando vemos de perto a esperança perdida…
Dentre tantas coisas que também são belas,
cancões, noites claras, tudo que se vê
um canto de pássaro, as flores singelas,
beleza de fato, pra mim, e' voce…
Copyright 7/2017 Eugene Colin
sexta-feira, 21 de julho de 2017
MMM
MMM
Marta Maria Murtinho havia acabado de chegar de volta ao Brasil apos cinco anos de ausência.
Tinha sido designada pela UNESCO, assim que havia graduado em engenharia ambiental por uma faculdade Americana, para trabalhar em Ouro Preto, Minas Gerais.
Sua conduta exemplar, ótimas notas, modéstia, preocupação com os problemas ambientais atuais que afligem a humanidade, além de ser Brasileira foram fatores importantes que, embora muito mais jovem do que outros candidatos, pesaram na decisão de ser nomeada como líder do grupo.
Seus pais, que ainda residiam em Belo Horizonte, estavam mais do que orgulhosos. Marta era filha única que soube, muito bem, exceder as aspirações nela depositadas. Como havia voado direto para o Rio de Janeiro, decidira visitar primeiro sua futura cidade, tomar posse de sua moradia, antes de com eles encontrar. Ouro Preto estava bem no caminho de onde seus pais residiam...
Assim que se instalou em uma casa muito modesta, na periferia da cidade, começou o processo de limpeza e adequação de sua residência `as novas tarefas que, de agora por diante, deveria exercer.
Sua casa, longe de por perto lembrar uma mansão, necessitava de maiores cuidados, principalmente com relação `a limpeza e higiene, uma vez que estava abandonada por alguns anos. Tarefa que, por certo, tomaria mais de um dia de seu tempo para ser executada precariamente, ao contrario do que esperava. Mas isso não a desanimava, era so’ relatar `a seus pais o acontecido e eles ficariam mais do que felizes, ao saber que sua filha estava de volta, tomando rédeas de seu futuro. Marta era para eles o maior presente jamais recebido. Havia nascido apos quatro tentativas, que culminaram com resultados tristes. Sempre apoiaram a filha em qualquer decisão. Ate’ mesmo quando, ainda muito jovem, resolveu parar de estudar para trabalhar em um super mercado. Muitas vezes, mesmo sem entender certas atitudes da filha, tinham certeza que, de uma maneira ou de outra, ela “domaria” seu destino.
A primeira providência seria se dirigir ao mais próximo super mercado e adquirir o que fosse necessário para aquela tarefa eminente.
Assim que se viu em frente `a sessão de produtos de limpeza segurou uma embalagem de “scotch-brite”. Com a embalagem em sua mão, pode ver, no canto inferior esquerdo o nome do fabricante: 3M...
Imediatamente, sua lembrança foi reportada `a anos atrás, quando trabalhara por alguns meses em um super mercado em Belo Horizonte.
“Aquela voz estara’ para sempre em minha mente...” Pensara, ao recordar de Ze’ Raposo, um auxiliar de gerente do estabelecimento, que passava o dia inteiro, anunciando, pelo sistema de som do super mercado, as promoções do dia. De repente, sentiu um enorme aperto no coração, como uma ferida que nunca havia cicatrizado completamente e que vez por outra ainda doía.
Naqueles dias, com apenas dezoito anos de idade, estava perdidamente apaixonada pelo colega. Sentimento que, aparentemente, ainda estava vivo e latente.
- Vou ate’ la’, saber se o Ze’ ainda existe... Pensou, olhando para o nome 3M que havia sido seu apelido quando la’ trabalhava.
Loucura! Pensou logo depois, colocando a esponja de limpeza no lugar onde estava, como se a mesma estivesse queimando suas mãos.
Saiu da loja sem comprar nada, obsecada por aquela ideia repentina e absurda que a
dominava completamente. Sabia que não e’ de bom alvitre remexer muito no passado. Os efeitos podem causar danos insuperáveis. Por outro lado, seu “caso” com Ze’ Raposo nunca tinha sido completamente resolvido... Nunca havia se declarado. Talvez ele não tivesse conhecimento de seus sentimentos, talvez, na época, era comprometido... Pensando bem, naqueles dias, andava tão fascinada pelo colega que nem tentou investigar a seu respeito. A única coisa que queria, a única coisa que alegrava seus dias eram as horas de trabalho em que a voz de seu colega, através dos alto-falantes, soavam em seus ouvidos, como poemas sinfônicos do mais famoso compositor de quem jamais havia ouvido falar
O resto do dia se arrastou... Não sabia o que fazer... “Cinco anos! O cara pode estar casado, ou namorando outras caixas, ou ter desaparecido, ou mudado de emprego...
