sexta-feira, 19 de maio de 2017
SORTE DO CARALHO...
Sorte do Caralho...
Milagre e' um acontecimento extraordinário que, `a luz dos conhecimentos a nós disponíveis, da’-se de forma a sugerir uma violação das leis da natureza. Para grande parte dos teístas, sua realização e’ atribuída `a onipotência divina, sendo considerado como um ato de intervenção direta de Deus.
`A luz da ciência moderna não há milagres verificados, ou seja, milagres não existem. Ora, se pudessem ser verificados, ou explicados, então não seriam extraordinários, inexplicáveis mas, apenas, um fato que, segundo `as leis da natureza, aconteceu. Tem gente também que confunde uma sorte muito grande, com um milagre...
Fica a pergunta: Milagres existem ou não?
Marculindo Traveiro era um sujeito admirável... No trabalho era querido por todos. Nunca, ninguém, em toda sua vida, tinha algo reprovável a dizer a seu respeito. Marc, era de boa paz, ouvia muito mais do que falava... Quando tinha que discordar de alguém começava dizendo: “Na minha opinião...”
Minto! Havia uma pessoa que, ao contrário de qualquer humano, o detestava... Sua esposa, Maria Perfeito Malfeito. Para Mapema, seu apelido, Marc era o maior babaca que a humanidade poderia ter concebido. Para ela, o cara era irrelevante, sem opinião própria, que concordava com tudo e nunca reclamava de nada.
Um dia, chegou em casa com o pe’ todo enfaixado. Ao ser inquisitado sobre o que aconteceu, respondeu:
- Dei a maior sorte hoje no trabalho... Tropecei em um bueiro aberto e quebrei dois
dedos do pe’.
- Seu idiota! Desde quando quebrar dois dedos do pe' e' ter sorte?
- Desde quando eu não despenquei da escada do segundo andar, quebrei a bacia, a
perna, três dedos da mão, me ralei todo e ainda fiquei com uma puta dor na bunda
quando caí la' em baixo, todo fodido...
Este era Marc, um otimista exponencial...
Para Mapema, esse tipo de atitude acabava com o seu dia. Segundo ela, seu marido teve azar e podia ter tido mais azar... Maneiras diferentes de encarar a vida!
Mapema era alta, loira, olhos azuis, pele macia, dedos longos, unhas sempre bem manicuradas, pernas longas, sempre usando saltos altos... Feia que dava do'! Parecia uma tábua. Não tinha peito, não tinha bunda, tinha mal hálito, um chule' horrível, talvez devido ao fato de detestar tomar banho.
- Não saio de casa, não faço nada, não me sujo... P’ra que tomar banho? Ponderava
vez por outra quando percebia que Marc fazia uma discreta careta, quando por ela
passava, cruzando do banheiro para a cozinha, uma semana após o último banho de
sua cara-metade.
Mapema era o que podia-se chamar de cara de pau declarada...
Uma vez, em uma festa de fim de ano no escritório onde seu marido trabalhava, deu em cima de um colega de Marc tão descaradamente que o mesmo, numa proverbial contrição humana, vociferou:
- Acho que a senhora poderia ter um pouco mais de respeito por seu marido...
- Por aquele babaca? Você esta’ com medo dele?
- Pra falar a verdade, estou com medo e' da senhora...
Meu filho! Isto aqui e' uma máquina de prazer, se os botoes corretos forem apertados...
- Pode ate' ser! O problema e' a senhora encontrar alguém que tenha a coragem
de querer verificar...
E’ bem verdade que Marc não ere nenhum galã da novela das oito, nem aqueles que protagonizam porno-chanchadas nacionais mas, mantendo as mais ponderáveis perspetivas, era muito melhor do que sua esposa.
Um dia, algum tempo depois de ter se recuperado da "sorte" que o fez manter seu pe' enfaixado por algum tempo, chegou em casa triste e temporariamente deprimido...
- O que aconteceu, quebrou os dedos do outo pe'? Indagou Mapema, com sarcasmo.
- Não! Doutor Calado falou que ia fechar a empresa na Sexta-feira e hoje todos os
empregados foram demitidos. Respondeu.
- Meu amigo, não vou nem esperar... Pega o que você puder levar e se manda agora. Se vou ter que
trabalhar não vai ser para sustentar vagabundo. Disse sua esposa.
Após algumas horas de argumentos, ponderações, reminiscências e ate' parcas lágrimas, ele resolveu que o melhor seria seguir sua vida ao invés de tentar voltar a água ao copo.
Sem muito alarde, pegou seu carro, a mala de roupas que havia conseguido agrupar, e saiu... Dirigiu por alguns minutos `a esmo, sem direção. Acabou na Barra da Tijuca, sem saber porque, onde parou o carro no estacionamento de um hotel. Dormiu ali mesmo, mentalmente exaurido...
Na manhã seguinte, depois do cafe' da manha que degustou, fingindo estar ali hospedado, ao lado dos que, ao momento, desfrutavam de melhor sorte, no mesmo hotel onde ele apenas estacionava o carro, sentou-se em um banco na calçada, bem de frente para a Avenida das Américas, coração do bairro.
Olhava para os carros, apenas para se distrair, nem pensava em sua vida ou no próximo passo a ser vencido.
