segunda-feira, 22 de junho de 2015

BUNDINHA & PIRULITO












                                                        Bundinha e Pirulito







   Marly, uma loira legitima, acabara de voltar dos Estados Unidos, onde viveu por mais de dez anos, para sua cidade natal, Anta Gorda, Rio Grande do Sul.
   Descordando de 99% da maioria dos que visitam `aquele pais, detestou tudo que ali viu, encontrou, conheceu... Achava que Americano era babaca, pedia desculpas por tudo, mesmo se não fizesse nada errado. Para ela, que tinha menos de um metro e meio de altura, todo mundo era gigante, todo mundo falava enrolado,  todo mundo era esquisito... A única coisa que trouxe do pais foi seu apelido “blondinha” que os Americanos criaram em sua homenagem, adaptando a palavra “blonde” para o Português, na tentativa de lhe fazer uma homenagem. Aqui chegando, como a maiorias dos habitantes de sua cidade não tinham menor noção do idioma Inglês, e em pouco tempo seu apelido se transformou em “bundinha” o que, diga-se de passagem, era ate' pertinente, ja' que nossa amiga, poderíamos dizer, era baixinha, mas bem dotada.
   Após três meses vivendo sozinha na cidade, ja' que todos seus parentes, cansados dos problemas constantes e recalcitrantes do Brasil, resolveram se mudar para os Estados Unidos, ja' estava a perigo... Sem dinheiro, sem trabalho, sem namorado, sem dar uma trepadinha por muito tempo, não sabia mais o que fazer...
   Por mais de três meses estava vivendo de favor na Igreja Matriz da cidade, em troca de serviços de limpeza.
   Em um domingo, assim que a missa semanal terminou, deparou com um rapaz que fumava charuto, no meio da missa. Indignada com aquela atitude desrespeitosa, não aguentando mais de raiva, resolveu tomar providência e expulsar o “infrator” daquele lugar sagrado.
   Apos a missa, aquele mesmo rapaz, se dirigiu  `a moça e humildemente se desculpou pelo desrespeito perpetrado.
   Blondinha, quer dizer, Bundinha, ate' achou legal o fato do rapaz ter admitido a falta de respeito e ter a ela se desculpado.
   O episodio, aparentemente, terminou ali, pelo menos ate' a próxima semana quando, quem sabe, o episodio se repetiria mas, nada! Esta semana, o rapaz se mostrava respeitoso, interessado, humilde, contrito.
   Bundinha, que estava com o rapaz em sua mira, desta vez se surpreendeu com sua atitude durante a missa. Ele estava respeitoso, contrito, interessado, completamente diferente da semana anterior.
   A moça ficou tão impressionada que, depois da missa, se dirigiu ao rapaz.
   Foi um encontro alegre e descontraído. Conversaram por mais de três horas e, de certa maneira, começaram uma amizade...
    Semanas depois, confissões vai, confissões vem, descobriram que, aparentemente estavam com os mesmos problemas, sem dinheiro e sem trepar... Entre outros...
   Semanas depois, em um dos passeios pela praça principal de cidade, Pirro Ito, nome de batismo do rapaz, que era bisneto de Japoneses e que,por motivos óbvios, recebeu o apelido de Pirulito, propôs `a sua amiga, formarem uma dupla sertaneja para se apresentarem na radio da cidade e, quem sabe, defender uns trocados.
-  Eu não sei cantar! Disse a moça, ao ouvir a ideia.
-  Você ja' viu uma dupla sertaneja que saiba cantar? Respondeu Pirulito.
-  Sera' que da certo? Disse Bundinha
   Dois meses depois, a dupla Bundinha & Pirulito já tinham seu primeiro show programado, justamente na festa de São João que sua paroquia-casa havia organizado.
   Porque não sabiam cantar, a ideia de Pirulito, para contornar o problema, era que Bundinha declamasse a letra da melodia, enquanto seu parceiro faria um contrapondo.
   Eles mesmos criaram sua primeira composição que assim  dizia;
   A empregada pegou minha calcinha,
   levou pra cima botou num varal,
   e de repente uma ventania,
   jogou na cara de um general...
   O general virou pra empregada:
-  Esta calcinha ta’ cheirando mal.
   So' tem um jeito de me livrar dela,
   e' embrulhar ela no meu jornal...                
   Pega a calcinha, joga n'água fria,
   vê se tira o cheiro mal...
   Eu estou doente, não aguento mais
   este cheiro infernal...
   Adivinha o que aconteceu? Isto mesmo! Sucesso total! Apesar de algumas restrições por parte do baixo clero, a audiência entrou em delírio. 
   Em seguida apresentaram outras composições que ja' haviam criado como, “Cueca”, “Tira a mão”, “Mete Logo”, “Beija o Pinto”, Não morde!” “Solta minha bunda” e assim por diante...
   Todos adoraram a apresentação da mais nova dupla sertaneja, entre eles Mognaham Guthemberg, empresário internacional que so' estava ali porque havia perdido seu voo e decidiu conhecer a cidade, antes de voltar para a Alemanha, seu país.
   O empresário achou que aquilo era a coisa mais original que havia visto em muito tempo. Não so' pelas letras mas também pela maneira com a qual os artistas se apresentavam. Ele, com quase um metro e noventa de altura e ela, com menos de um metro e meio. Era algo bizarro e interessante... Em suas apresentações usavam uma gaita, sem mais um único instrumento. Apenas gaita de boca e voz. Certamente era algo muito inusitado.
   Agora, trabalhando juntos, quando compunham musicas ou quando se apresentavam em shows, a amizade começou a aumentar e com ela sensação de que um podia resolver o problemas do outro e os dois juntos, resolverem o problema mutuo...
   Na cabeça do Pirulito, porem, a tentativa de resolver aquele problema criaria um outro... A diferença de estatura entre ambos era tão grande que, em pe', bundinha não chegava nem perto da cabeça do Pirulito. Mas, pensando bem ate' que isto poderia facilitar uma coisa... Deixa pra la'...
   O tal empresário gostou tanto da dupla que resolveu adiar sua viagem de volta e propor um negocio aos dois; um "tour" pelo Brasil, apresentando suas composições, “muito criativas”, disse ele...
   Tava tudo muito bem mas, o fato e' que Pirulito estava doido pra comer e Bundinha doida pra dar, So' não sabiam como chegar `as vias de fato ja' que ambos eram muito envergonhados. O olhar da moça para o Pirulito era de dar do'. Ele, por sua vez, so' de pensar, levantava... Mas, nada! So' desejos...
   Tudo acertado entre a dupla e o empresário, resolveram partir para Cascavel, PR, cidade onde se apresentariam pela primeira vez como profissionais.
   Na hora de entrar no avião do agente, um Cezna com apenas três lugares, olharam um para o outro como se perguntassem onde iriam sentar.
   Porque em suas viagens o empresario sempre levava sua esposa-secretaria, perguntou `a dupla se se incomodariam de dividir o assento traseiro do avião... Os dois concordaram.
   Apos alguns segundos tentando se acomodar naquela aeronave minúscula, decidiram que o melhor seria que Bundinha sentasse no colo do Pirulito.
   O avião decolou a moça tentava se ajeitar no colo do Pirulito e nada de encontrar a posição correta... Mexe daqui, ajeita dali ate' que, finalmente ambos conseguiram o que queriam...
   Pouco mais de 400 km depois, ao desembarcarem no destino, o olhar de ambos era outro... A providência espantou a vergonha... Uma passagem pelo hotel,so' para uma ducha rápida e se trocarem e ja' estavam a caminho de sua primeira apresentação como profissionais. E' bem verdade que o que ambos realmente queriam era terminar o que haviam começado, interrompido pela aterrissagem mas, ja' se consideravam profissionais e, assim sendo, sabiam que a obrigação vem antes da diversão. Além do mais, aquela cama macia e aconchegante não ia a lugar algum.
   Com o Estadio Olímpico de Cascavel lotado, o apresentador pega o microfone e diz:
-  Senhoras e senhores, e' com  prazer que anunciamos a primeira apresentação publica da mais nova
   dupla sertaneja do país... Com vocês, “Bundinha e Pirulito”...








