sexta-feira, 9 de março de 2018

PINTO MORTO









                                                              Pinto Morto








   Tiers estava realmente exausto...
   A industria de sutiãs e calcinhas que, juntamente com o irmão, havia herdado de seu pai havia se tornado em uma enorme multinacional com fabricas em vários países da América do Sul, Europa e Asia.
   Tinha acabado de contratar um gerente para ocupar o seu lugar e, antes de assumir sua nova posição como Diretor Internacional, resolvera tirar um mês de ferias, o que não acontecia desde que, assustado, havia voltado do Japão com certeza absoluta que o representante maior de sua virilidade iria se desprender de seu corpo, como havia enfatizado Dr. Taka Noku, o especialista que havia consultado a respeito de uma protuberância anomálica que um dia notou em seu pênis.
   Foram meses e mais meses fazendo xixi sentado no vaso, com seu membro na mão para que, quando caísse, não o perdesse para sempre e pudesse embalsama-lo, guardando como um troféu, recordação de dias gloriosos que jamais seriam revividos.
   Com o tempo, muitos meses depois, começava a chegar a conclusão que o especialista podia estar equivocado. Seu membro, aparentemente, estava normal, não doía, aquela protuberância havia desaparecido e não sentia nenhum sintoma.
   A única coisa que não queria em sua vida era outra mulher. Havia decidido que se so’ usasse seu pinto apenas para fazer xixi, não correria o risco de perde-lo. De vez em quando podia ete’, talvez, “acaricia-lo” um pouco... Como, quem sabe, um premio de consolação por sua abstinência...
   O fato e’ que, para ele, depois daquela experiência, so’ o trabalho interessava. As funcionarias da fabrica onde trabalhava começaram ate’ a comentar que ele era homossexual o que, nem de leve, o incomodava. Melhor ainda! Pelo menos elas o deixariam em paz.
   O dilema de Tiers agora era muito diferente... Onde tirar ferias? Conhecia toda a Europa. Estados Unidos, nem se fala. E’ claro que não seria maluco de visitar o Oriente Médio. China ou Japão lhe traziam tristes recordações reminiscentes do tempo em que la’ andou procurando cura para a doença que afinal de contas, aparentemente, não tinha. Estava cansado de viajar pelo Brasil. Conhecia tudo...
   “O melhor mesmo e’ ficar um mês em casa pra aquietar.” Pensou... Pra aquietar? Pá quieta’? Paqueta’?... Isso mesmo! Nunca havia visitado a Ilha de Paqueta’, bem ali, debaixo de seu nariz... E’ bem verdade que viver um mês em uma Ilha que se pode visitar em meia hora ia ser difícil mas, quem sabe, ficar la’ uns três dias, relaxando na praia, tomando água de coco, cocando o saco... Talvez não fosse uma ma’ ideia.
   Resolvido! Três dias em Paqueta’ e voltaria para casa, bronzeado e feliz, alem de economizar uma grana filha da puta.
   O interessante e’ que desde de sua excursão pelo mundo, tentando salvar seu membro, Tiers havia se tornado extremamente frugal. Um dia, na praia de Copacabana, havia reclamado a um vendedor que cinco reais por um cachorro quente era um absurdo. Disse que podia comprar um quilo de salsichas por três. Tinha ate’ vendido seu BMW e comprado um Fusca. E’ bem verdade que havia pago uma fortuna pelo Fusca, ja’ que era quase novo mas, agora andava de Fusca, o que também tinha um efeito psicológico muito positivo, principalmente com os funcionários da fabrica.
   Quando disse a seu irmão que iria tirar ferias em Paqueta’, este perguntou; “Paqueta’ a Ilha? Na Baia da Guanabara?” Pensando que seu irmão estava se referindo a algum local exótico em uma Ilha sabe-se la’ onde, no meio de que...
   Tiers morava em um apartamento de cobertura na Vieira Souto. So’ ele e a cozinheira, Dona Carlota, uma senhora de sessenta anos. Era mais seguro do que ter uma faxineira e uma empregada com trinta anos cada uma.
   Arrumou uma pequena mala, um monte de shorts, muitas camisetas, três camisas, uma calca e uma sandália, nem tomou cafe’ e, assim que o sol nasceu, la’ se foi ao encontro do paraíso perdido na Baia da Guanabara.
   Quando chegou `a estação das barcas estava com fome mas, acabara de ouvir a campainha, primeiro sinal de que a lancha estava prestes a sair. A próxima so’ daqui a uma hora. Correu e conseguiu embarcar.
   Na viagem, atraído pela paisagem maravilhosa do Corcovado que da lancha vislumbrava, pensava porque as pessoas dão sempre mais valor ao que esta’ fora de seu alcance. Ele mesmo, agora envergonhado, lembrava que nunca havia tido tempo para aquela viagem mas sempre conseguia espremer excursões Europeias em seu calendário.
   Ao chegar em Paqueta’ procurava por um bar, na estação das barcas para, pelo menos, tomar um cafe’. Talvez ate’ resolver onde iria se hospedar. Na verdade, nem sabia se existia algum hotel na Ilha... Talvez uma pousada...
   Quase deixando a estação , que não tinha nem água para beber, ja’ na calcada da praça, viu um carrinho onde estava escrito na lateral, "uma refeição completa"...
 Sera’ que e’ seguro comer isso? Pensou, olhando para uns bolinhos, dentro de uma
   forma, que mais parecia uma barca... Sera’ que isso e’ bom?
   Mas, `aquela altura, a fome era maior do que a preocupação com segurança de sua saúde. Assim sendo, chamou por uma moca, de costas para o carrinho perguntando:
 A senhora e’ a vendedora aqui?
 Sou! Ouviu em resposta...
   “O que esta mulher maravilhosa esta’ fazendo aqui, vendendo bolinhos? Deveria estar desfilando como modelo... Se eu a tivesse usado como modelo, tenho certeza que venderia muito mais calcinha ou sutiã ou qualquer outra coisa em que ela estivesse dentro...” Pensou, ao reparar o rosto e a silhueta da vendedora.
   Pegou seu bolinho, pagou, agradeceu e saiu comendo...
   Na segunda dentada, resolveu voltar. Chegou perto da vendedora e falou:
 Puxa! Isso e’ muito gostoso... Me da’ mais um, por favor...
   Olhou mais uma vez para a moca que para ele sorria, como se estivesse dizendo: “Gostou ne’!”
   Desta vez, ao invés de andar, pediu um suco de laranja que ela também vendia e sentou-se em um banco, ali perto, para melhor poder saborear sua primeira refeição do dia.
   Comia distraído, ainda prestando atenção `aquela mulher, tão linda, ali “perdida”.
   Estava quase acabando seu segundo bolinho quando, de repente, como um flash back instantâneo, espontaneamente gritou: “Olinda?”
   A moca arregalou os olhos... Nunca ninguém a havia reconhecido desde que resolvera se “aposentar”.
   Olhou bem para aquele homem... Era muito novo para ter sido um de seus “clientes” mas, a voz, o rosto... Eram realmente familiares...
-  Como você pode se esquecer de mim? Disse ele.
-  Tiers? Disse Olinda, tentando, a todo custo, conter sua emoção ...
   Ele não exitou. Aproximou-se dela, abracando e beijando carinhosamente aquela a quem alguns anos atrás pedira em casamento.
-  O que você esta’ fazendo aqui? Perguntou Tiers.
-  Eu moro na Ilha. Vem! Vamos ate’ em casa e eu te conto tudo...
-  Mas, você esta’ trabalhando... Não vou te atrapalhar? Disse Tiers.
-  Não! Vamos... Disse Olinda enquanto guardava tudo e fechava o carrinho.
   Tiers colocou a mala sobre ele e começou a empurra-lo, em direção a casa de sua amiga.
   Sem saber porque, Olinda não conseguia esconder as lagrimas que vagarosa e delicadamente rolavam por sua face.
   Ele ficou calado ao perceber, respeitando aquele momento intimo.
   Em menos de dez minutos, por entre atalhos bucólicos, estavam na porta da casa de Olinda, na Praia da Moreninha. Ela abriu o portão, guardou o carrinho e convidou Tiers a subir.
   A escadaria era longa. Os dois subiram calados. Ao chegar `a varanda da casa e se voltar para a praia, não pode conter sua admiração : “Que maravilha!” Exclamou.
   Virou-se para Olinda que, de cabeça baixa, ainda com lagrimas em seu rosto encostava em uma parede da varanda, calada...
-  Esta’ tudo bem? Estou te aborrecendo? Perguntou, com uma voz terna e carinhosa.
-  Não! Eu so’ estou envergonhada. Respondeu Olinda.
-  Envergonhada de que? Não vai dizer que me vendeu bolinho velho...
   Olinda sorriu, tentando se descontrair, limpando o rosto.
-  Vem! Senta aqui! Me conta tudo! Desde a ultima vez em que nos encontramos...
   O relato foi longo e emotivo... Começou por sua infância, relatou sobre seu namorado que a “vendera” a um conhecido para pagar uma divida, falou sobre a tristeza de ter perdido os pais em um acidente de carro, a solidão de viver sozinha, sem amigos, a crueldade de muitas pessoas que cruzaram seu caminho...Explicou sobre uma serie de infortúnios ate‘ culminar com o episodio do atentado a um jovem de quem a vida salvara... Relatou como conheceu a Praia da Moreninha, após ter lido um romance ali encenado, o sacrifício que foi comprar aquele pedaço de paraíso...  Por horas a ouvia com atenção, vez por outra arrumando os cabelos de Olinda que delicadamente caiam sobre seu rosto.
   O mesmo carinho, a mesma atenção , a mesma delicadeza que ela rejeitara, que poderia ter sido parte permanente se sua vida ali estavam novamente, ao seu encalço. Ha’ muito tempo Olinda não vivia momentos tão ternos, cheios de emoção ... Que contraste com os últimos dias em que, nas ruas do Rio de Janeiro, procurava por quem pudesse pagar mais por sua companhia rigorosamente cronometrada. Ou mesmo comparado com o marasmo que seus dias haviam se tornado.
   E’ verdade que estava segura, em paz mas, era como se estivesse deixando sua vida passar por ela, carrega-la, ao invés de vive-la.