Eram quase três horas da tarde quando ouviu uma explosão, seguida de uma freada que abruptamente o trouxe `a realidade. Colocando-se de pe’ instintivamente, pode reparar em uma mulher toda de preto, com chapéu e tudo, que parecia estar preparada para a cerimonia de casamento do ano, sair de dentro do carro. Olhava espantada, tentando concluir o que certamente havia ocorrido. Era evidente que aquela “moça” não sabia trocar pneu de carro, mesmo sem estar traumatizada como evidenciado.
- Posso ajudar? Ofereceu Marc.
- O pneu explodiu! Foi so' o que a “senhora” conseguiu falar.
- Deixa que eu resolvo. Acalmou ele.
- Muito obrigada mesmo! Disse a “senhora”, assim que viu seu carro pronto para a estrada novamente.
- Sem problema! Vai em paz...
Marc voltou ao seu lugar, quase que automaticamente, como se aquilo tudo fizesse parte de uma rotina diária. `A noite, quando o movimento era quase esporádico, voltou ao seu carro, ainda estacionado no mesmo lugar... Quem sabe conseguiria dormir...
O sol, que brilhava na moldura cromada do para brisa, acordou o benfeitor da desconhecida. Hoje, ligeiramente mais consciente, percebeu que não podia abrir mão daquele cafe' da manhã “cinco estrelas” ja' que, no dia anterior, havia sido sua única refeição.
De pança cheia, ainda tentando pensar no que fazer, voltou ao mesmo banco que, de certa maneira, o havia acalmado anteriormente. Hoje porém, teria que começar a traçar o mapa de seus próximos passos. E’ claro que não poderia viver sentando naquele banco pelo resto da vida. As opções de trabalho, que por sua cabeça se sucediam, não eram muito promitentes... Artista de cinema? Meio complicado. Estivador do cais do porto? A estatura e o porte físico não ajudavam. Cabeleireiro? Nem pensar! Empregado domestico? So' se fosse para derrubar tudo e ser demitido no primeiro dia de trabalho por completa inaptidão. Alem do mais, com essa nova lei da domestica, vai ficar meio ruim de emprego...
Garçom! Garçom da' dinheiro... So' não poderia trabalhar no estabelecimento onde estava “hospedado” no estacionamento por dois dias... Os “colegas” ate' ja' o chamavam de “doutor” ao servi-lo...
Centenas de profissões desfilavam em sua mente sem que nenhuma, ate' o momento, houvesse recebido o selo de aprovação.
Ainda pensava por quanto tempo poderia viver daquela maneira quando percebeu, vagamente, que alguém se aproximara e sentara a seu lado. Espontaneamente se moveu para o lado, procurando deixar mais espaço no banco.
- Boa tarde, como vai? Ouviu... Lembra de mim?
- Não! Ah! A senhora de ontem... Respondeu. E o carro, consertou o pneu?
- Consertei! Muito obrigada! Você fui muito gentil...
- Que e' isso! Estamos aqui para ajudar uns aos outros, verdade?
- Se todos pensassem assim!!! Estava a caminho de casa quando, tentando lembrar
de tua gentileza olhei para o lado e o avistei, sentado no mesmo lugar. Parei no
estacionamento do shopping e vim te agradecer pessoalmente. Ontem estava tão
assustada que nem me lembrei...Desculpe me intrometer mas, você esta' aqui desde
ontem?
- Estou! Respondeu Marc, meio desapontado.
- O que houve? Gostaria de saber.
- E’ uma longa história... Deixa p’ra la’!
- Adoro histórias longas! Insistiu a “moça”...
- Bem, digamos que estou, temporariamente, sem residencia...
- Trabalho?
- Sem trabalho também... Respondeu envergonhado.
- Você tem condução?
- Tenho! Meu carro esta' estacionado aqui no hotel...
- Vamos la'! Pega o teu carro, vamos ate' o shopping, eu pego o meu e você me segue
ate' a minha fábrica. E' aqui pertinho, em Jacarepaguá. Hoje você dorme la', amanhã
vamos conversar a respeito do teu emprego. Estou precisando muito de ajuda...
- A senhora nem me conhece...
- Senhora? Tenho trinta e dois anos e você me chamada de “senhora” !? Vamos!
Marc seguia `aquela estranha sem saber no que pensar. Sua mente estava vaga, ainda tentando verter os acontecimentos recentes.
Ao chegar ao local, após uma viagem que durou apenas alguns minutos, Marc ficou surpreso com a sofisticação que encontrou. Pensava que iria encontrar uma fabrica de cachimbos ou água-sanitária, ou parafusos, mas não aquilo que via. Na fachada, apenas o nome “Cappello” em letras purpuras, elevado em um enorme muro branco cintilante...
- Que maravilha! foi o único comentário que ela ouviu.
- Vem! Vou te mostrar onde você vai dormir... Estou de volta amanhã bem cedo para
discutir seu trabalho...
- Que loucura! A senhora nem me conhece...
- Senhora? Novamente? Durma bem! amanhã de manha conversamos...
Marculindo ainda não conseguira assimilar o que estava acontecendo... Apenas agradeceu sua sorte, em sua prece noturna e foi dormir.