Copyright 3/2015 Eugenio Colin

   

sábado, 13 de junho de 2015

TORTINHO










                                                                  Tortinho








   Abrildo Neto, filho de Carlos Abrildo Filho, e neto do Antônio Carlos Abrildo, era o homem mais bonito do país.
   Ja' havia sido publicado em todas as revistas destinadas `a mulheres que, como os homens, embora muitas não admitam, também gostam de ver homem pelado, ou quase...
   Não tinha como ignorar sua presença, onde quer que ele estivesse... O cara tinha mais de um metro e noventa, “six-pack” impecável, cabelos negros, olhos azuis, sorriso de galã de novela das nove, uma voz grave e macia, uma conversa capaz de convencer qualquer um a comprar bilhete de loteria expirado, e uma educação capaz de fazer Lord Inglês parecer jogador de futebol...
   Quando Abrildo passava, cabeça de mulher virava... Não tinha como...
   Mas, apesar disso, inexplicavelmente, seu apelido era “Tortinho”. Ninguém entendia nada! Os mais íntimos, quando lhe perguntavam a origem do apelido, ele desconversava, dava uma desculpa esfarrapada como: “quando era criança me inclinava ao chupar sorvete” ou outra bobagem similar...
   As namoradas, ou melhor, as pretendentes, ja' que nosso amigo, católico praticante, acreditava que so' devia namorar para casar, nada de trepadinhas inconsequentes que, eventualmente, podem trazer serias consequencias, nem se atreviam a perguntar a razão do apelido. Algumas ate' tentaram procurar por algo torto em sua fisionomia mas, nada... Tudo perfeito! O homem parecia um deus grego...
   Um dia, quando se preparava para uma sessão fotográfica para a revista “Men’s Health”, uma moca se aproximou, apresentou-se como a fotografa responsável pelo trabalho e, quando ouviu seu apelido, como ele a si mesmo referia, ainda segurando sua mão profissionalmente, começou a procurar por algum defeito ou anomalia, que houvesse motivado aquele apelido. Que nada! O cara era perfeito... Apenas repetiu: “Tortinho?” Murmurando, quase que para si mesma: "Não entendi!"
   Tudo acertado, começaram as fotos...
   A cada posição, aprovada pelo piscar da câmera, a fotografa se repetia: “Tortinho?” Aquele apelido começava a assombra-la e aguçar sua curiosidade. Em um intervalo, puxando conversa, indagando pelo apelido, recebeu uma desculpa mais improvável ainda do que a do sorvete. Desta vez, disse que, quando menino, ficava inclinado ao andar de bicicleta. A moça, sorrido, apenas deixou escapar um sorriso sarcástico, como se estivesse dizendo: “me engana que eu gosto.”
   Mais alguns minutos de descanso e, “de volta ao trabalho”... Posa daqui, fotografa dali, e toma foto... Gostosura, como era conhecida, que, diga-se de passagem era seu nome verdadeiro, estava pra la' do que feliz com o resultado daquela sessão fotográfica. Não so' estava o trabalho saindo melhor do que esperava, como também o cara era um, colírio para seus olhos de profissional super ocupada que não tinha tempo para dar uma trepadinha ha' mais de seis meses.
   De repente, prestando mais atenção, percebeu que o dedo mindinho do pe' esquerdo era totalmente defeituoso. Alem de “acavalar” sobre seu “companheiro” mais próximo, era virado para cima. Assim que “desvendou” o mistério, sorrindo pensou triunfante: “Ah! Ali esta' a razão do apelido..."
   Com tanta coisa grande pra olhar, a mulher foi reparar logo no menor pedaço de osso  do corpo do cara... Faça me o favor!!!
   Mais meia hora de excitamento e a sessão terminava...
   Gostosura estava tão feliz que ate' convidou o “modelo” para jantar. Tinha certeza que aquela companha das cuecas “mostra pra mim” seria um tremendo sucesso.
   Tortinho aceitou o convite, e’ claro! Afinal de contas, estava meio duro, quer dizer, sem dinheiro, como sempre. Quando a fotografa foi aquiescida pelo convite, percebeu que estava completamente molhada. Não pelo suor, ja' que a temperatura no interior do estúdio, onde a sessão acabara de findar, estava mais frio do que nariz de Nova Iorquino passeando no Central Park em dia de inverno.