   Tiers ouvia tudo atentamente, sem dizer uma palavra. Quando ela se calou, ainda consternada, segurando sua mão convidou-a para almoçar no Rio, ou em seu local preferido naquela Ilha encantadora.
-  Que tal se eu cozinhar para nos? Disse Olinda.
 - Melhor ainda! Respondeu Tiers, que havia denotado muita emoção e ansiedade em
   Olinda enquanto conversavam... Queria lhe dar tempo para relaxar, descontrair,
   poder  respirar aliviada, tomar consciência que aquilo tudo ja’ fazia parte do passado,
   fato que, talvez ela ainda não tivesse se dado conta.
-  Quer que eu compre alguma coisa para você preparar? Indagou Tiers.
-  Abre esta porta atrás de você e da’ uma olhada. Instruiu Olinda.
   Ao olhar para o lado de fora, pela porta da cozinha, pode observar um terreno que subia a encosta do morro, parecendo não ter mais fim. No ponto mais alto que sua vista conseguia alcançar, um jardim Japonês com centenas de plantas e flores de cores harmoniosas. Uma escada em pedras que, la’ de cima, terminava no final de uma área gramada, ao lado de uma horta repleta dos mais diversos tipos de legumes e verduras... O perfume das hortaliças, e especiarias misturando-se com o cheiro de jasmim e outras flores davam `aquele local uma fragrância que dificilmente seria esquecida.
   Tiers estava perplexo. Sabia que Olinda vivera uma vida cruel mas, voltar diariamente para aquele local, certamente teria um efeito catalizador, capaz de redimir qualquer “pecado”.
   Estava imóvel. So’ poder olhar tudo aquilo, sentir aquele perfume valia mais do que um mês de ferias em qualquer parte do mundo...
   Olinda, orgulhosa, vagarosamente chegou a seu lado, com cuidado para não tira-lo do transe em que momentaneamente vivia.
-  Bem vindo ao meu mundo particular... Disse ela, de bracos cruzados, com um sorriso
   quase imperceptível, com o rosto ainda marcado pelas trilhas das lagrimas que
   espaçadamente insistiam em abrir novos caminhos como se estivessem tentando
   leva-la a de volta um passado não muito distante.
-  Olinda! Isto e’ uma maravilha... Nunca vi nada como isto... Não consigo sair daqui...
-  Obrigado! Vem, vamos escolher o que comer... Disse ela, pegando Tiers pela mão e
   o conduzindo em direção `a horta.
   Enquanto Olinda cozinhava, com um cálice de vinho `a mão, Tiers a observava a uma distancia discreta. Sem muita maquiagem, parecia um pouco mais velha. Suaves rugas cicatrizavam seu rosto, compondo uma beleza indescritível. Quantos anos deveria ter agora? Pensava... Talvez trinta e cinco? Seu corpo parece estar melhor do que sua lembrança fotografara... Os cabelos dessarrumados lhe davam uma beleza incrível. A voz que ouvia, vez por outra, indagando algo ou pedindo que lhe passasse isto ou aquilo, era de uma suavidade musical acolhedora... Uma mulher perfeita... “Agora me lembro porque me apaixonei por ela” Pensou...
   Tiers estava quieto. Muito pensativo para o conforto de Olinda...
 - O que houve? Você esta’ tão calado... Disse Ela.
 - Muita coisa ao mesmo tempo... Te encontrar assim, inesperadamente...
 - A quanto tempo você mora aqui?
 - Uns cinco anos... Quando comprei a casa, estava meio abandonada. Aos poucos a
   restaurei ao projeto inicial, depois construí o jardim, a horta... Nos finais de semana
   aqui ficava, reclusa, tentando esquecer, fingindo ser uma pessoa completamente
   diferente daquela que “passeava” pela Cinelândia.

