quinta-feira, 14 de junho de 2018
PICASSO
Picasso
Arnudo Bichou, acabara de realizar o sonho de sua vida... Estava super feliz e agradecido `a sua esposa Marta Talco pelo nascimento de seu primogênito.
Amante das artes e, ao mesmo tempo talvez tentando vingar-se de seus pais, decidiu dar a seu filho o mesmo nome de um dos maiores pintores da humanidade, a quem admirava severamente...
Seu filho se chamaria Paulo Diego Francisco de Paula João Nepomuceno Maria dos Remédios Cipriano da Santíssima Trindade Mártir Patrício Luiz Clitóris e Picasso Bichou, tradução literal do nome do famoso pintor com apenas uma adaptação que, segundo ele parearia com a alcunha que definiu o pintor através dos tempos. O “Bichou” só entrou ali para dizer que o menino não era filho de chocadeira.
Após alguns anos, quando o garoto começou a frequentar a escola, alvo de maldosas gozações, percebeu que talvez, em sua vingança, tivesse cometido um erro maior e mais grave do que seus pais. Só esperava que, que a adaptação ao nome do pintor não se tornasse uma sugestão maleficamente profética, nem desse ideias a seu herdeiro de se tornar um hermafrodito.
Anos depois, sempre pensando no fato, andava um pouco mais tranquilo, depois que a terceira empregada doméstica se demitiu após relatar que o rapaz abriu a fechadura de seu quarto e, quando ela acordou assustada, viu o Picasso balançando `a sua frente já concluindo seu intento carnal que a embranqueceu com pavor...
“Dos males o menor!” Pensava Arnudo, toda vez que acertava as contas com a empregada, tentando se desculpar pelo filho quando, na realidade, estava era muito satisfeito... Pelo menos seu filho era macho e, reparando bem, quando as “moças” a ele davam as costas, até que o menino tinha bom gosto... Especialmente Ermengarda, a ultima a se demitir, não era de se jogar fora. Pensando bem, dava de dez a zero na Marta Talco, sua esposa. Sentiu foi uma certa inveja do menino ao pensar: “se fosse eu ela não escapava, nem que eu tivesse que dopar a mulata”...
Mas, o pior estava para vir...
Aos dezoito anos, ao iniciar o cursinho para o ENEM, seus colegas, mais maldosos, ao saberem de seu nome completo, esqueceram o “Picasso” e, por causa do penúltimo nome, o apelidaram de “Bichaldo”.
Ai o cara pulou... Embora na realidade, sabia ele, seus atributos físicos não fizessem jus a seu ultimo nome, ele não se importava... Ser chamado de Picasso era uma honra. Alem disso, ninguém nunca havia visto... Como poderiam desmentir ou apelida-lo que Piquinha?
Agora, “Bichaldo”? Era demais! Não podia tolerar tamanha ofensa...
Certo dia, ao saírem da aula, procurou Zé Melâncio para tomar satisfações... Tarde demais! A esta altura, todos os colegas sabiam que ele era o “Bichaldo”.
Xinga daqui, argumenta dali, nada! Mesmo que o Melâncio quisesse, nada poderia ser feito. A única solução cabível era seguir pelas vias físicas, ou seja, cobrir o cara de porrada... Dançou! O colega lutava Karatê e só não machucou mais o Bichaldo porque ficou com pena...
E agora? Se pelo menos o tivessem visto tomar banho e o apelidassem de Pintinho não seria tão humilhante...
Em sua mente, a única maneira de se vingar de Melâncio, metido a galã, era namorar a garota mais bonita do cursinho...
Por uma semana, Bichaldo, quer dizer, Picasso, prestou enorme atenção a todas as meninas. Não falava nada. Só butucava... Tomava em consideração altura, atributos físicos, desenvoltura, comportamento, som da voz, cor dos olhos... Enfim era como se fosse juri de um concurso de Miss Brasil...