   Educadamente, pediu licença para “retocar a maquiagem” antes de seguirem para o restaurante, quando na realidade o que queria mesmo era tentar “estancar” um pouco de seus “planos” que antecipadamente não paravam de escorrer de sua “memória”.
   Resolvido o problema, pelo menos temporariamente, seguiram conversando animadamente...
   Conversa vai, conversa vem, come daqui, bebe dali e pumba... Gostosura tascou o convite na cara do bonitão: “ Me acompanha ate' minha casa?”
   Adivinha se o cara aceitou?
   Primeiro; Gostosura fazia jus ao nome. Segundo; Abrildo ja' estava de “jejum” por algum tempo. Terceiro; ja' estava cansado de ver filme pornô toda noite. Quarto; `aquela altura havia ate' esquecido, pelo menos temporariamente, que havia prometido a si mesmo so' trepar depois de casado. Afinal, ninguém e' de ferro e, aquela mulher era um pedaço de mal caminho, como dizia sua avo'... Pelo menos teria uma chance de ser protagonista pelo menos uma vez.
   Combinado e feito... Depois do jantar, seguiram felizes para o apartamento de anfitriã.
   Agora, enquanto a moca, exultantemente se trocava, foi a vez de Tortinho pedir licença para “retocar sua maquiagem”... Ja' estava no meio de sua “preparahavia ate' esquecido, pelo menos temporariamente que havia prometido a si mesmo so' trepar depois de casado. Afinal, ninguém e' de ferro e aquela mulher era um pedaço de mal caminho, como dizia sua avo'” quando Gostosura indagou se ele tinha preferência por algum lado da cama.
   Tortinho, tentando ser educado, sem querer gritar sua resposta, entreabriu a porta do banheiro para enformar que não se importava.
   Ao olhar para o companheiro, ao som de sua resposta, pode ver pelo entre-aberto da porta do banheiro que seu companheiro eventual olhava para ela enquanto fazia xixi. Seu primeiro instinto foi pensar: “Porra, esse cara vai mijar minha parede toda. Como e’ que ele pode acetar no vaso estando de lado para o dito?”
   Assim que Abrildo deixou o banheiro, la’ foi ela, desta vez para verificar o “estrago” perpetrado pelo parceiro... Olha daqui, examina dali e, nada! Tudo perfeito... O local estava ate’ cheiroso, sinal de que o moço não tinha nem peidado.
   Agora e’ que ela estava realmente encucada. Como era possível para um homem mijar de lado para o vaso? Deixa pra la’! Pensou ela... Tinha coisas mais importantes para pensar `aquele momento.
   Deitou ao lado do companheiro que, em baixo do lençol, por ela ja’ esperava e começou a alizar seu convidado que reciprocava os carinhos. O cara era realmente um Adônis. Corpo perfeito... “Um tezão!” Pensou ela. Quase que instintivamente, começou a passar a mão nas pernas do cavalheiro, tentando encontrar o que não saia de sua mente desde que viu, através da lente de sua câmera, aquele volume tentador, coberto desde a primeira cueca que havia naquela sessão fotografado.
-  Do outo lado! Disse Abrildo.
   Gostosura não entendeu nada. Um pouco assustada, apreensiva, curiosa, virou-se para o lado, procurando por algo que não sabia o que era, ou talvez, por sua empolgação não havia percebido acontecer... Não vendo nada, perguntou ao companheiro:
-  Você que que eu mude de lado da cama?
-  Não! Esta' bom assim! So’ disse para você passar a mão do outro lado, por cima da outra perna...
   Intrigada, ela levantou o lençol e, para seu espanto, encontrando o que queria, pode constatar que se tratava de um belo espécime, como um pepino em banca de legumes, aquele que certamente e’ o mais disputado pelas freguesas em dia de compras. Mas, ao invés de apontar para cima, cada vez mais crescia para o lado oposto ao que a moca se encontrava...
   E’ claro que `aquela altura com campeonato, não era hora de ser exigente ou perfeccionista... Era torto mas, com certeza, com jeitinho, seria capaz de fazer o “estrago” que ela estava esperando...
   No auge de sua satisfação, aproveitando aquele momento tão sonhado, não pode evitar o pensamento que, como uma voz interior, com um sorriso maldoso sussurrava aos seus ouvidos:
-  Agora sim! Finalmente descobri porque te chamam de “Tortinho”..






Copyright 5/2015 Eugenio Colin

sexta-feira, 5 de junho de 2015

PER PENSARE, MOLTO...








                            Per pensare, molto...