   A mesa rustica que ocupava a pequena sala de jantar estava caprichosamente decorada. A simplicidade daquela casa dava ao ambiente um toque de sofisticação difícil de igualar.
   Aos poucos, conversando sobre amenidades durante o almoço, Olinda começou a se descontrair, havia ate’ sorrido algumas vezes ao ouvir a historia da saga penilica pela qual seu convidado havia passado `a procura da cura para um problema que, na realidade, não existia.
   Ao som de Miles Davis, Oscar Peterson e outros mestres do Jazz,  a noite encontrava   os velhos conhecidos que ainda trocavam confidências sentados `a varanda, tendo a praia da Moreninha como paisagem principal.
- Quais são seus planos, esqueci de perguntar... O que esta’ fazendo aqui? Disse Olinda.
  A DuAssiens cresceu muito. Assumi o cargo de Diretor Internacional e antes de
começar a viajar pelas fabricas resolvi tirar alguns dias de ferias...
-  E veio para em Paqueta'? Disse Olinda.
-  Você sabe que esta e’ a primeira vez que venho aqui?
-  Esta' arrependido... Pela surpresa? Indagou Olinda.
-  Sabe? Agora pensando bem... Ainda não consigo entender porque você não quis
   casar comigo... Sempre achei que você gostava de mim...
 - Eu me sentia suja. Não era digna... Alem do mais você era tão jovem... Antes de
   pensar em romance, de amar alguém, teria que me redimir, me livrar dos pecados,
   ser digna...
 - E agora? Perguntou Tiers.
 - E agora o que? Disse Olinda.
 - E agora, ja' se redimiu! E agora, ja' se livrou dos pecados! E agora, ainda sou muito
   jovem! E agora, você casa comigo?
   Olinda levantou a cabeça espontaneamente assustada, arregalando os olhos e disse:
-  O que?
-  Você não tem namorada? Ou gosta de alguém? Perguntou Olinda.
 - Tive muitas namoradas, centenas de namoradas... Mas depois da minha luta pela
   manutenção do meu xara' aqui, nunca mais tive ninguém. Me cansei de aventuras,
   cheguei a conclusão que minha adolescência havia terminado havia muitos anos.
   Sabe? Depois daquele dia que você de deixou na Cinelândia, meu coração aos
   poucos enrijeceu... Por um lado, gostava de você, da tua companhia, gentileza,
   carinho, atenção , mas tinha medo que alguém me reconhecesse a teu lado e te
   causasse problemas. Disse Olinda.
   Sentados juntos, Tiers ainda “brincando” com fios de cabelos de Olinda entre seus dedos, a puxou delicadamente para perto, segurou seu rosto e a beijou amorosamente. Ela nem lembrava da sensação de um beijo. No pouco tempo em que se conheceram no passado, nunca haviam trocado um beijo.
   Sentimentos novos começaram a invadir seu corpo, sensações que nem lembrava existir a dominavam, sua mente urgia por carinho, desejo de possuir um homem, como jamais havia tido oportunidade, iniciar um contato, dominar alguém, se entregar, ao invés de fingir... Gritar de prazer, ao invés de chorar de dor. Seu primeiro namorado era machista, a usava para sua própria satisfação , ignorava o que ela sentia. O amor que iludia seus pensamentos estava apenas em sua mente, não na realidade daquele primeiro relacionamento de menina.
   Em poucos minutos percebeu que  as ideias que fazia de Tiers eram completamente diferentes. Se `aquela época soubesse que iria experimentar todas estas sensações, certamente não teria sido tão fácil se separar dele.
   A noite de amor foi intercalada por pequenos cochilos esporádicos...