Eram seis e quarenta e cinco da manhã quando Alessa Donato, aquela Italiana alta, de cabelos vermelhos, olhos castanhos claros, sobrancelhas longas e arqueadas, lábios rosados, cujos pais haviam emigrado, de Nápoles para Minas Gerais, no tempo da guerra, chegou `a fabrica.
Alguns minutos depois, Marc batia `a porta do escritório da “chefa”...
- Bom dia! Tomei a liberdade de fazer cafe' se a senhora não se importa. Disse Marc
que, agora, vendo melhor, `a luz do dia, mal podia acreditar no que seus olhos revelavam...
- Por favor! Senta aqui! Disse Alessa apontando para uma cadeira bem `a sua frente.
- Meu nome e’ Alessa Donato! Muito prazer! Chega de me chamar de “senhora”...
- Eu me chamo Marc! Quer dizer, Marculindo Traveiro mas, todos me chamam de
Marc, por motivos óbvios.
- Marc, quero te ajudar mas, não posso prometer muito... Disse, ainda sorrindo. No momento, estou
fazendo de tudo para manter a fábrica funcionando. Ha' anos nossas vendas vêm caindo
drasticamente.
- Bem, qual seria minha função?
- Não sei ainda.
- Dona Alessa, seria possível me explicar tudo sobre sua industria? Modus operandi e
tudo mais?
- Marc, você esta' curtindo comigo?
- Desculpe! Alessa!
- Aleluia! Finalmente! disse ela com mais um sorriso.
- Você sabe o significado do teu nome? Perguntou Marc.
- Não!
- Bem, Alessa, significa Apaixonada e Donato significa Doado.
- Você fala Italiano? Indagou Alessa.
- Falo! Estudei na Itália, quando era jovem.
- Acredite meu amigo... Nunca tive tempo de estar apaixonada... Meus pais faleceram
quando eu era pequena. Comecei a trabalhar muito cedo, juntei algumas economias
e decidi abrir meu negocio... Queria algo diferente. Quando menina, sempre gostei
de chapéus, resolvi então fabrica-los. No início as coisas iam bem mas, com o tempo
parece que as pessoas se cansaram de usar chapéu... Por outo lado, certamente não
terei nenhum problema em me “doar” `a pessoa certa.
- E o que mais você fabrica? Disse Marc, um pouco embarassado pela assertividade
daquela linda mulher.
- Nada! So' chapéus!
- Posso dar uma sugestão?
- Claro!
- Eu moro aqui, por algum tempo, tento te ajudar como puder, e não precisa me pagar.
Quando a situação melhorar, voltamos a conversar. Que tal?
- Mais generosidade? Disse Alessa.
- Você não faz ideia de como ja' me ajudou...
Durante o dia inteiro Marc tentou aprender tudo sobre a empresa, desde a compra da matéria-prima ate' a distribuição final do produto... Andava daqui pra li... Não falava muito. Apenas observava, ouvia e pensava.
No dia seguinte, `as sete da manhã ja’ estava de pe’, com um copo de cafe’ na mão e vários desenhos sobre a mesa da sala de reuniões. Ainda folheava alguns dos desenhos quando viu Alessa chegar.
Ja' com seu copo de cafe' `a mão, escutava atentamente ao que seu novo empregado propunha...
- Você dormiu esta noite? Indagou Alessa.
- Muito pouco. Estava muito excitado com o mundo de possibilidades que encontrei
nessa empresa...
- E eu pensei que estava falida...
- Minha patroa, estamos montados em uma mina de dinheiro...
Pude observar ontem que esta industria e' muito bem organizada. Os empregados
são caprichosos e aparentam gostar do que fazem mas...
- Ja’ sei! Produzimos algo obsoleto... Interveio Alessa.
- Não! Pelo que pude ver o erro esta' no marketing. Primeiro, acho que temos que diversificar.
Penso que poderíamos ter três linhas de produtos. Cappello di Testa, Cappello di
Corpo e Cappello di Piedi
Pense bem! Chapéu e' algo que cobre, certo? Então vamos fabricar chapéu para a
cabeça, para o corpo e para os pés. Ou seja, chapéus, shorts e sandálias...
Passamos a fabricar chapéus para mulheres e bonés para homens, dentro da linha
Cappello di Testa. Shorts para meninas com dizeres: “Ne' Pensare”, “Dall’altro lato”,
“Forse domani”, “Ai se potessi” impressos na parte de trás. Para homens, com
dizeres como: “La cosa giusta” ou “Iniziare a correre” impresso na frente, dentro da
linha Cappello di Corpo” e, sandálias com estampas variadas dentro da linha
Cappello di Piedi.
Ao invés de vender `as lojas, vamos colocar stands sofisticados e vamos consignar
nossa mercadoria... Inclusive em alguns super mercados... Os preços devem ser bem
acessíveis... Temos que basear nossos ganhos na quantidade...
- E os investimentos? Perguntou Alessa.
- Mínimo! Apenas vamos redistribuir os mesmos funcionários que ja’ trabalham aqui.
Os desenhos eu mesmo faço, os contatos você ja' tem...
- O que mais gostei foi do teu entusiasmo. Ja' se tornou parte de nós em tua mente. Comentou
Alessa. Acho tudo ótimo! Devia ter furado aquele pneu ha mais tempo...