Acqua passata non macina più.
Al nemico che fugge, ponti d’oro!
Amor, tosse e fumo, malemente si nascondono.
Amore a prima vista è possibile; ma è sempre bene prendere un secondo sguardo ...
Anche la legna storta dà fuoco diritto.
Al confessore, medico e avvocato, non tenere il ver celato.
Cavallo che corre non ha bisogno di sproni.
Chi due lepri caccia, l'una non piglia, e l'altra lascia.
Chi ha capo di cera non vada al sole.
Chi ruba una volta è sempre ladro.
Chi vuol saldar pinga non la maneggia.
Danti ha fatto versi divini... Chianti, vini diversi.
E meglio cader dalla finestra che dal tetto.
Gli nomini hanno gli anni che sentono, e le donne quelli che mostrano.
Il bugiardo deve avere buona memoria .
Il mondo è fatto a scale, chi Ie scende, e chi le sale.
Il mondo `e una tragedia per chi si sente e una commedia per chi pensa ...
Irreale `e tutto quello che non è ancora successo.
La più grande arma contro la tristezza è il sorriso. Ma se siete senza denti, è meglio essere tristi.
La vita non ha il telecomando! Bisogna alzare il culo dalla sedia e il cambiamento del programma...
La vita si riduce a quattro bottiglie: Bottiglia, Coca-Cola, birra e Soro.
L'importante non `e la dimensione d'il bastone, ma il suo potere magico.
L'uomo che dice: donna `e il meglio della natura, `e disposto a dare uno sguardo al "paesaggio"...
Meglio l'uovo oggi, che la gallina domani.
Molti vivono pensando solo al futuro, dimenticando il presente, che `e il futuro appena arrivato.
Morta la bestia, morto il veneno...
Muove la coda il cane, non per te, ma per il pane.
Nessun sente da che parte preme la scarpa, se non chi se la calza.
Niente più tosto si secca che lacrime...
Non c’è avere che voglia sapere.
Non si può aver il miele senza la pecchie.
Non si tosto si fa un tempio a Dio come il diavolo ci fabrica una capella appresso.
Oggi `e il domani di ieri...
Ogni cosa si compra a prezzo.
Più grande la compagna, più ci si diverte.
Poeta si nasce, oratore si diventa.
Per quanto grande il buco in cui si sono, sorridi ... Per ora, non c'è terra in cima.
Quando il gatto non c'è il topo balla.
Scusa non richiesta, accusa manifesta.
Si mira più dell'affetto che all'effetto.
Siete nati e morire senza chiedere involontariamente ... Godetevi la pausa!
Se non vuoi andare da nessuna parte, non perdere tempo alla fermata dell'autobus.
Tra il dire e il fare c'è di mezzo il mare.
Tra moglie e marito non ci mettere il dito.
Tre cose belle in questo mondo: prete parato, cavaliere armato, e donna ornata.
Una bella donna `e come l'alcool, ci lascia le vertigini...
L'importante non `e la dimensione d'il bastone, ma il suo potere magico.
Uomo avvisato, è mezzo salvato.
Val più la pratica, della grammatica..