   Os primeiros raios de sol refletidos nas águas da Baia da Guanabara feriam delicadamente aqueles olhos mal dormidos, saciados e satisfeitos...
-  Vem! Deixa eu preparar um cafe’ para nos... Disse Olinda, levantando sua “presa” pela mão...
 - Eu quero aqueles bolinhos de ontem... Disse Tiers, abracando o corpo semi nu de
   seu antigo amor, pelas costas, fechando o roupão ainda aberto que mal a cobria.
   Apos ao desjejum, decidiram ir `a praia que desde o dia anterior ele admirava. Ali perderam a manha inteira, descontraídos, felizes, interrogativos...

   A mesma rotina do dia anterior se repetia. Tiers adorava estar na cozinha, ao lado de sua companheira. Não sabia cozinhar e, talvez por isso mesmo, admirasse tanto a destreza, riqueza de movimentos de um lado para o outro, aqui e ali, abrindo portas de armários, deitando especiarias em panelas semi abertas, regadas ao vinho, azeite, leite de coco...
-  Tive uma ideia! Me diz o que você acha... Disse Tiers, enquanto relaxados, sentados
   `a varanda com as pernas esticadas ainda saboreavam o paladar do almoço, que
    recalcitrantemente permanecia em suas bocas...
 - Vamos viver aqui! Trabalho de segunda a quinta... Quando tiver que viajar você me
   acompanha... Em reuniões de negócios, nada melhor do que uma esposa para
   transmitir confiança e responsabilidade. Afirmou Tiers.
   Olinda olhava para ele, contrita, pensativa...
 - Vamos ate' o apartamento de meu irmão amanhã. A esposa dele te ajuda com os
   preparativos para o casamento. Ainda tenho um mês para nossa lua de mel, aqui
   mesmo, se você não se importar.
 - E sua casa? Onde você mora? Perguntou Olinda.
 - Em Ipanema, na Vieira Souto... Poderíamos morar la', se você preferir... Disse Tiers.
-  Sabe? Em um dia tive mais emoções, carinho, amor do que em toda minha vida...
   Tenho medo... Confessou Olinda.
 - Meu amor! Eu penso que nossa vida e' como uma estrada. Quando nascemos
   estamos no ponto de partida. `A medida em que por ela caminhamos encontramos 
   desvios, alguns deles, depois de algum tempo voltam `a mesma estrada, outros nos
   conduzem ate' o abismo. Ao entrarmos em qualquer destes desvios não sabemos
   antecipadamente ate' onde seremos levados mas, temos sempre a opção de
   voltarmos e buscar outro caminho se, daquele no qual estamos avistarmos o
   precipício. Você percorreu o seu caminho. Resolveu parar, refletir, se purificar, como
   você mesma disse, antes de continuar. Esta e’ a segunda vezes que nossos
   caminhos se cruzam... Por acidente, ou por destino, ou por coincidência... Podemos
   ignorar tudo e seguirmos atalhos separados ou, podemos juntar nossas mãos e
   percorrermos juntos o resto da estrada a nos destinada. A decisão e’ nossa.
   Ninguém nos obriga, ninguém nos impõe. Se o que experimentamos nos agrada,
   devemos repetir... Você me agrada, quero te repetir sempre, dia apos dia... Quero
   poder segurar tua mão e agradecer a Deus pela oportunidade de ter te encontrado...
   Duas vezes...
   Olinda levantou, vagarosamente caminhou ate' a sacada da varanda, olhou para Tiers, correu em sua direção, sentou-se a seu colo e o cobriu de beijos sem deixa-lo respirar...
-  Armand, meu irmão! A Estela esta’ ai?
-  Tiers? Respondeu Armand, ao atender o telefone. Onde você esta’? Finalizou...
-  Presta bem atenção... Disse Tiers. Amanha vamos nos encontrar para ela ajudar
   Olinda a organizar nosso casamento...
-  Quem e’ Olinda? Que casamento? Respondeu Armand.
-  Olinda e’ minha noiva. Vamos nos casar...
-  Tiers, você não tem nem namorada... Lembrou Armand.
-  Eu sei! Encontrei ela ontem...
-  Seu maluco! Você vai casar com uma mulher que conhece ha' um dia?
-  Não! Ha' muito tempo. Depois eu explico.
-  Mas teu pinto só serve pra fazer xixi. Teu pinto esta' morto... Ela sabe disso?
-  Isso e’ o que você pensa! Você precisa ver o que aconteceu ontem... Aquele monte
   de médicos não sabem nada... Amanhã, pergunta a Olinda se ela segurou e brincou a noite inteira
   com um pinto morto...