Em menos de três meses a situação da “Cappello” havia mudado completamente. As vendas aumentaram consideravelmente, principalmente devido `a implementação da loja virtual, agora responsável por quase oitenta por cento do faturamento.
Marc praticamente havia dominado aquela empresa... Com sua maneira afável, jeito de bonacheirão, sua simpatia, sua maneira positiva de encarar imprevistos, havia criado um clima de otimismo contagiante.
Alessa havia se tornado praticamente a tesoureira e secretária de sua própria empresa. Muitas vezes ate' ficava surpresa ao se ouvir dizendo: “Não sei! Isto e' com o Marc.”
- Alessa! Disse Marc em uma daquelas noites... Você se importa se eu continuar morando aqui?
Sei que ja’ deveria ter mudado ha' algum tempo mas, sinto que aqui e' a minha casa... Nunca me
senti tão bem em nenhum lugar que morei... Alem do mais, minha ex-esposa me mandou um
e-mail ontem e eu dei este endereço para que ela mande os papéis do divórcio.
- E' claro que pode ficar aqui! Respondeu Alessa. `As vezes eu penso como a vida e' engraçada e
imprevisível... Como sempre, depois da tempestade vem a bonança... Jamais pensei que fosse
encontrar a solução dos meus problemas aguardando por mim, sentado em um banco, na rua.
Diariamente, os dois ficavam ate' tarde na fábrica. Parecia que ela não queria ir para casa... Ele, por sua vez, agora mais confiante havia ate' arriscado uns olhares de cunho pessoal para sua “chefa”, sempre conjecturando em seguida: “O que uma mulher linda como essa vai querer com um baixinho, gordinho, quase careca, beirando os sessenta e, pra piorar tudo, duro... E’ bem verdade que a Sophia Loren também se apaixonou por um baixinho pançudo mas, isto e’ coisa de cinema... Jacarepaguá não e' Roma...
Algumas noites, na maioria delas a convite de Alessa, saiam para jantar juntos, inclusive no apartamento onde ela morava...
O vento soprava de popa no destino daquela pequena empresa e nos dos que ela habitavam... Havia muito tempo que não conseguiam avistar horizontes tão promissores.
Em menos de seis meses Marc havia conseguido mudar completamente o destino de todas aquelas vidas que dele dependiam. O que ele não sabia era que sua “chefa” estava começando a sentir ciúmes, principalmente quando ficava muito tempo la' em baixo, conversando com as operárias que, de algum tempo para ca', começaram a trabalhar de calças justas, blusas entre-abertas e, maquiadas... Algumas ate' com certo exagero
Hoje, Alessa estava muito nervosa, desde que chegou para trabalhar. Olhando para Marc varias vezes, tentando encontrar o momento oportuno para a ele declarar seus sentimentos mais profundos, alguns dos quais extremamente pecaminosos e imorais... Iria propor que vivessem juntos. Queria confessar que nunca esperara tanto pela hora de trabalhar, que nunca sentia tanto a chegada da hora de ir para casa. Queria fazer do apartamento solitário e impessoal onde morava, o lar que, so' agora, desde que conheceu aquele homem, pensava em construir...
- Meu Deus... Fazei com que ele aceite! Pensava, enquanto aguardava a chegada de Marc em seu
escritório...
Ta’ bom!
Agora... Diz pra mim se isso não e' um milagre; ou uma sorte do caralho...
Copyright 1/2013 Eugene Colin
sexta-feira, 12 de maio de 2017
MOTHER'S DAY
Mother's Day
When her mother, Ann Reeves died in 1905, Jarvis Reeves organized the first observance of Mother's Day at the Andrews Methodist Episcopal Church in Grafton, and later in Philadelphia, Pennsylvania.
She chose the second Sunday in May because it was the closest to her mother's death. The white carnation, Reeves' favorite flower, became the holiday's symbol.
Jarvis had no kids of her own but had a singular understanding of what Mother's Day should mean. For her, it was a day for children to visit their mothers at home and to remember the sacrifices that they had made.
She begun a letter-writing campaign, reaching out to anyone she thought could help to promulgate the idea.
She wrote to president Roosevelt, Mark Twain, to every state governor, every single year.
By 1914, when most states had already recognized the day, locally, the US congress passed a law designating Mother's Day a national holiday. One day later, president Woodrow Wilson issued an official proclamation.
Today, over 90 countries celebrate Mother's Day on the second Sunday of May. Many other countries celebrate in some different dates.
So, for you that are a mother, for you, that are about to become a mother, for the young ladies who one day will be a mother and even to some guys that became mothers for absolutely no other option, exercising his feminine side, here's my simple thoughts...
The things I never told you I'd like to tell you now;
Of feelings held contentedly in my heart, somehow;
Of thoughts and dreams, wants, and happiness too;
A Mother's prayer to finally share with you...
Lord, govern their lives as you have mine,
Touch them with Your sweet divine,
Make them happy, guide their paths,
Tickle their funny bones, let me hear their laughs.
Dry the tears sliding down their faces,
Hold their hands when the love heart races,
Make them stand tall when the burdens are great,
Prepare them to carry the loads of fate.
Heal the hurts and sufferings of the spirit,
Make them listen until they hear it;
That sweet song of yours that will touch their soul
And carry them forward until they are old.