Copyright 5/2015 Eugenio Colin




sexta-feira, 29 de maio de 2015

A TÉCNICA DA CHUPADA












                                                  A Técnica da Chupada










   Pirulino Grandino, um paulista nascido e criado no Brás, descendente de Italianos, se considerava um perfeccionista em tudo que fazia... Cortar o pão tinha sua técnica, escovar os dentes tinha sua técnica, comer sanduíches, tomar cafe', ate' assistir a um jogo de futebol tinha sua técnica. Dançar então, coisa que adorava fazer, tinha sua técnica. Dançar, para ele era quase uma forma de arte. Não concordava com a maioria de seus conhecidos que profanavam: “dançar nada mais e' do que sonhar com as possibilidades verticais de uma realização horizontal”. Nada de “raspa coxa” ou sarrinhos propositais inconsequentes. Se a “dama” não se postasse corretamente em seus bracos, pronto! Uma desculpa super educada e a moça ja' fazia parte do seu passado... Pelo menos daquela noite. 
   Apesar de seus mais de um metro e noventa de altura, corpo de atleta profissional, cabelos negros, olhos azuis, uma educação  de fazer inveja `a rainha da Inglaterra, ou talvez por isso mesmo, nosso amigo não tinha uma namorada ha' mais de cinco anos. As mocas olhavam, sorriam, ciscavam, mas, na hora da “realidade” fugiam do Pirulino como se ele portasse uma doença contagiosa.
   Diziam ate' que uma ocasião, a Rosa Matilde, uma colega de colégio que depois de muitos anos o reencontrou, um dia em uma festa, bebeu duas cervejas com um copo de cachaça e, tomando uma dose de coragem, foi ate' seu ex-colega, o puxou pelo braco e, quando ele se virou, se esticou toda na ponta de seu stiletto, o agarrou pelo pescoço e tascou-lhe um beijo na boca que quase tirou o folego do bonitão. Pirulino, que não era de ferro, ate' que estava gostando e, assim que segurou a colega pela cintura para lhe dar um arroxo legal, so' teve tempo de amparar o corpo da menina e impedir que ela caísse ao chão, desmaiada, tomada pela emoção  que aquele ato de loucura impensada que a acometera provocou, e a levou direto para a emergência do hospital mais próximo.
   Verdade ou boato, o fato e’ que depois daquele dia, Piru, como era carinhosamente apelidado, começou a prestar mais atenção  `a moca. A principio, usou a desculpa de visita-la em casa para saber se aquele desmaio não tinha deixado nenhuma sequela em sua mente, desculpa tão esfarrapada que nem a mãe da Rosa, coroa que não era de se jogar fora (pensamento que o sorriso do Piru não deixou revelar, para o bem de sua, quem sabe, quase provável possibilidade de um possível pensamento povoado com relação  a um namoro, ou pelo menos um amasso na esquina da rua onde morava). A coroa fingiu que “engoliu” a história, aceitando a visita do estranho, sem deixar de olhar para o “caboose” do rapaz enquanto ele subia as escadas em direção  ao quarto de Rosa, como foi por ela instruído.
   Assim que, educadamente, bateu `a porta do quarto da colega, ouviu: “Entra!”
   Quando entrou, pela primeira vez pode prestar atenção  `a moca. Uma morena com cabelos negros e olhos verdes, usando uma saia tão curta que deveria ter sido feita com as sobras de um lenço. E, uma blusa tão apertada que fazia com que seus “predicados” fizessem o “sujeito” ficar sem “verbo”, sem “complemento”, sem nada...
   Assim que viu aquilo tudo, o Piru subiu o pequeno degrau que dava acesso aos aposentos da virgem, que por ele esperava, toda aberta, com um enorme sorriso apologético.
   Dias depois foi a vez da Rosa dar para o Piru um momento de grande alegria quando viu o nome da agora “amiga” reluzir em seu celular.
   Conversaram um pouco, revelaram um ao outro seus mais profundos desejos, suas taras, seus medos, descobriram as coincidências que os tornavam tão próximos, em tão pouco tempo... Acredite ou não, a conversa durou mais de quatro horas...
   E'! O negocio tava complicado! Por incrível que pareca, contrariando todas as possibilidades, apesar de praticamente dois estranhos, depois de descobrirem suas preferências, a moça tava doida para o acompanhar, e o Piru morrendo de vontade de comer...
   Embora sendo um ato tão corriqueiro, praticado por milhares de pessoas diariamente, no mundo inteiro, o fato e' que nenhum dos dois jamais haviam feito aquilo. Marcaram então seu encontro para dois dias depois quando finalmente saciariam seus desejos.
   Na hora marcada, o encontro foi saudado por um grande sorriso acompanhado de um beijo carinhoso. Não estavam nervosos. Talvez curiosos... Mesmo nunca tendo tido a oportunidade de se saciarem por completo, ja' tinham ouvido falar e ate' mesmo visto, ocasionalmente, casais fazendo a mesma coisa.
   Entraram no “estabelecimento” que os abrigaria por algum tempo de mãos dadas e corações alegres com o que os esperavam.
   Rosa entrou primeiro. Andava `a frente de seu companheiro com um rebolado que fazia com que sua “micro-saia” balançasse graciosamente, de um lado para o outro, como rabo de vaca abanando mosca, o que deixava o Piru completamente sem concentração , sem saber para o que olhar, sem saber o que escolher... Em sua mente, as possibilidades eram tantas... Olhava para um lado, para o outro...
   Finalmente se sentaram. Rosa foi a primeira. Seu companheiro em seguida. 
   A moça olhava para o Piru como que deixando que ele tomasse a iniciativa. Ele, por sua vez, olhava para ela, cavalheirescamente esperando dela o primeiro movimento.
   Por fim, apos alguns segundos, ela colocou em sua boca o que seu companheiro ate' então trazia em sua mão e agora a ela oferecia, com um sorriso amoroso.
   Rosa estava emocionada. Finalmente aquele dia havia chegado. Sem muita cerimonia, começou a chupar. Seu amigo apenas olhava para ela, sorrindo discretamente. Quanto mais Rosa chupava, mais ela se molhava. Tudo que chupava escorria por suas mãos, molhava seus peitos e suas coxas terminando no chão. Tudo escorria de sua boca. Literalmente estava jogando tudo fora. Parecia ate' que as pernas e o chão estavam aproveitando mais do que sua boca.
   A certo momento, o rapaz falou:
-  Você esta' mordendo as bolas...
   Foi o único comentário que fez antes de constatar que ela estava fazendo tudo errado. Resolvendo intervir, com cuidado tirou da mão da amiga o que ela ate' então segurava e delicadamente falou:
-  Meu amor! Agora tenho certeza que, como você afirmou, nunca havia chupado um sorvete antes.
   Deixa eu explicar... Segura pelo cone, poe a língua pra fora e roda o cone de um lado para o outro.      Deixa eu pegar outro para você. Este foi quase todo pro chão.
   Segundos depois voltava o Piru duro, como uma modelo inexperiente que desfila pela primeira vez, com medo de tropicar, cair da passarela, e meter os córneos no chão.
   Rosa olhava para seu companheiro enquanto ele voltava do fundo da sorveteria, agradecida ao destino que os reaproximou.
   Com um sorriso iluminado, Rosa pegou seu cone, coberto com duas bolas de sorvete de pistache, do qual sempre ouvira falar mas nunca havia provado, e seguindo as instruções de seu praticamente namorado, degustava aquela delicia.
   Piru, por sua vez estava feliz ao constatar que sua amiga, havia, tão rapidamente,  aprendido a técnica da chupada...