Reservou o Sábado para o desempate entre as duas melhores qualificadas: Ingrid, uma loira alta, lábios finos, olhos azuis, nariz afilado e empinado, filha de Suecos, rica pra cacete, a notar pela maneira como se vestia, gestos sofisticados, fala pausada, vocabulário próprio e pensado... O tipo da garota que o Melâncio gostaria de namorar e, Maria Mujinha, uma mulata baiana, de olhos verdes, lábios grossos, cabelos pretos e lisos, nariz grosso e chato, aparentemente muito simples e pobre mas... olha! Mais bonita do que qualquer mulher do mundo, além de, obviamente, ao notar seu rebolado, que fazia com que as saias rodadas que sempre usava, se movessem de um lado para o outro, como aquelas havaianas dançando “hula”, gostosa pra cacete.
Mas a duvida persistia... O fato e' que, os olhos verdes da mulata não saiam da cabeça do Bichaldo, quer dizer, do Picasso mas, por outro lado, namorar a Ingrid significaria dar um tapa na cara do colega abusado.
Outro problema... Como iria se apresentar `as colegas? As aulas haviam apenas começado e os colegas ainda estavam se conhecendo, não havia tido tempo de muita interação entre eles. E’ claro que não poderia chegar para uma ou outra e dizer:
Ola! Sou o Bichaldo...
Ola! Sou o Picasso, pior ainda. Seria como fechar as portas do futuro para sempre.
Mas, o cara era esperto, apos pensar por algum tempo resolveu que um “encontro” casual seria a melhor opção... A escolhida receberia um encontrão na bunda, quando estivesse de costas para ele. O ato teria força suficiente para fazer com que a eleita deixasse cair todos os livros que abracava, sem, e' claro, machucar ou derrubar a “felizarda”.
Genial! Agora só faltava escolher quem.
Aquela duvida estava fazendo com que o Picasso ficasse com a cabeça dolorida.
Aqueles olhos verdes... Mas, por outro lado, namorar a Maria significaria abdicar da vingança para sempre e, talvez abrir o caminho para o seu desafeto... O Melâncio jamais chegaria perto de uma mulata... Ele era muito esnobe, ja' estava bem claro.
E’! Não tinha jeito... Tinha que namorar a branquela... Decidido!
No dia seguinte, logo `a entrada do cursinho, a oportunidade ideal se apresentou. Na hora em que mencionou entrar na porta da sala, Ingrid correu para entrar `a sua frente.
“E'” agora!” Pensou!
Assim que se preparou para o “ataque” recebeu uma porrada que o atirou longe da Ingrid, de seus pertences e, da porta da sala.
Ainda estava meio grogue, sem saber o que aconteceu quando viu bem `a sua frente um par de mãos delicadas, unhas vermelhas e bem manicuradas... Olhando um pouco mais acima pode ver aquele par de olhos verdes que rondavam seus sonhos por alguns dias e uma voz desgrenhada dizendo:
- Num si avexe não colega... Sô meia zangaralhada assim mesmo... Mi dexa ajudar!
Nosso amigo estendeu a mão, sem pensar... Quando, já de pé, perto da mulata, foi por ela abraçado, seu joelhos fraquejaram. Só não caiu ao chão porque Maria o segurava pela cintura... O coração do Picasso batia tao rápido que ele pensou que ia morrer ali mesmo...
“A Ingrid? Esquece a branquela, não troco essa baiana por nada na vida”... Pensou enquanto era paparicado pela colega.
Agora mesmo e' que o apelido pegou. O Bichaldo estava namorando a única mulata da classe mas, quer saber? O cara nem ligou, estava era feliz... Passaram a sentar juntos, se ajudar e destacarem entre os outros alunos...
Uma semana depois, Maria Mujinha o convidou para conhecer seus pais.
Picasso não era muito familiar com a cultura Baiana. No almoço, ao lado da nova namorada, comeu acaraje', vatapá e arroz doce de sobremesa... Adorou!
Resumindo a história... Picasso e Maria Mujinha nunca mais se separaram... Estudaram juntos. Se formaram juntos. Fundaram sua própria firma de arquitetura e se mudaram para uma cidade do interior de Minas Gerais onde continuaram a prosperar...
Anos mais tarde, quando se casaram, na noite de núpcias, Maria Mujinha confessou que se havia se apaixonado por ele, `a primeira vista e, como era muito tímida, bolou aquele esbarrão para que pudessem se aproximar.