Que loucura!” Pensava... “Tenho que estar preparada para o pior” ou “para o melhor!" Rebatia, o lado otimista de sua personalidade.
Não conseguiu dormir... Sabia que tinha que verificar, tentar encontrar seu ex-colega... Sabia também que estava se expondo `a maiores decepções mas, se não verificasse, aquela ideia a consumiria, pelo resto de seus dias. Queria virar para sempre aquela pagina de sua vida que ainda estava aberta no mesmo local... As lembranças estavam um pouco “empoeiradas” mas ainda dava para ver, claramente, em sua memoria, flash backs daqueles dias cheios de esperanças, regados por soba de jilo’ com quiabo, maxixe e batata baroa, prato favorito daquele colega, que cozinhava `a noite para, no dia seguinte, satisfazer seu querido Ze’ Raposo.
Lembrou da primeira vez que resolveu preparar a legendaria sopa que seu interesse tanto apreciava. Marta odiava jilo’, com paixão. A baba do quiabo, escorrendo por entre seus dedos a faziam sentir calafrios, a batata baroa também era um pouco “pegajosa” mas, daquilo tudo era o que menos a repugnava. Maxixe não conta... Não tinha gosto de porra nenhuma.
A primeira vez que, junto de seu colega, com ele dividiu a sopa, havia sido uma das mais horripilantes experiências de sua vida. A única maneira que conseguiu encontrar, para que ele não percebesse sua agonia, foi tagarelar o tempo todo, incessantemente, como um papagaio bem treinado. Ze’ Raposo devorava vinte colheradas e ela ainda estava tentando engolir a anterior. Mas, com o tempo, ate’ aprendeu a gostar de jilo’ e ate’ da sopa, que com tanto carinho preparava.
No dia seguinte bem cedo se dirigiu `a rodoviária, com destino a Belo Horizonte. Nem havia se arrumado direito como seria apropriado. Saíra de casa com a mesma roupa do dia anterior... Estava tao ansiosa que nem tomou banho, se maquiou ou se embonecou toda, tentando fazer seu antigo amor, avaliar o que tinha perdido. Juntou algumas pecas de roupas `as pressas, enfiou em uma mala e saiu de casa. Talvez estivesse mais interessada em uma auto-satisfação, ter certeza que seu antigo quase namorado tinha se mudado e seu paradeiro era ignorado pelos antigos colegas, se la’ ainda estivessem.
Eram cinco horas da tarde quando desceu do ônibus na rodoviária da cidade. Menos de quinze minutos depois estava bem em frente ao “Guardiao do seu Bolso” nome do local onde trabalhara, depois de uma viagem que havia sido, no minimo, angustiante...
A fachada estava um pouco abandonada, o letreiro meio desgastado pela ação do tempo... Assim que entrou na loja, um aperto no coração. “E’ claro que as chances de encontrar o Ze’ eram remotas mas, quem sabem, alguém daquele tempo ainda trabalha aqui e pode me indicar seu paradeiro.” Pensou.
Ainda olhava `a esmo, tentando se situar no tempo e na loja em que acabara de entrar quando ouviu:
- A filha da pulga não tem lugar em nosso estabelecimento... Aqui, a higiene e’ total...
Compre seus produtos com confiança. Limpeza aqui abunda... E, por falar em bunda,
não esqueça do carinho que seu neném merece. Na ala de recém-nascidos temos as
famosas fraldas perfumadas “Ja’ Limpei”, as melhores para seu bebe. Não se
esqueça que todo o Sábado e’ dia de Piranha em nosso estabelecimento. Se quiser
pode comer aqui mesmo. Piranha ensopada, piranha empanada, piranha frita... E,
“cala a boca”, marca da nossa melhor chupeta para bebes de seis meses a dois anos...
3M quase desmaiou ao ouvir aquela voz...
Não podia acreditar... Ze’ Raposo ainda trabalhava no mesmo local!