Copyright 2013 Eugenio Colin

sábado, 3 de março de 2018

それだけでは分類されます










                                それだけでは分類されます
                                 




   Era um dia importante na DuAsseins uma industria de roupas intimas femininas, muito tradicional, fundada ha’ mais de setenta anos por  M. Marchand Poule Voleur.
   Neste dia ele iria transferir a responsabilidade de sua industria para seus filhos Armand e Tiers. 
   Assim que os herdeiros chegaram `a sala de reuniões, M. Armand com sua fleuma proverbial falou: 
   - “Meus filhos! Solicitei vossas inapreciáveis presenças para citar a ambos que, de acordo com
   minhas aspirações pessoais, deixo-vos legado irrevogavelmente esta empresa a qual, ao longo dos
   anos fundei, estabeleci e consolidei  no mercado da indústria de suporte feminino. Acho que
   chegou a hora de aproveitar o que resta de minha vida ao lado de Claudette, minha nova esposa.
   Agora, tudo esta’ nas mãos de vocês. Ja’ trabalhei pra caralho. Não me encham mais o saco. Se
   fizerem cagada, que se fodam! Não quero mais saber de porra nenhuma...” E deixou a sala.
   Na verdade, Claudette, sua nova esposa, havia sido, ha’ apenas alguns meses passados, uma “dama da noite das ruas de Paris” que M. Marchand havia aprochegado e teve a cara de pau de propor na bucha:
-  “Escuta beleza! Tenho apenas mais alguns anos de vida. Se aceitar, ser minha companheira por
   estes anos, serei generoso em meu testamento. E’ claro que, vez por outra, você terá de cumprir
   suas obrigações de esposa. E’ claro também que não vou admitir nenhum tipo de traição. E’ pegar
   ou largar..."
   Ela pegou!
   Ja’, a respeito dos herdeiros, digamos que haviam nascido em berço esplêndido, muito esplêndido.
   Armand, o mais velho, era economista, circunspeto, sem tempo para outras coisas que não estivem intimamente ligadas ao trabalho. Tier, por sua vez, artista plastico, atualmente, ja’ por algum tempo, desempregado, possuía uma caracteristica marcante em sua personalidade, femeeiro ate’ a última presa.

   Estes acontecimentos inesperáveis tomaram os dois de surpresa. Agora teriam que se adaptar ao que o destino lhes apresentava. O jeito era assumir os negócios da família e rezar para o melhor.
   Ao tomar maior conhecimento da empresa, Armand decidiu assumir  para si os destinos da mesma. Contar com a ajuda do irmão era meio complicado mas, de qualquer forma, iria fazer o possível. 
   Depois de duas semanas, tentando contactar Tiers, finalmente, conseguiu convence-lo assumir parte de suas responsabilidades na empresa. Ficou decidido que Armand, o mais velho ficaria encarregado da parte administrativa e financeira da empresa e, o mais novo, pela parte de arte e produção.
   Logo de saída, assim que começou a pensar no futuro da empresa, Tiers resolveu que seria providencial expandir a linha de producao da empresa. Calcinhas e sutiãs deveriam ser complementados por meias de seda, camisolas, corpetes, ligas e ate’ cintas, destinadas `as que queriam melhorar a silhueta sem fechar a boca.
   E’ claro que seria necessário um novo catalogo que mostrasse toda a linha de produtos.
   Para economizar, decisão que agradou muito `a seu irmão, o diretor de arte resolveu que usaria algumas das funcionarias da empresa como modelos. Desta maneira, poderia também dar mais credibilidade aos produtos usando frases como: “além de trabalhar na DuAsseins, também uso os produtos que fabrico”. A primeira idéia foi usar frases como; “Com DuAsseins meus peitos tão bem guardados” ou “Minhas coxas ficam mais bonitas dentro das meias que fabrico”, “Com calcinhas da DuAssiens posso ate’ sentar em pregos. Sei que estou protegida” mas, algo lhe dizia que a maioria do publico não aprovaria dizeres como esses.
   Se Armand era sério em demasia, ate’ temido por alguns empregados, Tiers era exatamente o oposto. Todos adoravam o seu jeito alegre e brincalhão, seu sorriso contagiante, seu charme irresistivel. Quando deu inicio `a busca das funcionarias que se tornariam modelos, o rebuliço foi geral, pareciam mais um monte de “bobby-soxers” do que operarias de fabrica de subúrbio. E’ claro que seu patrão não era nenhum cantor famoso da década de 50 mas, elas também não estavam em Hollywood...
   Depois de um processo árduo, as sete “felizardas” forram selecionadas...
   Tacah Bolacha faria propaganda das cintas, Sônia Soneca das camisolas, Maria Justa dos corpetes e ligas, e assim por diante. Cada uma de acordo com a seus atributos físicos que ajudariam a realçar as qualidades dos produtos que anunciavam. O que ninguém entendeu foi como a Antônia Palito conseguiu ser selecionada para os comerciais de camisolas... A competição por uma posição de modelo da empresa estava tão disputada que Márcia Melada chegou ate’ oferecer “favores sexuais” em troca de uma vaga para posar de qualquer coisa. 
   Mas, se Tiers respeitava o local de trabalho, e não dava bola pra ninguém, fora dele a historia era outra. Cada dia aparecia com uma namorada nova. Fugia tanto, aqui e ali em suas horas vagas que, muitas vezes, não se sabia se estava trabalhando, se havia dado o dia por encerrado, se havia recebido uma “oferta” irrecusável... O importante e’ que, de uma maneira ou de outra, não sabiam dizer como, seu trabalho estava sempre em dia. E’ claro que vez por outra, alguma das funcionaria encontrava um pretexto para  “tirar alguma duvida” mas Tiers tinha anos de experiência no “mercado” e sabia como selecionar suas “fornecedoras”.
   A empresa corria melhor do que poderiam ter planejado, cada um dos irmãos habilidosamente executando as funções que se propuseram.
   Um dia de Domingo, ao tomar banho, notou uma pequena protuberância na parte inferior do, digamos, “embaixador de sua masculinidade”.
   A primeira reação foi de desespero... Depois, com mais calma, resolveu que, no dia seguinte, deveria  procurar um medico que pudesse ajuda-lo.