Naquela mesma noite descobrira também, ja' que haviam feito um mutuo voto de castidade ate' o casamento, que seu agora marido, não fazia exatamente jus ao seu nome, ou apelido se preferirem mas, em compensação havia presenciado uma especie de “milagre dos peixes”... Acabara de ver algo muito pequeno se multiplicar em tamanho de uma tal maneira imponente que ate' ele mesmo, Picasso, se impressionara...
O fato e' que hoje, estava de saída, `as pressas para o Aeroporto da cidade, onde receberia seus pais e os de Mujinha, para que juntos comemorassem o nascimento da primeira filha dos dois...
E’ claro que havia aprendido a lição. Não queria saber de nomes como Bibinha, Cabrocha, Luluca, Periquita, Xana ou coisas parecidas...
Nada melhor que dar `a menina o nome de Maria, o mesmo nome da mãe, nome forte simples, nome da sua amada, sua esposa, mulher maravilhosa que soube, como ninguém, conquistar seu eterno amor, aquele que ela sempre teve em sua mente como o grande Picasso...
Copyright 9/2014 Eugenio Colin.
sexta-feira, 8 de junho de 2018
UNSUSPECTING MAN...
Unsuspecting Man...
The park bench was deserted as I sat down to read
Beneath the long, straggly branches of an old willow tree.
Disillusioned by life, with good reason to frown,
Since the world was intent on dragging me down.
And if that weren't bad enough to ruin my day,
A young boy out of breath approached, from his play.
He stood right before me with, his head tilted down
And said with excitement: "Look here what I found!"
In his hand was a flower, and what a pitiful sight,
With its petals all worn, without rain and no light.
Wanting him to take off dead flower and go play,
I faked a small smile and then, shifted away.
But instead of retreating he sat next to my side
placing the flower to his nose, overacted surprise,
"It sure smells pretty and it's beautiful, too.
That's why I picked it; and here, it's for you."
The weed before me was dying or dead.
Not vibrant colors, orange, yellow or red.
But I knew I must take it, or he might never leave.
I reached for the flower, and replied, "Just what I need."
But instead of him placing the flower in my hand,
He held it mid-air without reason or plan.
It was then that I noticed for the very first time
That weed-toting boy could not see: he was blind.
I heard my voice quiver, tears shone like the sun
As I thanked him for picking the very best one.
You're welcome," he smiled, and then ran to play,
Unaware of the impact he'd had done on my day.
I sat there and wondered how he managed to see
A self-pitying woman beneath an old willow tree.
How did he know of my self-indulged plight?
Perhaps from his heart, he'd been blessed with true sight.
Through the eyes of a blind child, at last I could see
The problem was not the world; the problem was me.
And for all of those times I myself had been blind,
I'd see beauty in life, thanking every second that's mine.
And then I held up that wilted flower to my nose
And breathed in the fragrance of a beautiful rose
And smiled as I watched that boy, weed in hand
About to change the life of an unsuspecting man.
Copyright 1/2018 Eugene Colin
quinta-feira, 31 de maio de 2018
UM PAÍS SÉRIO
Um País Sério.
No inicio do ano, com a finalidade de ajudar países que enfrentam problemas crônicos, o governo da Inglaterra criou a British Utmost National Development Agency ( BUNDA ). A ideia era que se conseguissem que estes países pudessem caminhar com as próprias pernas, parariam de pedir dinheiro emprestado, sabendo de antemão que não conseguiriam pagar esse eventual empréstimo, ja’ que, se tivessem o dinheiro para pagar a divida, não teriam necessidade de encher o saco dos que trabalham e são corretos.
Depois de uma inicial avaliação, descobriram que Malawi, Nigéria, Libéria, Burundi, Congo, Senegal, Venezuela, Bolívia, Colômbia se encontravam em situação caótica. Porém o que despertou mais atenção da BUNDA foi o “pepino” do Brasil.
Os Ingleses ficaram horrorizados ao saber que um pais de proporções gigantescas como o Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, com um mercado potencial de dois continentes vizinhos, onde não se produz nada além de cocaína e terrorismo, atravessava tantos problemas...