Lord, let them see the meaning of life,
Protect them from the evils of strife,
Gently guide them in the path of your ways,
I pray, Lord, I pray for them everyday.
I know, Lord, that I fell short many times;
In my guidance as "Mom" there were crimes,
Times that I failed to help them see
The beauty that you have bestowed around me.
Take their hands and lead them forward
Give them strength to avoid the coward
And evil ones that lurk about
Waiting` to swallow them up and shout
The conquest of their gentle soul
Provide them the coin to pass the toll.
Please make things right, Lord, once again
To help them to see the meaning of friend
And loved ones that hold them close to the heart
With a Mother that loves them, since the start.
Happy Mother's Day...
Copyright 5/2017 Eugene Colin
sexta-feira, 5 de maio de 2017
AULA DE INGLÊS.
Aula de Inglês.
. Xa' comigo que eu livro tua cara.
Tea with me that I book your face.
. Eu sou mais eu.
I am more I.
. Você quer um bom-bom?
You want a good-good?
. Não vem que não tem.
Don't come that don't have.
. Escreveu, não leu, o pau comeu.
Wrote, didn't read, the dick ate.
. Ela e' cheia de nove horas.
She's full of nine hours.
. Entre, meu bem...
Between, my well...
. Você viajou na maionese.
You traveled on the mayonaise.
. To careca de saber...
I'm bald of to know...
. Matar a cobra e mostrar o pau...
To kill the snake and to show the dick...
. Merda! Queimei meu filme...
Shit! Burned my movie...
. Vou lavar a égua...
I'll wash the mare...
. Ta' pensando que isso e' casa da mãe Joana?
Are you thinking that this is home of mother Joan?
. Vai catar coquinho!
Go catch little coconuts!
. Você ta' por fora...
You are by outside...
. Se correr o bicho pega. Se ficar, o bicho come...
If to run the bug catches. If to stay, the bug eats...
. Xi! Deu zebra...
Ops! Gave Zebra...
. Nao enche o saco!
Don't fill the bag!
. Ja' era!
Already was!
. Antes tarde do que nunca...
Before afternoon than never...
. Vai enxugar gelo...
Go to dry up ice...
. Vai pentear macaco!
Go to comb monkey!
. Tire o cavalinho da chuva...
Take out the little horse of the rain...
. A vaca foi pro brejo...
The cow went to the swamp...
. Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.
More worth one bird in hand than two flying.
. Não vai dar uma de João sem braco...
Don't go give one of John without arm...
. Cada macaco no seu galho...
Each monkey on your branch...
. Maria vai com as outras...
Mary go with the others...
. Antes so' do que mal acompanhado...
Before alone than bad accompanied...
. Rei morto, rei posto...
King dead, king station...
. Quem nada não se afoga...
Who nothing do not drowns...
. Saco vazio não para em pe'...
Bag empty do not stop on foot...
. Água e vento são meio sustento...
Water and wind are half sustenance...
Considere esta como sua primeira aula de Inglês...
Copyright 2/ 2013 Eugene Colin
sexta-feira, 28 de abril de 2017
BUNDA DOURADA
Bunda Dourada
Brolha estava pensando em ir à decisão mas, não gostava de assistir a jogo de futebol sozinho. Em casa, na televisão, tudo bem mas, ir ao Maracanã sozinho não era algo que o atraísse. Naquele dia, uma vez convidado por seu amigo Três Pernas, companheiro de muitas peladas, aceitou acompanhá-lo.
Três Pernas, era considerado por muitos residentes locais como um traidor… Como é que alguém, nascido e criado em Bangu pode torcer pelo Flamengo, pior ainda, tendo o Bangu como seu segundo time?
Brolha, por sua vez era coerente. Torcia pelo Bangu desde pequeno fazia até questão que todas as suas namoradas fossem torcedoras do seu time do coração… Elas sempre disseram que eram…
Mas, campeonato Carioca é coisa séria e, decisão é decisão…
Como em todo jogo do Fluminense, o estádio estava repleto de mulheres. Naquele dia era mais fácil pegar uma mulher no Maracanã do que pulga em cachorro que não toma banho ha' muito tempo.
Três Pernas queria sentar junto com a torcida do Flamengo o que Brolha rejeitou enfaticamente. Primeiro porque, na realidade, não torcia por nenhum dos times, segundo porque na torcida do flamengo so' tinha homem. Concordaram em ficar no centro, onde as torcidas se misturam e
onde certamente poderia ate' apreciar nádegas rubro-negras que por acaso estivessem `a sua frente.
Desde o inicio do jogo o Fluminense estava encurralando o Flamengo.
A cada ataque a mulherada pulava mais do que pipoca em panela quente, balançando seus “atributos” como bandeiras no mastro…
Brolha estava mais feliz do que pinto no lixo…
Nem estava prestando atenção ao jogo, concentrando-se principalmente em uma loira que pulava em sua frente e, a cada pulo, revelava uma tatuagem no cox que dizia: “bunda que mamãe limpou vagabundo nenhum poe a mão”. Aqueles loiros cabelos muito longos e lisos refletindo os parcos raios de sol que naquele final de tarde se atreviam a atravessar a multidão e brilhar justamente nas costas da mulher, davam a ele a ilusão de que estava, pela primeira vez em sua vida, vendo uma bunda dourada.