Impaciente, como quem esta’ prestes a perder seu voo internacional que a levaria ao destino sonhado, corria pelas alas do super mercado `a procura de seu antigo amor.
Não conseguiu encontrar o interlocutor.
Procurou pelo gerente. Não o conhecia! Não era o mesmo de seu tempo. Explicou seus motivos tentando saber onde estava o Ze’ Raposo.
- Isto e’ apenas uma gravação. O Ze’ grava os textos em casa e nos manda para ser
executado no dia seguinte. Informou o gerente.
Desapontada, tentou descobrir o endereço do antigo colega para um encontro. O gerente se recusou a fornece-lo mas, ao sentir o desespero e agonia daquela moca, alem de não tirar o olho de seus peitos, combinou com ela que, naquela mesma tarde, telefonaria para seu sub-gerente solicitando sua presença no dia seguinte.
3M deixou a loja em busca de um hotel onde pudesse passar a noite. Sua melhor opção foi um Motel, não longe dali, onde um enorme cartaz exibindo a foto de duas bolas de sorvete, quase coladas uma na outra, com uma cereja um cada uma, propositadamente tentando sugerir dois enormes seios, onde se lia em letras garrafais; “chupa que e’ doce...” logo abaixo, em letras muito menores estava escrito; “sorvetes gratis”. Sem duvida um estabelecimento de classe...
Na manha seguinte, antes das sete, antes da loja abrir, la’ estava de pe’ olhando para todos os lados, na esperança de encontrar seu antigo amor. Continuava curiosa... Sera’ que ele estava casado? Sera’ que tinha uma namorada? Sabia que so’ gostava de coroa... Possivelmente tinha se juntado com uma senhora de setenta anos, com um monte de netinhos que azucrinavam sua paciência.
Mais alguns minutos, mergulhada em antigas recordações, pode ver Ze’ Raposo atravessando a rua em sua direção... Estava do mesmo jeito mas, não se vestia tao bem quanto no passado e, em seu semblante, mesmo de longe, dava para notar uma certa tristeza, carecteristica de quem tinha feito uma cagada filha da puta com seu destino.
Pensando ser uma cliente madrugadora, que fazia questão de ser a primeira a entrar na loja, a cumprimentou.
Mas algo era diferente naquela linda jovem, pensava Ze’. Parecia que ja’ a havia visto antes... Provavelmente uma cliente fiel ciente de que o “Guardiao do seu bolso” e’ o melhor lugar para esvaziar o cofre.
- Ze’ Raposo? Disse 3M
Agora sim! Tinha certeza que ja’ havia ouvido aquela voz. Talvez fosse uma das muitas clientes que havia salvo da ira de uma das caixas, apos uma reclamação, antes de ser atingida, no meio da testa, pelo mesmo rabo do bacalhau que havia acabado de comprar...
- Lembra de mim? Repetiu a moca.
Ze’ Raposo olhou bem para ela, pensou, pensou e disse:
- Marta?
- Pensei que ainda se lembrasse do meu apelido... Disse a moca.
- Claro que me lembro... 3M! Disse Ze’ Raposo. Como esta’ você? Tao linda! O que
aconteceu? Você esta’ parecendo um atriz de cinema... Que a esta’ fazendo aqui,
quer teu emprego de volta? Posso conseguir isso. Concluiu.
- Bem! Um mês depois que deixei o emprego, embarcava de viagem para os Estados
Unidos. Estava tao desesperada em fugir daqui que aceitei o convite que meus pais
receberam em uma carta, sobre um programa Americano de troca de estudantes.
Meus pais seriam responsáveis por um estudante de la’ e uma família Norte
Americana me receberia para a mesma finalidade. Depois de quatro anos me formei
em engenharia ambiental e acabei indo trabalhar para a UNESCO. Depois de algum
tempo. sabendo que era Brasileira, me perguntaram se gostaria de voltar ao Brasil
para supervisionar um projeto em Ouro Preto. Aceitei e, aqui estou... E você? Me
conta! Como vai? Finalizou 3M.
- Ainda estou aqui...
- Você me parece um pouco triste, o que aconteceu?
- Uma longa historia... Respondeu Ze’ Raposo. Deixa eu ver porque me chamaram
aqui e, se tiver tempo, saímos para tomar cafe’. Você ja’ tomou cafe?