Normalmente, a causa de problemas econômicos de uma nação pode ser atribuída `a falta de matéria prima, falta de mão de obra adequada e qualificada, população escassa, falta de infraestrutura logística, falta de comunicação, entre outros aspectos de importância diminuída.
Uma delegação de dez agentes desembarcaram no Rio de Janeiro, justificando que entravam pela BUNDA, cracha’ que ostentavam orgulhosamente na lapela.
Um deles que falava Português, não gostou nada da brincadeira do agente da policia federal que gritou de dentro de seu guichê: “Você ai’, com a bunda no peito, pode vir”...
Dali se dividiram por alguns estados, onde colheriam dados em diversas áreas econômico-sociais locais.
Foram vários meses de pesquisas e estudos que culminou com uma reunião no Copacabana Palace, onde finalizariam seu relatório.
Brinc Adeira, diretor daquela delegação, constatou, por informações recebidas de seus colegas que o Brasil e' uma das maiores potências industriais do mundo. “Aqui se fabrica dede agulha ate’ locomotivas, navios e aeronaves”, informou um dos delegados.
- Aqui reside um dos maiores mercados potenciais do mundo. Este pais exporta para toda América Latina, alem da China, Estados Unidos, alguns países da Europa e vários da Africa. Informou outro delegado.
- A mão de obra brasileira e’ uma das melhores do mundo, pelo que pude observar...
Fechava o relatório de outro gringo que tinha ate’ um encontro para aquela noite
com uma mulata que trabalhava em uma fabrica de calcinhas e que, segundo ele,
deixaria as Inglesas branquelas morrendo de ódio, ao desfilar ao seu lado, de braços
dados, pelas ruas britânicas, exibindo aquele traseiro de fazer inveja `a qualquer
rainha de bateria de escola de samba carioca, se ela por acaso aceitasse seu
pedido de casamento antecipado, mesmo antes da trepadinha programada para aquela noite.
Dr. Brinc soube também, por outro agente, que o pais possuía matéria prima de
qualidade e quantidade invejável...
Depois de uma hora naquela reunião, onde só ouvira relatórios positivos a respeito do Brasil, sua cabeça começava a explodir... Não conseguia entender como um pais como este, com tudo a seu favor, não dava certo.
Resolveu mandar todo mundo de volta para a sede da BUNDA e decidiu ficar sozinho, pelo tempo necessário para desvendar aquele mistério que contraria todas as normas racionais.
Depois de ler todos os relatórios por mais de dez vezes, sem chegar a conclusão alguma, resolveu começar a estudar a politica e população do pais, seu caráter, sua interação social, sua educação, as relações familiares, entre vizinhos, patrão e empregados e assim por diante.
Depois de algum tempo, ficou evidente que a maioria da população não tinha instrução, vivera toda a vida em um raio de 50 quilômetros de onde nasceu, não tendo por esse motivo uma visão global... Que o governo mantinha, deliberadamente, a falta de estudo acessivel, a maioria das pessoas eram facilmente influenciadas pela mídia. Constatou que políticos eram corruptos e, se não fossem, não conseguiriam cumprir seu mandato.
Descobriu também que a maioria se “vendia” por alguns reais, que ninguém levava nada `a serio. Todo acontecimento, por mais grave e importante que fosse, era motivo de piadas e brincadeiras. Pode constatar que a maioria não dava importância ao trabalho, que seu trabalho não era motivo de orgulho, embora fosse capaz de desempenhar suas tarefas com precisão e desenvoltura.
Ficou óbvio, em suas observações que o governo manipulava a população facilmente, com propinas salariais, como 15 salários anuais, festas nacionais como carnaval e feriados santificados.
Após intensa interação, pode constatar que o único problema do Brasil era a falta de respeito.
Falta de respeito `as leis, ao transito, ao vizinho, `a constituição, ao patrão, ao empregado... Falta de respeito aos poderes públicos `aqueles que os elegeram, falta de respeito `a opinião publica, aos outros países, falta de respeito `a moral e aos costumes.