   Eram sete horas da manha quando Tiers saiu de casa em direcao ao consultório do Urologista. 
   Assim que o viu entrar, a enfermeira avisou que Dr. Urinaldo Mijardo ja’ o aguardava.
   Tiraram Raio X, fizeram ultrason e, depois de uma conferência telefônica de mais de quinze minutos com colegas, inclusive alguns com praticas em outros estados, fato que estava deixando nosso amigo muito preocupado, volta o medico com a solução do problema.
-  Tiers, devo confessar que estamos na presença de um caso extremamente raro. Pelo que pude
   observar, através dos exames radiograficos realizados, não ha’ nada de anormal com o seu pênis.
   No entanto e’ visível a protuberancia que se salienta na parte inferior do mesmo. Depois de um
   exame mais apurado e ate’ conferência telefônica chegamos a conclusão que se trata de uma bolha
   de ar que, indevidamente, se alojou no interior do seu membro.
-  Doutor, e isto tem cura? Indagou o paciente, preocupado.
-  Claro! Agora mesmo! Você vai sair daqui sem nenhum problema... Afirmou o doutor.
   Apos alguns minutos de espera, ja’ um pouco mais calmo, volta Dr. Urinaldo com os instrumentos
 necessários `a intervencao a ser realizada.
-  Meu filho, deixa-me explicar o que vamos fazer. Você vai chegar perto desta mesa, colocar seu
   pênis em cima dela. Com este martelo que tenho em minha mão, vou dar uma porrada na parte
   superior do mesmo e, o ar que esta’ alojado no interior saira’ pela ureia. Esclareceu o medico.
 - O senhor esta’ de sacanagem ne’? Se o senhor me diz que tem que fazer uma punção, vai la’ mas,
   dar uma martelada no meu piru’, nem em pensamento. Afirmou Tiers ao mesmo tempo em que
   vestia as calcas e se preparava para deixar aquele consultório para sempre.

   Ao relatar o ocorrido `a seu irmão, este, preocupado,  se propôs ajuda-lo a resolver o problema.
   Apos alguns telefonemas, chegaram `a conclusão que o melhor seria consultar um especialista nos Estados Unidos. Em três dias estaria viajando para um consulta no Penile Glanular Health Surgery Center. 
   Finalmente, depois de uma semana preocupante, chega Tiers em NY para a visita que terminaria por vez com seus problemas. Afinal de Contas, Dr. Tom Ellior  era um dois maiores especialistas do mundo no assunto.
   Discretamente nervoso aguardava na sala de espera, olhando `as varias ilustracoes de parentes do seu, espalhados pelas paredes da sala. Reparando melhor, um deles ate’ parecia estar sorrindo. Otimista que era, imediatamente pensou; “este ai’ esta’ alegre porque saiu daqui curado... "
   A porta se abre e Dr. Tom o chama para o consultório.
   Mesmo ritual; Raio X, ultrasom, apalpamentos cuidadosos e curiosos, tudo o que tinha direto, pela fortuna que estava gastando.
   Desta vez a consulta foi mais demorada... Levou uma hora para que o medico voltasse `a sua presença com o diagnóstico que tanto aguardava.
-  Well... Começou o doutor, pelo que pude observar se trata de uma manifestacao raríssima em sua
   glândula reprodutora. O ultrasom me afirma e, o raio X confirma que, infelizmente... 
   No “infelismente” Tiers tremeu nas bases... Tinha certeza... “La’ vem merda” pensou.
-  As I was saying... Infelizmente, seu membro deve ser amputado, e rapidamente, para podermos
   evitar a difusão `a orgaos concomitantes.
   Era so’ o que faltava... Agora esta porra deste medico quer cortar o meu cacete e ainda vem com “infelismente?” Aposto que não esta’ nem de longe entendendo a falta que meu “companheiro” vai me fazer. Pensou ao sair do consultório.
   Estava arrasado! Telefonou `a seu irmão para contar os acontecimentos tristes que vivenciava.
   Armand, outro otimista, falava ao telefone; “nao esquenta meu irmão. Vamos solucionar isso. Vai pro hotel, descanca, deixa eu dar alguns telefonemas e amanha nos falamos”.
   Tiers não sabia se deveria ficar calmo ou preocupado. De um lado, outro medico significava outra esperança, por outro lado, isto também significava que se tratava de algo serio, afinal de contas, era o terceiro medico tentando resolver um problema filho da puta.
   No dia seguinte, muito cedo na manha, recebia a chamada de seu irmão. 
-  Vai procurar Dra. Sarah Pica, em Milão, a maior especialista Italiana no tipo de problema que você
   se encontra.
   La’ se foi nosso amigo, cheio de esperança, ao encontro da “Pica” que salvaria seu pinto.
   