Copyright 2/2015 Eugenio Colin

sexta-feira, 22 de maio de 2015

POEMA









                                                          Poema






   A noite estava linda como nunca havia visto,
   não tinha uma estrela no céu,
   que se apresentava todo nublado...
   De repente... chovia pra cacete!
   O cavalo, pobre coitado,
   não sabia o que fazer.
   Não sabia se bebia água ou corria da chuva...
   O apartamento ao lado de minha casa
   estava completamente `as escuras.
   Não sei porque mencionei este fato...
   Não tem nada a ver com o que escrevo.
   Maria, a faxineira não veio hoje,
   deve estar com dor de dente
   ou outra desculpa que vai inventar amanhã
   para justificar a ausência...
   Voltando ao inicio, posso afirmar
   que e' possivel existir uma noite linda e chuvosa.
   Pensa so'! Imagine estar em Paris,
   iluminada por aquelas luzes cor de rosa,
   as fachadas dos cafés com seus letreiros
   ensopados pelas gotas que choram dos céus,
   os carros passam lentamente,
   fazendo,  com seus pneus molhados
   aquele barulhinho de abelhas
   voando em torno da colmeia,
   as mulheres fazendo toc-toc ao tentarem correr
   com seus escarpins de Christian Louboutin,
   caros pra cacetes, mesmo para que ganha em euros;
   as viaturas policiais fazendo inhom, inhom, inhom...
   Pensou?
   Então acorda! Esquece!...
   Esta história que relato se passa em Jijoca de Jericoacoara,
   no estado do Ceara’.
   A porra da cidade não via chuva há três anos.
   Neguinho já estava até bebendo água do mar...
   Se não fosse o nosso amigo, o Atlântico,
   aqueles dezessete mil habitantes já haviam
   virado comida de urubu há muito tempo.
   E’ claro que o prefeito morava em uma mansão
   com muita água e mais mordomia ainda e,
   estava pouco se lixando para seu eleitores...
   Se aquela desgraçada não vier trabalhar amanhã,
   pode procurar outra casa pra limpar.
   Tenho quase certeza que vai dizer que estava tudo alagado
   e por isso não pode vir. Duvido que ela vai ter
   dor de dente, ou caganeira... A chuva vai ser a desculpa.
   Onde estava? Ah, sim!
   Chovia aos cântaros e por isso,
   depois de três anos de seca,
   a noite estava linda, como não havia estado
   durante este tempo todo da estiagem...
   Quanto ao cavalo, juntou o útil ao agradável;
   ja' que estava todo molhado mesmo,
   resolveu beber um pouco da água,
   que escorria pelo canto do meio fio da rua,
   antes de procurar abrigo...
   Aquela miserável vai me dar o bolo amanhã...
   Tenho certeza!


   Infelizmente, isto e' o que chamam poesia nos dias de hoje...
   Tenho lido nomes famosos e reverenciados ate' por autores sérios, escrever baboseiras como esta e taxa-las como poesia.
   Não e' necessário muito talento para criar algo assim...
   E' so' pensar na chuva, no cavalo e na coitada da empregada, com ou sem PEC das domésticas, botar tudo na tela do computador (se isto tivesse sido escrito ha' cinquenta anos atrás eu diria “botar tudo no papel”) e, voila'! Você virou poeta...
   Bem! O apartamento ao lado entrou na história não sei porque, ja' a cidade de Paris e os sapatos do Christian Louboutin foram para dar um toque de sofisticação e fazer parecer que sei estar escrevendo uma bela obra.
   Sinceramente... E preciso ser muito papalvo e não ter sensibilidade alguma, para dizer que isto, ou qualquer outra coisa neste estilo, pode ser considerado um poema...








Copyright 12/2014 Eugenio Colin
  
  

sábado, 16 de maio de 2015

THA ART OF NAMING










                                                      The Art of Naming








   Names are really important...
   A well thought name could be a real asset in almost anything... 
   Imagine a real nice man named Gavin Butz, or John Smelley or a Japanese girl named Letamee Takashita, or an ugly woman named Linda (beautifull, in Spanish).
   Parents should be very thoughtful when naming their kids as an artist should be careful when naming his work. Would it be a painting, or a book, a song and even a movie.
   A good name could help, and do it big...
   There are strong names and weak names... Coca-Cola is a weak name. It “dies” when you say it. On the other hand, “Coke” is a very powerful name... It almost sounds like a punch. “Kraft” is another strong name, as it is “Heinz”...
   A good name can “sell” anything... A book, or a movie, for instance. Researchers say that when we meet someone, we form our opinion about this person in the first five seconds, as soon as we hear the name. It is not different when we are seeing a film prospect for the first time. Some films have major stars in them but, depending on the tittle, we don’t have patience ( at least, I don’t ) or care to explore the film, the story or anything about it but, give me a catchy tittle and I’m on it, I’ll check it out and will be curious to see what that tittle “tells”.
   Alfred Hitchcock was a master in naming his movies. Till this date people still discuss the meaning of “North by Northwest”. There’s even forums about it.
   "Rear Window" is where it all happens but, he didn't say that ( or put in the tittle )... You realize that as you watch the movie
   The title “To Catch a Thief” comes from an old proverb “Set a thief to catch a thief” and this is what happens in the movie but, the title would be too long so, he shorten it.
   The name of a person, several times, defines that same person, just like the title of a work defines 
( or, at least should define ) that work.
   As movies are concerned, some directors, or producers, or whoever chose to name his work, really cheapens it. Would you watch “O Brother, Where Art Thou?” or  “The Assassination Of Jesse James By The Coward Robert Ford”? You did? I wouldn’t! I knew, just by reading the tittle, exactly what the movies would, if not look like, or feel like.
   Take “The 40 years old Virgin”  from Judd Apatow, for example. The movie itself is not all that terrible but, the title could not be worse... It “gives away” the movie before you even watch it. Now! Imagine if the title was “Virgin”, having a face of a man, and his love interest, in the poster. People would be, at least, puzzled, since “virgin", most of the times, make us think of a girl.
   “Forgetting Sarah Marshall” from Nicholas Stoller is another example of a bad title. It is a good movie but, because of the tittle, and despite of the “star” in it, sold a lot less than it could. “A taste for love”, the play that the main character is trying to write the entire time, would have been  much better and it would have make perfect sense in the context of the movie.
   Now! Someone could say: What about the “Man who shot Liberty Valance, from John Ford?” Well, in that particular case, The man whom is thought to have done it, didn’t, and the tittle is intended to create that confusion.
   “Gran Torino” is another example of a very well thought tittle... If you watch the movie, you’ll understand.
   Another one is “Two Much” from Fernando Trueba. In this particular case, Antonio Banderas is trying to pretend to be two different persons; besides being relevant the tittle is also a playing on words, as “Made of Honor”, a Paul Weiland film, also is.
   The late Saul Bass was an American graphic designer and Academy Award winning filmmaker, best known for his design of motion picture title sequences and film posters. Among some of his work are "Tootsie", “The Man with the golden Arm”, “Vertigo”, “Bonjour Tristesse”, “West Side Story”, the superb “La Nuit Americaine” from Francois Truffaut and the famous Alfred Hitchcock’s “North by Northwest” but, besides all his art and expertise, even him, could not “fix” a bad choice on a movie title.
   Speaking of which, “La Nuit Ammericaine” ( Day for Night, in English ) is a wonderful example of a very well thought tittle, as the film itself is considered to be one of the most insightful movies of all times.
   It seems that lot of film directors, especially the newcomers, forget that the title, as well as the credits, are part of the whole work. You don’t go to a ceremony dressed in shorts and “flip-floppers” do you? Well, if you do, you shouldn’t. Or maybe you are one of these newcomers I’m talking about... In that case, all bets are off.
   Parents, at least the conscious one’s, begin to think of theirs kids name as soon as they know the “news”, although, sometimes, they do a terrible job. Movie directors should do the same ( not the terrible job part ) or, at least consider the possibility of a good name as they begin their project. 
   Many times a title, when well chosen, will do all the work for the movie
   Experienced directors know, and have incorporated very well in their mind, the art of naming.