Em sua primeira reunião, apos voltar ao seu escritório em Londres, indagado pelos membros da delegação, chamou seu secretario e, `a frente dos outros membros, perguntou:
- O que você está vendo escrito naquela caixa grande, atrás da porta do escritório?
- PROBLEMAS CRÔNICOS - BUNDA. Respondeu o secretário.
- Então, por favor, enfia o relatório do Brasil na BUNDA. O país não tem solução.
Copyright 5/2018 Eugene Colin.
sexta-feira, 25 de maio de 2018
TORTINHO
Tortinho
Abrildo Neto, filho de Carlos Abrildo Filho, e neto do Antônio Carlos Abrildo, era o homem mais bonito do país.
Ja' havia sido publicado em todas as revistas destinadas `a mulheres que, como os homens, embora muitas não admitam, também gostam de ver homem pelado, ou quase...
Não tinha como ignorar sua presença, onde quer que ele estivesse... O cara tinha mais de um metro e noventa, “six-pack” impecável, cabelos negros, olhos azuis, sorriso de galã de novela das nove, uma voz grave e macia, uma conversa capaz de convencer qualquer um a comprar bilhete de loteria expirado, e uma educação capaz de fazer Lord Inglês parecer jogador de futebol...
Quando Abrildo passava, cabeça de mulher virava... Não tinha como...
Mas, apesar disso, inexplicavelmente, seu apelido era “Tortinho”. Ninguém entendia nada! Os mais íntimos, quando lhe perguntavam a origem do apelido, ele desconversava, dava uma desculpa esfarrapada como: “quando era criança me inclinava ao chupar sorvete” ou outra bobagem similar...
As namoradas, ou melhor, as pretendentes, ja' que nosso amigo, católico praticante, acreditava que so' devia namorar para casar, nada de trepadinhas inconsequentes que, eventualmente, podem trazer serias consequencias, nem se atreviam a perguntar a razão do apelido. Algumas ate' tentaram procurar por algo torto em sua fisionomia mas, nada... Tudo perfeito! O homem parecia um deus grego...
Um dia, quando se preparava para uma sessão fotográfica para a revista “Men’s Health”, uma moca se aproximou, apresentou-se como a fotografa responsável pelo trabalho e, quando ouviu seu apelido, como ele a si mesmo referia, ainda segurando sua mão profissionalmente, começou a procurar por algum defeito ou anomalia, que houvesse motivado aquele apelido. Que nada! O cara era perfeito... Apenas repetiu: “Tortinho?” Murmurando, quase que para si mesma: "Não entendi!"
Tudo acertado, começaram as fotos...
A cada posição, aprovada pelo piscar da câmera, a fotografa se repetia: “Tortinho?” Aquele apelido começava a assombra-la e aguçar sua curiosidade. Em um intervalo, puxando conversa, indagando pelo apelido, recebeu uma desculpa mais improvável ainda do que a do sorvete. Desta vez, disse que, quando menino, ficava inclinado ao andar de bicicleta. A moça, sorrido, apenas deixou escapar um sorriso sarcástico, como se estivesse dizendo: “me engana que eu gosto.”
Mais alguns minutos de descanso e, “de volta ao trabalho”... Posa daqui, fotografa dali, e toma foto... Gostosura, como era conhecida, que, diga-se de passagem era seu nome verdadeiro, estava pra la' do que feliz com o resultado daquela sessão fotográfica. Não so' estava o trabalho saindo melhor do que esperava, como também o cara era um, colírio para seus olhos de profissional super ocupada que não tinha tempo para dar uma trepadinha ha' mais de seis meses.
De repente, prestando mais atenção, percebeu que o dedo mindinho do pe' esquerdo era totalmente defeituoso. Alem de “acavalar” sobre seu “companheiro” mais próximo, era virado para cima. Assim que “desvendou” o mistério, sorrindo pensou triunfante: “Ah! Ali esta' a razão do apelido..."
Com tanta coisa grande pra olhar, a mulher foi reparar logo no menor pedaço de osso do corpo do cara... Faça me o favor!!!
Mais meia hora de excitamento e a sessão terminava...
Gostosura estava tão feliz que ate' convidou o “modelo” para jantar. Tinha certeza que aquela companha das cuecas “mostra pra mim” seria um tremendo sucesso.