Aquilo estava deixando Brolha maluco… Estava doido para arranjar uma desculpa para encostar na moça, mesmo que por uma fração de segundos…
Mais um ataque do Fluminense… A bola bateu na trave. No rebote um jogador do Flamengo roubou a bola, correu que nem um desesperado ate' chegar em frente ao goleiro tricolor. Olhou para trás e viu mais de quinze jogadores correndo em direção a ele. Fingiu que ia chutar para um lado, quando o goleiro se mexeu, chutou para o outro e marcou o primeiro gol do Flamengo.
Os homem pularam de alegria, as mulheres sentaram consternadas…
O jogo prosseguia e o Fluminense atacava mais ainda. A cada ataque a mulherada se manifestava…
A certa altura, Brolha, ainda elaborando seu plano, viu um cachorro quente voar sobre sua cabeça e atingir a loura em cheio. Justamente quando ela tentava incentivar seu time. O cabelo da pobre ficou vermelho de ketchup que escorria por suas costas, o pão se espatifou em mil pedaços e a salsicha deslisou pelo pescoço e parou dentro do sutiã da moça, entre seus seios.
Sem perder a esportiva ela se levantou, virou para traz e gritou, tirando a salsicha dos peitos e dando uma mordida:
- Ei! O filho da puta que me jogou um cachorro quente, da' pra me mandar um guarana'?
Depois do acontecimento, Brolha achou que seria melhor se contentar apenas em apreciar aquele material do que tentar uma aproximação…
O primeiro tempo terminava com a vitoria parcial do Flamengo…
No intervalo, enquanto Três Pernas saiu para fazer xixi, Brolha ficou em seu lugar, apreciando a “paisagem”.
Não tardou e a tal loira virou para trás, talvez tentando identificar quem a atingiu desrespeitosamente e, languidamente, deu um sorriso para Brolha que, apavorado, constatou que a moça, de cabelos tão bonitos e corpo escultural, não possuía os quatro dentes superiores. Ao notar que Brolha reparou esta característica marcante, ainda sorrindo para ele, meteu a mão nos peitos, que alguns minutos atras aqueciam a salsicha de um estranho e, tirando uma prótese, colocou em sua boca, justificando:
- As vezes eu fico com medo de perder o meu sorriso…
Todos os “musculos” de Brolha, ate' então duros, relaxaram instantaneamente. Ele so' não mudou de lugar porque o Maracanã estava cheio e Três Pernas ainda não havia voltado para o segundo tempo da decisão do campeonato Carioca. So' esperava que, dali para adiante aquela mulher que havia tirado toda sua atenção do jogo que no gramado se desenrolava, o que para ele não fazia a menor diferença, uma vez que não dava a menor importancia a nenhum dos dois competidores, não virasse para trás novamente para que ainda pudesse, sem traumas, admirar aquela bunda dourada...
Copyright 8/20126 Eugene Colin
sexta-feira, 21 de abril de 2017
PER SEMPRE...
Per sempre...
Poco tempo ancora è passato...
e, nella mia mente nulla ho dimenticato
si dice che il tempo cancelli i ricordi
o almeno li renda velati,
ma quello che tra noi c'è stato
niente e nessuno cancellare potrà mai,
i tuoi occhi, il tuo sorriso,
il tuo amore vero,
i giorni con te passati,
uno squarcio mi si è aperto nel cuore
una ferita che porterò dentro
e con essa un gran dolore,
tutto mi riporta a te
tutto mi parla di te,
vorrei che capissi i miei silenzi
e poter riuscire a farti guardare il vuoto che ho dentro,
l'orgoglio, l'odio, ci ha rovinto,
io non ti ho mai tradita,
e nemmeno il pensiero ho sfiorato
ti avevo giurato con te o con nessuna
ti sembrerà strano, forse non crederai
un giorno mi auguro di reincontrarti
e coi tuoi occhi guarderai
che quest'uomo, il giuramento ha mantenuto
nonostante tu non mi hai creduto,
e mentre scrivo
la gola è stretta in una morsa, mi attanaglia,
stringe forte, fino a togliere il fiato,
vago senza una meta
i miei occhi ormai spenti
non godranno mai più della tua luce,
queste parole son dettate dal cuore
non dalla mente,
che ormai spenta
nulla immagina, nulla pensa,
ma tutto è fatto ormai
e queste, lo so bene,
sono parole che non leggerai mai
ti amerò per sempre.
Copyright 1/ 2001 Eugene Colin
sexta-feira, 14 de abril de 2017
TOO MUCH TO ASK?
Too much to ask?
I'm not asking you to meet everyday
I could try & bare
When you are away...
All I need is just some care.
All I need is not to feel so much alone,
All I ask is a heart not hard as stone,
is to hear your voice over the phone...
All I need is to know you're fine
Is to know that you're mine,
to know that I'm in your heart,
even If we're going to stay for so long apart...
I'm not asking you to count every drop of rain!
but, is to stop making me feel this pain...
I'm not asking you to count every particle of sand on the shore!
All I need is to know that you love me from your very inner core,
is to know that I'm the only one you adore...
I'm not asking you to make the birds swim or the fish fly!