Copyright 4/2015 Eugenio Colin

sábado, 9 de maio de 2015

VERDE, AMARELO, AZUL e BRANCA










                                                Verde, Amarelo, Azul e Branca



  







   Eusô Sagaz estava desolado. Havia acabado de ser demitido...
   Tava puto dentro das calças, por isso mesmo correu ate' a sala de seu chefe, o mesmo que não teve coragem de encara-lo como homem e o demitiu por um bilhetinho escrito em um papel usado. Ao ver o funcionário que acabara de demitir covardemente, se encolheu todo em sua cadeira  e, suando frio, quase cagando nas calcas de medo, atrás da mesa, cobriu o rosto com as duas mãos, se encolheu todo, começou a rezar, pedindo por sua alma, quando ouviu:
-  Dr. Carmona, gostaria de lhe agradecer pela oportunidade que recebi durante todo o tempo em que
   aqui trabalhei. Peço desculpas se, de alguma, maneira o desapontei...
   O chefe não entendeu nada. Estava preparado para ser coberto de porrada mas, o que ele não sabia e' que Sagaz era o cara mais “vaselina” do mundo. Comia mingau pelas pontas da beiradinha, não dava ponto sem no', nunca fechava a porta dos lugares por onde passava.
   Mas, vaselinagem `a parte, o fato e’ que o cara estava numa pior. Não era preparado para nenhum trabalho. Mal havia terminado o ensino médio, não escrevia direito, não falava direito, não tinha nenhuma habilidade profissional... Poderia-se dizer que o homem era um zero `a esquerda. As únicas coisas que nosso amigo tinha a seu favor eram; uma conversa capaz de enrolar língua de sapo, uma simpatia capaz de conquistar qualquer um e uma aparência invejável... Em outras palavras; esperto, bonito e muito burro.
   Seis meses haviam se passado desde aquele dia fatídico e, ate' agora, nada! Nosso amigo não tinha mais um puto de um tostão. Ja' havia ate' pensado em dar uma olhadinha nas latas de lixo antes de ir para casa, cujo aluguel havia “engolido” as ultimas reservas de que ainda dispunha, so' para não dormir completamente sem nada no estômago...
   Foi então que, naquela noite assistindo ao noticiário local viu uma reportagem a respeito de um milionário envolvido em um escândalo de lavagem de dinheiro. Imediatamente teve uma idéia brilhante que, determinadamente decidira, iria compartilhar com o milionário no dia seguinte.
   Bem cedo, pela manhã, após ter descoberto o endereço do homem, vestiu seu melhor terno e la' se foi, preparado para salivar o desconhecido. 
-  Bom dia! Gostaria de falar com o Dr. Mike Santista, por favor! Disse ele `a secretaria.  
   A moça, era uma loira muito gostosa, com os peitos quase saindo fora da blusa que, pelo sorriso  
   havia simpatizado com o Sagaz.
-  O senhor tem hora marcada? Perguntou ela, exibindo um sorriso maior do que os peitos.
   Antes mesmo dele começar sua cantada, visando convence-la a deixa-lo entrar, ouviu:
-  Deixa pra la'! Eu te encaixo em apenas alguns minutos...
   Dito e feito! Em menos de quinze minutos Eusô Sagaz ja' estava sentado a frente do empresário.
-  Mike! O negocio e’ o seguinte: Eu tô duro, desempregado, não sei fazer porra nenhuma a não ser 
   conchavos, e preciso de tua ajuda para me eleger deputado federal... Disse ele, com a maior cara de 
   pau, ainda segurando na mão do anfitrião assim que o cumprimentara, antes mesmo de se sentar.
-  E porque devo te ajudar? Indagou Mike.
-  Porque, se eleito, tenho um esquema, de levantarmos legalmente, uma grana enorme. Enfatizou 
   Sagaz, com o sorriso de um vencedor.
-  E que esquema e esse? Posso saber?
-  Confia em mim! A única coisa que você vai ter que fazer e' abrir uma fabrica de placas de licença
   para veículos motorizados, com um chip embutido, e começar a divulgar teu produto e, se possível, 
   fazer negócios... E, o mais importante! Não se esqueça de patentear a ideia...
-  Vem cá! Você chega aqui, diz que ta duro, pede dinheiro e ainda me pede para abrir uma 
   industria... Você acha que eu sou maluco? Ponderou Mike.
-  Maluco você vai estar se abrir mão de ganhar mais de dois trilhões de reais... Disse Eusô Sagaz 
   com uma pose e convicção da qual ninguém jamais duvidaria.
   O empresário olhou para ele, abaixou a cabeça, tendo as mãos cruzadas `a frente dos lábios, olhou para seu novo conhecido e perguntou:
-  De quanto você precisa para se eleger?
-  Se eu tiver cinco milhões, te garanto que me elejo com uma expressiva votação  e assim sendo vou 