Tortinho aceitou o convite, e’ claro! Afinal de contas, estava meio duro, quer dizer, sem dinheiro, como sempre. Quando a fotografa foi aquiescida pelo convite, percebeu que estava completamente molhada. Não pelo suor, ja' que a temperatura no interior do estúdio, onde a sessão acabara de findar, estava mais frio do que nariz de Nova Iorquino passeando no Central Park em dia de inverno.
Educadamente, pediu licença para “retocar a maquiagem” antes de seguirem para o restaurante, quando na realidade o que queria mesmo era tentar “estancar” um pouco de seus “planos” que antecipadamente não paravam de escorrer de sua “memória”.
Resolvido o problema, pelo menos temporariamente, seguiram conversando animadamente...
Conversa vai, conversa vem, come daqui, bebe dali e pumba... Gostosura tascou o convite na cara do bonitão: “ Me acompanha ate' minha casa?”
Adivinha se o cara aceitou?
Primeiro; Gostosura fazia jus ao nome. Segundo; Abrildo ja' estava de “jejum” por algum tempo. Terceiro; ja' estava cansado de ver filme pornô toda noite. Quarto; `aquela altura havia ate' esquecido, pelo menos temporariamente, que havia prometido a si mesmo so' trepar depois de casado. Afinal, ninguém e' de ferro e, aquela mulher era um pedaço de mal caminho, como dizia sua avo'... Pelo menos teria uma chance de ser protagonista pelo menos uma vez.
Combinado e feito... Depois do jantar, seguiram felizes para o apartamento de anfitriã.
Agora, enquanto a moca, exultantemente se trocava, foi a vez de Tortinho pedir licença para “retocar sua maquiagem”... No meio de sua “preparativa", havia ate' esquecido, pelo menos temporariamente que havia prometido a si mesmo so' trepar depois de casado. Afinal, ninguém e' de ferro e aquela mulher era um pedaço de mal caminho, como dizia sua avo', quando Gostosura indagou se ele tinha preferência por algum lado da cama.
Tortinho, tentando ser educado, sem querer gritar sua resposta, entreabriu a porta do banheiro para enformar que não se importava.
Ao olhar para o companheiro, ao som de sua resposta, pode ver pelo entre-aberto da porta do banheiro que seu companheiro eventual olhava para ela enquanto fazia xixi. Seu primeiro instinto foi pensar: “Porra, esse cara vai mijar minha parede toda. Como e’ que ele pode acetar no vaso estando de lado para o dito?”
Assim que Abrildo deixou o banheiro, la’ foi ela, desta vez para verificar o “estrago” perpetrado pelo parceiro... Olha daqui, examina dali e, nada! Tudo perfeito... O local estava ate’ cheiroso, sinal de que o moço não tinha nem peidado.
Agora e’ que ela estava realmente encucada. Como era possível para um homem mijar de lado para o vaso? Deixa pra la’! Pensou ela... Tinha coisas mais importantes para pensar `aquele momento.
Deitou ao lado do companheiro que, em baixo do lençol, por ela ja’ esperava e começou a alizar seu convidado que reciprocava os carinhos. O cara era realmente um Adônis. Corpo perfeito... “Um tezão!” Pensou ela. Quase que instintivamente, começou a passar a mão nas pernas do cavalheiro, tentando encontrar o que não saia de sua mente desde que viu, através da lente de sua câmera, aquele volume tentador, coberto desde a primeira cueca que havia usado naquela sessão fotografado.
- Do outo lado! Disse Abrildo.
Gostosura não entendeu nada. Um pouco assustada, apreensiva, curiosa, virou-se para o lado, procurando por algo que não sabia o que era, ou talvez, por sua empolgação não havia percebido acontecer... Não vendo nada, perguntou ao companheiro:
- Você que que eu mude de lado da cama?
- Não! Esta' bom assim! So’ disse para você passar a mão do outro lado, por cima da outra perna...
Intrigada, ela levantou o lençol e, para seu espanto, encontrando o que queria, pode constatar que se tratava de um belo espécime, como um pepino em banca de legumes, aquele que certamente e’ o mais disputado pelas freguesas em dia de compras. Mas, ao invés de apontar para cima, cada vez mais crescia para o lado oposto ao que a moca se encontrava...