- Não! Sai do hotel muito cedo para te encontrar e, você não tem que trabalhar. Te
chamaram aqui para me encontrar... Disse 3M.
- Como sabe?
- Ontem, quando vim aqui a tua procura, falei com o gerente tentando descobrir teu
paradeiro. Notei que ele não tirava os olhos do meu peito. Fiz beicinho, uma cara de
triste, debrucei sobre o balcão espremendo meus seios e, “voila'” ele se ofereceu a
te chamar para me encontrar. Confessou 3M.
- Puxa vida! Você esta’ tao linda! Parece tao madura... Nem lembra aquela menina que
trabalhava aqui... Você deve ter 25 ou 26 anos, certo? Disse Raposo.
- Estou com 25. Faco 26 em outubro.
- Tao jovem, trabalha para uma instituição Americana e ja’ vai ser responsável por uma
cidade? Estou feliz por voce...
- Porque voce não procura o gerente, so’ para dar uma satisfação que aqui esteve e
vamos tomar cafe’?
- Veja so'! Não consigo parar de te olhar... Voce’ e’ uma deusa. Que aconteceu?
- Vai la! Fala com ele e vamos... Insistiu 3M.
Raposo estava estupefactamente embasbacado. Como podia ter sido tao burro? Diziam que aquela “deusa” que ali estava, `a sua frente, era apaixonada por ele... Como e’ possível alguem ser cego tendo a visão sadia? Comparar 3M com Mujinha, romance mal sucedido que o mantinha triste ate’ hoje, era o mesmo que comparar Nosso Senhor com Ze’ Buchudo.
Falou com seu Gerente, voltou ao encontro de sua antiga colega e saíram em direção a um botequim para tomar cafe’.
Se 3M não fosse bem sucedida ainda, certamente estava no caminho certo. Notara que ela estava muito segura de si, sofisticada, elegante, assertiva... Completamente diferente daquela menina que, a seu lado almoçava, todo dia, sopa de jilo’, maxixe, quiabo e batata baroa.
Assim que ele chegou de volta a seu lado, 3M tomou seu braço e saíram rumo `a sua primeira refeição em dois dias.
Conversaram a manha inteira. Marta falara de sua “aventura” Americana, Raposo relatara sua “desventura” amorosa com Mujinha...
Um pouco depois a convidou `a sua casa, oferecendo-se a cozinhar para ela, em troca das muitas sopas que havia degustado em almoços passados. Marta aceitou!
Assim que chegaram, ela tirou o casaco que a protegia da frente fria que visitava a região, pendurando-o atrás da porta de entrada.
Raposo olhava para ela, babando, literalmente.
- O que vai me oferecer? Perguntou 3M.
- O que você quer comer? Indagou Ze’ Raposo.
- O que eu quero você não tem pratica em fazer, alias, sei por muitas fontes que nunca soube fazer
direito... Disse 3M, sarcasticamente...
- O que? Perguntou ele, um pouco constrangido e intimidado.
- Sopa de jilo’, maxixe, quiabo e batata baroa. Respondeu 3M, sorrindo.
- E’! Isso ai e’ com você mesmo! Retrucou Raposo.
Marta se dirigiu `a cozinha, separou uma panela, as verduras, batata, alho, sal, pimenta e, iniciou o mesmo ritual que anos atrás a mantinha ocupada quase diariamente.
O resto da tarde foi alegre e reminiscente...
Ja’ era noite quando, sentados em sofa’ em frente `a televisão, que servia apenas de fundo pictórico para a conversa, Marta falou:
- Me diz! Quais são teus projetos? O que você vê para teu futuro?
Raposo olhou para ela, talvez pensando quão diferente sua vida poderia ter sido e respondeu:
- Não sei! Nunca fiz planos para minha vida... Sempre vivi dia-a-dia...
- Bem! Ja’ que não tem planos, que tal vir comigo para Ouro Preto? Tenho um trabalho
longo, árduo e complexo `a minha frente e sei que vou precisar de toda ajuda que
poder conseguir. O salário não e’ muito. Eu mesmo recebo muito pouco pelo que faço
mas, trabalho para uma instituição filantropica que vive de doações. Alem do mais,
so’ o orgulho de ser responsável por um trabalho que ficara’ para posteridade ja’ e’
uma grande recompensa... Nosso trabalho e’ de suma importância para preservação
das belezas do nosso planeta.