All I need is not to hear the word 'Goodbye '
I'm not asking you to climb a mountain so high!
Nor am I asking you to swim across the deepest sea!
All I need is to show me that you love me...
I'm not asking you to walk a thousand mile!
All I need is your very simple smile.
I'm not asking you to make the trees blue!
All I need is to know that you're really true...
I'm not asking you for a diamond ring!
All I need is a much humble thing
All that I seek is your attention,
all that I really need is some affection...
I'm not asking you for a princess dress!
All I need is something much, much less
All I need is a gentle caress...
I'm not asking you for a castle of gold!
I'm not asking you for more than you could posses!
I need is not to feel foolish or old,
all I need is not to feel you're bored,
and not making me feel I'm ignored...
All I need is your gentle, kind word,
I won't want to fill like I'm your "third''...
I'm not asking you to make the year like it's longer!
Please, don't make the week look much somber...
I'm not asking you to make the sun rise from the west!
All I need is to sleep on your chest.
I want to hear from your heart every beat,
thus also making me feel I'm complete...
Is it too much to ask?
Copyright 3/2001 Eugene Colin
sexta-feira, 7 de abril de 2017
O GRANDE PICASSO
O Grande Picasso
Arnudo Bichou, acabara de realizar o sonho de sua vida... Estava super feliz e agradecido `a sua esposa Marta Talco pelo nascimento de seu primogênito.
Amante das artes e, ao mesmo tempo talvez tentando vingar-se de seus pais, decidiu dar a seu filho o mesmo nome de um dos maiores pintores da humanidade, a quem admirava severamente...
Se filho se chamaria Paulo Diego Francisco de Paula João Nepomuceno Maria dos Remédios Cipriano da Santíssima Trindade Mártir Patrício Luiz Clitóris e Picasso Bichou, tradução literal do nome do famoso pintor com apenas uma adaptação que, segundo ele parearia com a alcunha que definiu o pintor através dos tempos. O “Bichou” só entrou ali para dizer que o menino não era filho de chocadeira.
Após alguns anos, quando o garoto começou a frequentar a escola, alvo de maldosas gozações, percebeu que talvez, em sua vingança, tivesse cometido um erro maior e mais grave do que seus pais. Só esperava que, que a adaptação ao nome do pintor não se tornasse uma sugestão maleficamente profética, nem desse ideias a seu herdeiro de se tornar um hermafrodito.
Anos depois, sempre pensando no fato, andava um pouco mais tranquilo, depois que a terceira empregada doméstica se demitiu após relatar que o rapaz abriu a fechadura de seu quarto e, quando ela acordou assustada, viu o Picasso balançando `a sua frente já concluindo seu intento carnal que a embranqueceu com pavor...
“Dos males o menor!” Pensava Arnudo, toda vez que acertava as contas com a empregada, tentando se desculpar pelo filho quando, na realidade, estava era muito satisfeito... Pelo menos seu filho era macho e, reparando bem, quando as “moças” a ele davam as costas, até que o menino tinha bom gosto... Especialmente Ermengarda, a ultima a se demitir, não era de se jogar fora. Pensando bem, dava de dez a zero na Marta Talco, sua esposa. Sentiu foi uma certa inveja do menino ao pensar: “se fosse eu ela não escapava, nem que eu tivesse que dopar a mulata”...
Mas, o pior estava para vir...
Aos dezoito anos, ao iniciar o cursinho para o ENEM, seus colegas, mais maldosos, ao saberem de seu nome completo, esqueceram o “Picasso” e, por causa do penúltimo nome, o apelidaram de “Bichaldo”.
Ai o cara pulou... Embora na realidade, sabia ele, seus atributos físicos não fizessem jus a seu ultimo nome, ele não se importava... Ser chamado de Picasso era uma honra. Alem disso, ninguém nunca havia visto... Como poderiam desmentir ou apelida-lo que Piquinha?
Agora, “Bichaldo”? Era demais! Não podia tolerar tamanha ofensa...
Certo dia, ao saírem da aula, procurou Zé Melâncio para tomar satisfações... Tarde demais! A esta altura, todos os colegas sabiam que ele era o “Bichaldo”.
Xinga daqui, argumenta dali, nada! Mesmo que o Melâncio quisesse, nada poderia ser feito. A única solução cabível era seguir pelas vias físicas, ou seja, cobrir o cara de porrada... Dançou! O colega lutava Karatê e só não machucou mais o Bichaldo porque ficou com pena...
E agora? Se pelo menos o tivessem visto tomar banho e o apelidassem de Pintinho não seria tão humilhante...
Em sua mente, a única maneira de se vingar de Melâncio, metido a galã, era namorar a garota mais bonita do cursinho...
Por uma semana, Bichaldo, quer dizer, Picasso, prestou enorme atenção a todas as meninas. Não falava nada. Só butucava... Tomava em consideração altura, atributos físicos, desenvoltura, comportamento, som da voz, cor dos olhos... Enfim era como se fosse juri de um concurso de Miss Brasil...