E’ claro que `aquela altura com campeonato, não era hora de ser exigente ou perfeccionista... Era torto mas, com certeza, com jeitinho, seria capaz de fazer o “estrago” que ela estava esperando...
No auge de sua satisfação, aproveitando aquele momento tão sonhado, não pode evitar o pensamento que, como uma voz interior, com um sorriso maldoso sussurrava aos seus ouvidos:
- Agora sim! Finalmente descobri porque te chamam “Tortinho”.
Copyright 5/2015 Eugenio Colin
Copyright 5/2015 Eugenio Colin
sexta-feira, 18 de maio de 2018
PER SEMPRE
Per sempre...
Poco tempo ancora è passato...
e, nella mia mente nulla ho dimenticato
si dice che il tempo cancelli i ricordi
o almeno li renda velati,
ma quello che tra noi c'è stato
niente e nessuno cancellare potrà mai,
i tuoi occhi, il tuo sorriso,
il tuo amore vero,
i giorni con te passati,
uno squarcio mi si è aperto nel cuore
una ferita che porterò dentro
e con essa un gran dolore,
tutto mi riporta a te
tutto mi parla di te,
vorrei che capissi i miei silenzi
e poter riuscire a farti guardare il vuoto che ho dentro,
l'orgoglio, l'odio, ci ha rovinto,
io non ti ho mai tradita,
e nemmeno il pensiero ho sfiorato
ti avevo giurato con te o con nessuna
ti sembrerà strano, forse non crederai
un giorno mi auguro di reincontrarti
e coi tuoi occhi guarderai
che quest'uomo, il giuramento ha mantenuto
nonostante tu non mi hai creduto,
e mentre scrivo
la gola è stretta in una morsa, mi attanaglia,
stringe forte, fino a togliere il fiato,
vago senza una meta
i miei occhi ormai spenti
non godranno mai più della tua luce,
queste parole son dettate dal cuore
non dalla mente,
che ormai spenta
nulla immagina, nulla pensa,
ma tutto è fatto ormai
e queste, lo so bene,
sono parole che non leggerai mai
ti amerò per sempre.
Copyright 1/ 2001 Eugene Colin.
sexta-feira, 11 de maio de 2018
MOTHER'S DAY
Mother's Day
When her mother, Ann Reeves died in 1905, Jarvis Reeves organized the first observance of Mother's Day at the Andrews Methodist Episcopal Church in Grafton, and later in Philadelphia, Pennsylvania.
She chose the second Sunday in May because it was the closest to her mother's death. The white carnation, Reeves' favorite flower, became the holiday's symbol.
Jarvis had no kids of her own but had a singular understanding of what Mother's Day should mean. For her, it was a day for children to visit their mothers at home and to remember the sacrifices that they had made.
She begun a letter-writing campaign, reaching out to anyone she thought could help to promulgate the idea.
She wrote to president Roosevelt, Mark Twain, to every state governor, every single year.
By 1914, when most states had already recognized the day, locally, the US congress passed a law designating Mother's Day a national holiday. One day later, president Woodrow Wilson issued an official proclamation.
Today, over 90 countries celebrate Mother's Day on the second Sunday of May. Many other countries celebrate in some different dates.
So, for you that are a mother, for you, that are about to become a mother, for the young ladies who one day will be a mother and even to some guys that became mothers for absolutely no other option, exercising his feminine side, here's my simple thoughts...
The things I never told you I'd like to tell you now;
Of feelings held contentedly in my heart, somehow;
Of thoughts and dreams, wants, and happiness too;
A Mother's prayer to finally share with you...
Lord, govern their lives as you have mine,
Touch them with Your sweet divine,
Make them happy, guide their paths,
Tickle their funny bones, let me hear their laughs.
Dry the tears sliding down their faces,
Hold their hands when the love heart races,
Make them stand tall when the burdens are great,
Prepare them to carry the loads of fate.
Heal the hurts and sufferings of the spirit,
Make them listen until they hear it;
That sweet song of yours that will touch their soul
And carry them forward until they are old.