   ter respaldo no meu mandato. Comentou Eusô.
-  Vou ter que pensar. Você e muito louco! Não te conheço e você vem, do nada me pedindo uma 
   fortuna... Isso e muito doido... Tenho que pensar... Ponderou Mike.
-  Deixa eu te ajudar! Pensa assim: “Eu quero, e posso gastar 5 milhões em um bilhete de loteria e 
   arriscar a ganhar mais de dois trilhões? Dependendo da resposta, você me liga. Disse o candidato `a
   político para seu 
   novo amigo.
   A confiança daquele estranho era tão solida que o empresário ficou “balançado”. Não conseguia tirar aquelas cifras de sua cabeça.
   Naquela noite, Mike não conseguiu dormir... “O que será?” Pensava sem parar. “E ainda e' legal! O que será?” Virava de um lado para outro ao travesseiro sem conseguir esquecer as palavras daquele débil mental...
   Como empresário bem sucedido, acostumado a riscos calculados e seguindo sua intuição, no dia seguinte, assim que chegou ao escritório, pediu a sua secretaria, aquela loira com os peitos explodindo, para ligar para “aquele maluco de ontem”.
   Ao final da tarde, la' estava Sagaz, recebendo a contribuição que solicitara para financiar sua campanha eleitoral.
-  Eu devo estar maluco! Disse Mike, ao entregar o cheque.
-  Não meu amigo! Você ja' esta' trilionário, acredite!
   E' claro que Sagaz, com aquela grana toda, aliada `a sua conversa, amparado por sua aparência de galã de novelas, comprando votos a torto e a direita, fazendo conchavos com quem podia e não podia, com quem queria e não queria, foi eleito, tranquilamente, como líder de seu partido, ganhando o respeito e admiração de todos os que o viam aparecer do nada e conquistar aquela votação super-expressiva.
   Mike estava apreensivo. Soube que cara estava eleito mas, e dai? Sera' que ele  ia ver, pelo menos, sua grana de volta?
   Em menos de três meses, havia convencido todo o plenário e conseguido aprovar seu projeto...
   Havia conseguido convencer todos os deputados e senadores que as placas de veículos do país estavam completamente erradas. Não eram intuitivas...
   Em seu projeto, ja' transformado em lei, somente aguardando publicação no diário oficial, as placas de veículos coletivos, como ônibus e taxis, deveriam ser verdes, ao invés de vermelhas, pois significariam que todos poderiam entrar nesses veículos. São veículos para o público.
   Ja’ veículos particulares como automóveis e motos deveriam ter placas amarelas que lembrariam o ouro, como um tesouro particular (so' uma analogia que ele havia inventado para engabelar os colegas).
   Os caminhões e ônibus teriam placas azuis, porque circulariam sob os céus de todo país...
   E os veículos estaduais e de socorro, como ambulâncias e corpo de bombeiros, teriam placas brancas, ja' que deveriam estar sempre em missões de paz e ajuda coletiva.
   Além disso, todos os veículos do país deveriam ter sua placas de licenciamento com um chip nela embutido, o que facilitaria sua localização em caso de roubo, acidente, assim por diante. Só faltava agora encontrar uma empresa que estivesse capacitada a fornecer este tipo de equipamento... 
   Adivinha qual era a única empresa que ja' estava produzindo o tal equipamento...
   Pois e’! Ele Mesmo! Mike Santista, o cara que o havia financiado.
   Seis meses após o primeiro encontro, volta o agora deputado Eusô Sagaz ao escritório de Mike...
   Com o sorriso dos vencedores, sentava-se `a mesma poltrona, `a frente do empresario-financiador para lhe dar as boas novas:
-  Ja’ soube das noticias? Perguntou Sagaz.
-  Por alto mas, e de onde sai o dinheiro?
-  Seguinte: O país tem uma frota de aproximadamente 85 milhões de veículos. Todos serão 
   obrigados a trocar as placas. Cada placa nos da' um lucro mínimo de R$ 50,00, o que, com o tempo
   nos dará um lucro de 4,5 trilhões de reais, divididos por dois, quando da' para cada um?
   Ah! Adivinha qual e a única empresa que possui essa tecnologia em todo o território nacional?   
   Falava Sagaz com uma pose de quem parecia ser o dono do mundo. 
-  Mas isto ja' e' lei? perguntou Mike.
   Olhando para seu amigo, com um sorriso feliz de quem comeu a secretaria que ha' muito tempo perseguia, respondeu:
-  Ja'! Assim que for publicada no diário oficial, nos estaremos trilionários e, todas as placas de 
   veículos desta verdadeira multidão de otários serão; verde, amarela, azul e branca.








Copyright 3/2015 Eugenio Colin