   Na Itália, tudo se repetiu, inclusive o diagnóstico. A única diferença foi que, desta vez, seu membro foi manipulado por mãos femininas que, em situacao diferente, o deixaria ate’ satisfeito com toda aquela atenção.
   Agora sim estava fodido, e pelo próprio pinto...
   Passou o dia inteiro em seu hotel, desesperado... Dra. Pica havia inclusive informado que se a cirurgia não fosse executada em breve, correria ate’ risco de vida.
   Outo telefonema `a seu irmão, outro medico. Desta vez, lhe foi indicado um medico em Beijing, China, Doutor Xim Xi, a maior autoridade chinesa no assunto. Um detalhe porem o deixava mais preocupado. Ouvira dizer que, naquele pais, mulheres não eram permitidas a ter mais de dois filhos. Medida governamental na tentativa de controlar a super populacao. “Sera’ que aqui e’ obrigado cortar o cacete de todo homem?”
   Toda aquela rotina `a qual ja’ estava começando a se acostumar terminou da mesma maneira, o mesmo diagnóstico: “Seu membro deve ser amputado o mais rápido possivel”.
   Aparentemente, a solucao seria começar a se acostumar com a ideia de perder a parte do corpo que, ate’ então, lhe havia dado as maiores satisfações em sua vida.

   Estava em seu hotel, desesperadamente contemplando a paisagem quando o telefone tocou. Era seu irmão...
-  Tiers, sai fora dai’! Este medico não esta’ com nada, soube que tem mania de cortar o cacete de
   todo homem para evitar a super populacao. Em compensacao tenho noticias animadoras. Soube
   através do consulado do Brasil em Tokio que a maior autoridade em complicacoes penisticas esta’
   no Japão. Marquei uma consulta para você depois de amanha. Arrumei ate’ um tradutor quando
   soube que esse doutor e’ meio esquisito e se recusa a falar Inglês...
   Agora não sabia se devia ficar alegre ou triste, com esperança ou desesperado... O que realmente estava, naquela manha, era reminiscente...
   Lembrava de Marcinha, sua primeira “namorada” que de pequeno so’ tinha o nome. Naquele dia do passado, quando havia experimentado os “prazeres da carne” pela primeira vez sofrera mais do que passarinho em mão de criança. A mulher era enorme, com um “apetite” de quem não come por dois anos. Naquele dia, lembrava, havia sido, literalmente “devorado” por sua parceira... Quem sabe não foi esta a causa de seu problema... Lembrava-se que depois do “encontro” teve que manter o “pobre coitado” no gelo. Uma pessoa naquela situacao, se fizesse um exame medico, seria diagnosticada com escoriações generalizadas.
   Olinda Piroca, uma prostituta com quem “encontrava” em situacoes de emergência quase mudou sua vida completamente... A relacao entre os dois foi muito alem do que profissional/cliente. A mulher era linda, mais velha, experiente, culta, educada... Muitas vezes passeavam o dia inteiro, jantavam juntos e nem pensavam em sexo, apenas conversavam a respeito do passado, do futuro... Foi a única vez em que Tiers havia pensado em casamento. Nimgem diria que aquela mulher era uma profissional...
   Lembranças alegres, tristes, engraçadas, nem tão engraçadas, se sucediam na mente de Tiers como um longo filme no qual ele era o protagonista principal. Sua única esperança era que aquilo tudo tivesse um “happy ending”.

   O dia seguinte seria certamente corrido.
   Chegaria ao aeroporto, onde o tradutor o aguardava, apenas duas horas antes da consulta. Dali’ para o encontro com Doutor Taka Noku, o melhor do mundo.
   Ja’ no consultório, ao lado do tradutor, sentado em uma cadeira enorme, pode ver, para sua surpresa, um homem com quase dois metros de altura curvando-se para entrar no consultório.
-  おはようございます!私の名前 能古、どのように私は助けることができますか?
-  O Doutor perguntou em que pode ajudar. Ouviu na tradução.
   Sem cerimonia, Tiers abriu a calca, segurou seu pênis com carinho e mostrou ao doutor, explicando a ele tudo que havia acontecido.
   Com todo o cuidado, o doutor examinava, enquanto manipulava a causa de todo aquele drama, com dois pauzinhos, parecidos com aqueles que são usados para comida chinesa.
   Apos alguns minutos, saiu da sala dizendo:
-  私が見るこれと '第三のケース...
-  Informou que e’ o terceiro caso que viu. Vai voltar em alguns minutos. Disse o tradutor.
   Assim que o doutor entrou no consultório novamente, ouviu do paciente:
 - Doutor, o senhor e’ minha ultima esperança. Todo medico que vou diz que eu tenho que amputar
   meu pênis...
   Apos devidamente traduzido pelo interprete, disse o doutor:
-  完全に間違って駅。
-  Disse que os outros médicos estão completamente errados. Traduziu o interprete.
-  Doutor essa foi a melhor noticia que ja’ recebi em toda minha vida. Não vou ter que amputar meu
   pênis?
-  奈緒。Respondeu o doutor, apos ouvir a pergunta traduzida.
-  Não preciso fazer mais nada? Indagou Tiers.
-  いいえ、何もする必要はありません。彼は一人で落ちる
-  Não! Você não precisa fazer nada. Ele vai cair sozinho. Disse o interprete, traduzindo o que o
   doutor, em um Japones perfeito, falou:
- それだけでは分類されます





Copyright 2013. Eugenio Colin

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

ALPHABET








                                         Alphabet






  Although things are not perfect
  Because of trial, or pain,
  Continue in thanksgiving,
  Do not begin to blame.
  Even when the times are hard,
  Fierce winds are bound to blow
  God is forever able,
  Hold on to what you know.
    Imagine! Without His love,
  Joy would cease to be.
  Keep thanking Him for all the things
  Love imparts to thee.
  Move out of "Camp Complaining".
  No weapon that is known
  On earth can yield the power
  Praise can do on its own.
  Quit looking at the future,
  Redeem the time at hand,
  Start every day with worship,
  To "thank" is a command...
  Until we see Him coming
  Victorious in the sky
  We'll run the race with gratitude
 'Xalting God most high.
  Yes, but besides good times and bad,
  Zion waits in glory...where no one is ever sad!