Lord, let them see the meaning of life,
Protect them from the evils of strife,
Gently guide them in the path of your ways,
I pray, Lord, I pray for them everyday.
I know, Lord, that I fell short many times;
In my guidance as "Mom" there were crimes,
Times that I failed to help them see
The beauty that you have bestowed around me.
Take their hands and lead them forward
Give them strength to avoid the coward
And evil ones that lurk about
Waiting` to swallow them up and shout
The conquest of their gentle soul
Provide them the coin to pass the toll.
Please make things right, Lord, once again
To help them to see the meaning of friend
And loved ones that hold them close to the heart
With a Mother that loves them, since the start.
Happy Mother's Day...
Copyright 5/2018 Eugene Colin
quinta-feira, 3 de maio de 2018
O RABINO
Parecia que o encontro da Comissão de Combate `a Intolerância Religiosa (CCIR) seria um sucesso absoluto. Assim era o que esperavam os responsáveis por sua realização `aquele ano.
Pela primeira vez, representantes de mais de vinte diferentes religiões estavam reunidos. Depois do café da manha todos se dirigiram ao centro de convenções da igreja para primeiras apresentações, confraternização entre os representantes e inicio dos trabalhos.
O juiz provedor da Igreja falou de esperança por dias melhores. “Esta fé tem que ser construída como o alicerce de uma casa. Espero que saiamos alegres por termos unido todos que, à sua maneira, tenham fé”. Seguindo o mesmo raciocínio, o pastor anglicano disse acreditar que estamos convergindo para uma liberdade individual de credo. “Religião significa religar ao sagrado, aquilo que é luminoso, sobrenatural. É uma alegria ver que somos de várias religiões, mas estamos falando sobre a mesma coisa”, proferiu.
Tudo corria como previamente planejado. Apesar de divergências profundas na maneira pela qual encaram a religião, aparentemente o respeito era a palavra de ordem daquele dia.
Ao termino dos trabalhos iniciais, e para encerrar aquele primeiro dia do encontro, um almoço de confraternizacao estava preparado... Cada representante de cada religião tinha seu lugar `a mesa previamente demarcado, possivelmente de propósito colocando sempre, lado a lado duas religiões que mais se antagonizavam em suas crenças...
Ao sentarem, cada um olhando para o outro com uma cara meia desconfiada, encontraram-se lado a lado um padre católico e um rabino.
O padre olhava para o rabino com um olhar de gozador, com uma atitude meia superior mas, mesmo assim, conversavam amigavelmente... Descobriram, em meio `a baboseira que propositadamente conversavam, tentando evitar um “confronto religioso” que o padre torcia pelo flamengo e que o rabino era torcedor do botafogo... Ai o padre se sentiu mais poderoso ainda, e começou a gozação...
A única coisa que o rabino conseguia dizer em sua defesa e, por extensão de seu time, era que o flamengo tinha o time mais feio do brasil, verdade incontestável, concordou o padre.
Depois do vinho, o almoço, que mais parecia um banquete, por sua enorme variedade de carnes e saladas, começou a ser servido
O padre, propositadamente querendo gozar o rabino, enche o prato com pedaços de um suculento leitão e, dirigindo-se ao rabino diz:
- Posso lhe servir algumas fatias deste maravilhoso leitão?
O rabino recusa dizendo:
- Muito obrigado mas, não sabe que em minha religião não e’ permitido comer carne de porco?
- Nossa! Que religião esquisita... Comer leitão e’ uma delicia... Comentou o padre, ironicamente.
A confraternizacao continua e, aparentemente, apenas o padre instigava seu colega que, a esta altura ja’ estava quase lamentando sua falta de sorte.
Ao final do almoço, ao se despedir, o rabino diz ao padre:
- Mande minhas recomendações `a sua mulher...
- Minha mulher? Não sabe que a minha religião não permite casamento de sacerdotes? Responde o padre, horrorizado.
- Nooossa! Que religião esquisita! Comer mulher é uma delícia !!!....Mas, se você prefere leitão... Responde o rabino..
Copyright 1/2011 Eugene Colin
Assinar:
Postagens (Atom)