- Mas, não conheço ninguém la'! Onde vou morar?
- Vai morar comigo! Queria ter uma chance de te mostrar o quanto sempre te amei,
desde menina... Você sabia que parei de estudar e fui trabalhar no super mercado so’
para poder ficar a teu lado, diariamente? Disse 3M.
- Ta’ falando serio? Você pode ter, a teus pés qualquer homem que escolher... Disse
Ze’ Raposo.
- Verdade? Indagou Marta.
- Verdade! Respondeu Raposo.
- Então, se ajoelha agora! Aqui na minha frente! Parabéns! Você acaba de ser
escolhido... Afirmou 3M.
E não e’ que o nosso amigo ajoelhou mesmo...
- Levanta dai seu bobo! Estou brincando... Não! Estava brincando quando disse para se
ajoelhar. Não quero você como meu empregado, ou subserviente. Quero você como
meu namorado, meu amor...
- Marta, você esta’ me gozando?
- Não! Sempre gostei de você...
- Mas olha para mim... Eu não sou nenhum garotão, bonito, cheio de músculos...
- Eu não quero um garotão bonito, cheio de músculos... Disse 3M.
- Você tem 25 anos, eu tenho mais de 40. O que vai acontecer daqui a vinte anos?...
Disse Raposo.
- Vinte anos? Estou preocupada com o que vai acontecer na semana que vem. Daqui
a vinte anos, penso no que vai acontecer daqui a vinte anos e um dia. Respondeu
Marta.
- Não e’ bem assim! Ponderava Raposo, ao ser interrompido com assertividade.
- Me responde! O Bingulim ainda sobe? Perguntou 3M.
- Claro!
- Você gosta de mulher? Indagou, novamente.
- Muito!
- Você me acha atraente? Repetiu...
- Você e’, e sempre foi, um sonho de pessoa... Quando trabalhávamos juntos, ouvia
cochichos que você gostava de mim mas, nunca pude acreditar... Você era tao jovem,
tao bonita...
- Deveria ter me perguntado! Disse 3M.
- Eu sei! Me arrependi, tempos mais tarde. Disse Raposo.
- Quando vamos para Ouro Preto? Indagou 3M.
- Você esta mesmo seria a respeito disso, não? Perguntou Raposo.
- Muito! Quando vamos para Ouro Preto?
- Você acha que com o tempo poderia gostar de mim? Indagou 3M.
- Eu gosto de você! Disse Ze’ Raposo.
- Ótimo! Quando vamos para Ouro Preto?
Ze’ Raposo sentou no Sofa’, longe de Marta, colocou sua cabeça entre as mãos, com os cotovelos apoiados sobre os joelhos, balançou a cabeça, olhou para ela e disse:
- Me ajuda a fazer as malas?
Marta saiu correndo, pulou sentada em seu colo e começou a beijar Ze’ Raposo.
Em dado momento, quase sufocado por aquela quantidade de carinho e afeição, ele a afastou um pouco, segurando-a pelos ombros e perguntou:
- Você tem certeza que e’ normal?
- Claro que não! Você acha que isto e’ uma atitude de uma mulher normal?
- Onde vamos morar, em Ouro Preto? Perguntou Raposo.
- Não se preocupe! Tenho uma casa la’, na zona rural. Muito pequena, muito linda,
muito aconchegante, que precisa de muito trabalho para poder se tornar habitável...
Vai ser muito bom trabalharmos juntos novamente... So’ tem um detalhe! Gostaria de,
primeiro passar pela casa de meus pais para te apresentar... Eles são meio
antiquados e não quero que cheguem para visitar e me encontrem vivendo com
um homem a quem não conhecem... Você se importa?
- Claro que não! Respondeu ele.
- Quem diria? Jamais pensei que este dia fosse chagar... Disse 3M, eufórica.
- Posso te pedir um favor? Disse Ze’ Raposo, sisudo e compenetrado.
- O que você quiser! Sorriu ela, em resposta.
- Você faz sopa de Jilo’, maxixe, quiabo e batata baroa de vez em quando? Perguntou `a 3M.
Copyright 2013 Eugenio Colin
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