Reservou o Sábado para o desempate entre as duas melhores qualificadas: Ingrid, uma loira alta, lábios finos, olhos azuis, nariz afilado e empinado, filha de Suecos, rica pra cacete, a notar pela maneira como se vestia, gestos sofisticados, fala pausada, vocabulário próprio e pensado... O tipo da garota que o Melâncio gostaria de namorar e, Maria Mujinha, uma mulata baiana, de olhos verdes, lábios grossos, cabelos pretos e lisos, nariz grosso e chato, aparentemente muito simples e pobre mas... olha! Mais bonita do que qualquer mulher do mundo, além de, obviamente, ao notar seu rebolado, que fazia com que as saias rodadas que sempre usava, se movessem de um lado para o outro, como aquelas havaianas dançando “hula”, gostosa pra cacete.
Mas a duvida persistia... O fato e' que, os olhos verdes da mulata não saiam da cabeça do Bichaldo, quer dizer, do Picasso mas, por outro lado, namorar a Ingrid significaria dar um tapa na cara do colega abusado.
Outro problema... Como iria se apresentar `as colegas? As aulas haviam apenas começado e os colegas ainda estavam se conhecendo, não havia tido tempo de muita interação entre eles. E’ claro que não poderia chegar para uma ou outra e dizer:
Ola! Sou o Bichaldo...
Ola! Sou o Picasso, pior ainda. Seria como fechar as portas do futuro para sempre.
Mas, o cara era esperto, apos pensar por algum tempo resolveu que um “encontro” casual seria a melhor opção... A escolhida receberia um encontrão na bunda, quando estivesse de costas para ele. O ato teria força suficiente para fazer com que a eleita deixasse cair todos os livros que abracava, sem, e' claro, machucar ou derrubar a “felizarda”.
Genial! Agora só faltava escolher quem.
Aquela duvida estava fazendo com que o Picasso ficasse com a cabeça dolorida.
Aqueles olhos verdes... Mas, por outro lado, namorar a Maria significaria abdicar da vingança para sempre e, talvez abrir o caminho para o seu desafeto... O Melâncio jamais chegaria perto de uma mulata... Ele era muito esnobe, ja' estava bem claro.
E’! Não tinha jeito... Tinha que namorar a branquela... Decidido!
No dia seguinte, logo `a entrada do cursinho, a oportunidade ideal se apresentou. Na hora em que mencionou entrar na porta da sala, Ingrid correu para entrar `a sua frente.
“E'” agora!” Pensou!
Assim que se preparou para o “ataque” recebeu uma porrada que o atirou longe da Ingrid, de seus pertences e, da porta da sala.
Ainda estava meio grogue, sem saber o que aconteceu quando viu bem `a sua frente um par de mãos delicadas, unhas vermelhas e bem manicuradas... Olhando um pouco mais acima pode ver aquele par de olhos verdes que rondavam seus sonhos por alguns dias e uma voz desgrenhada dizendo:
- Num si avexe não colega... Sô meia zangaralhada assim mesmo... Mi dexa ajudar!
Nosso amigo estendeu a mão, sem pensar... Quando, já de pé, perto da mulata, foi por ela abraçado, seu joelhos fraquejaram. Só não caiu ao chão porque Maria o segurava pela cintura... O coração do Picasso batia tao rápido que ele pensou que ia morrer ali mesmo...
“A Ingrid? Esquece a branquela, não troco essa baiana por nada na vida”... Pensou enquanto era paparicado pela colega.
Agora mesmo e' que o apelido pegou. O Bichaldo estava namorando a única mulata da classe mas, quer saber? O cara nem ligou, estava era feliz... Passaram a sentar juntos, se ajudar e destacarem entre os outros alunos...
Uma semana depois, Maria Mujinha o convidou para conhecer seus pais.
Picasso não era muito familiar com a cultura Baiana. No almoço, ao lado da nova namorada, comeu acaraje', vatapá e arroz doce de sobremesa... Adorou!
Resumindo a história... Picasso e Maria Mujinha nunca mais se separaram... Estudaram juntos. Se formaram juntos. Fundaram sua própria firma de arquitetura e se mudaram para uma cidade do interior de Minas Gerais onde continuaram a prosperar...
Anos mais tarde, quando se casaram, na noite de núpcias, Maria Mujinha confessou que se havia se apaixonado por ele, `a primeira vista e, como era muito tímida, bolou aquele esbarrão para que pudessem se aproximar.
Naquela mesma noite descobrira também, ja' que haviam feito um mutuo voto de castidade ate' o casamento, que seu agora marido, não fazia exatamente jus ao seu nome, ou apelido se preferirem mas, em compensação havia presenciado uma especie de “milagre dos peixes”... Acabara de ver algo muito pequeno se multiplicar em tamanho de uma tal maneira imponente que ate' ele mesmo, Picasso, se impressionara...
O fato e' que hoje, estava de saída, `as pressas para o Aeroporto da cidade, onde receberia seus pais e os de Mujinha, para que juntos comemorassem o nascimento da primeira filha dos dois...
E’ claro que havia aprendido a lição. Não queria saber de nomes como Bibinha, Cabrocha, Luluca, Periquita, Xana ou coisas parecidas...
Nada melhor que dar `a menina o nome de Maria, o mesmo nome da mãe, nome forte simples, nome da sua amada, sua esposa, mulher maravilhosa que soube, como ninguém, conquistar seu eterno amor, aquele que ela sempre teve em sua mente como o grande Picasso..
Copyright 9/2014 Eugenio Colin
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