Copyright 2/2009 Eugene Colin

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

EU SOU ASSIM!











                                           Eu sou assim!









-  Sou Chata? Depende de você. -  Sou metida? Inveja é triste. -  Sou feia? Tem quem queira. -  Sou bonita? Tenho espelho. -  Me ama? Bom para nós. -  Me odeia? Entra na fila. -  Sou louca? Problema e' meu. -  Fui fácil? To a fim. -  Fui difícil? Cai fora. -  Beijo mal? Você também. -  Beijo bem? Já sabia. -  Sou boa amiga? Demais. -  Sou boa inimiga? Mais ainda. -  Eu minto? O necessário. Você também. -  Duvida de mim? Paga pra ver. -  Eu odeio? Não, tenho pena. -  Sou ridícula? Estamos falando de mim ou de você? -  Sou educada? Quase sempre. -  Sou mal educada? Você mereceu. -  Tenho juízo? O suficiente. -  Humilde? Às vezes. -  Modesta? Nem sempre. -  Pego no pé? Sorte sua. -  Dei um fora? Não seja brasileiro... desista! -  Sou boa? Com certeza. -  Sou ruim? Tento não ser. -  Gostar de mim? Fácil. -  Gostar de você? Convença-me. -  Não gosta de mim? Sai daqui...-  Pavio curto? Se eu explodir voce morre.-  Convencida? Eu sou assim!


Copyright 9/2003 Eugene Colin

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

DEPOIS DO CARNAVAL









                                                    Depois do Carnaval.









   Valdisnei Roliude Paramão estava prestes a realizar o sonho de sua vida...
   Para falar a verdade, mesmo com as pernas espremidas pelo assento anterior do Boeing 767, grande pra cacete por fora mas, excruciantemente apertado para os passageiros, especialmente para Val, como nosso amigo era popularmente conhecido em sua cidade natal de Várzea Grande, bem ao lado da capital do estado do Mato Grosso...
   Desde que nasceu, seu sonho sempre foi o de assistir um desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro. Não pela televisão! Queria ver ao vivo aquele monte de mulher com o suor derretendo o único disfarce que escondia a “realidade” de cada uma delas, bem disfarçada pelas tintas que as cobriam. Ate' imaginava como deveria ser o cecê das mulatas... Queria ver tudo, ao vivo e em cores.
   Agora, ja' com seus 35 anos, depois de juntar dinheiros por muito tempo, sua hora havia chegado. Nem deu bola para seu patrão quando este lhe informou que seu pedido de ferias para o Carnaval havia sido negado. “Ah! E'? Tudo bem! Eu me demito!” falou... Ao sair, ainda olhou pra trás, so' para poder constatar a cara de babaca do empregador  e, sorrindo, ainda lhe deu uma banana...
   O piloto acabara de avisar que dentro de alguns minutos estariam pousando no Aeroporto Antônio Carlos Jobim. Imediatamente lhe veio `a cabeça o “samba do aviao”... Minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro, estou morrendo de saudades... O que, no seu caso não era verdade ja' que esta seria a primeira vez que visitava a "cidade maravilhosa".
   Ainda esticava o pescoço tentando olhar la’ pra baixo pela janela minuscula do avião quando uma das aeromoças, agora chamadas de comissarias de bordo, ate' hoje ainda não se sabe porque, tentando colocar sua poltrona na posição vertical meteu os peitos em sua cabeça. Quando ele virou, de repente, não deu outra! Acabou com a boca entre os enormes seios da mulata que, imediatamente, para ele sorriu. Val ate’ achou que ela havia feito aquilo de proposito. Também, não era pra menos... O cara era bonito pra cacete, mais de um metro e noventa de altura, cabelos pretos e olhos verdes, impecavelmente vestido. Parecia mais um gala de telenovelas do que um gerente de hotel do interior do país.
   Na saída do avião, enquanto a maioria dos passageiros se despedia das “comissarias de bordo”, aquela mesma mulata colocou um cartão no bolso da camisa do nosso amigo, dizendo baixinho, ao pe' de seu ouvido: “-me liga...”
   Ele ainda deu uma outra olhada pra aeromoça, agora chamada de comissaria de bordo, ate' hoje ainda não se sabe porque, constatando que ela não era de se jogar fora. Depois do Carnaval, quem sabe? Ate' que poderia dar umazinha, se ela estivesse livre e ele estivesse vivo.
   Ainda olhando para as “qualidades” da aeromoça, quase caiu por causa disso... O operador, que deveria estar com preguiça ou sem tempo de fazer seu serviço corretamente, deixou um enorme vão entre a ponte de desembarque e o avião e, quando nosso amigo pensou em trocar de pe', para “entrar” na cidade maravilhosa com o direito, chegou ate' a tropicar... Adivinha que veio em seu socorro, segurando sua bunda para que não fosse ao chão ou, pior ainda, caísse la’ em baixo... Isso mesmo! Raimunda, ou “Rai” como estava escrito em seu cracha', a aeromoça que aparentemente estava sem programa para os próximos dias, ja' que estava dando em cima do passageiro acintosamente...
   Salvo pelo gongo de uma fatalidade que poderia ter sido fatal, la' se foi nosso amigo, em direção ao seu destino... Decidira se hospedar em um hotel na Avenida Mem de Sa',  relativamente perto do sambódromo, ao qual poderia ir `a pé e, se não fosse assaltado, ou alvejado por uma bala perdida, poderia chegar la' em poucos minutos...
   Mas Val era um homem otimista. So' queria ver mulher pelada e quem sabe, com alguma sorte, ate’ tentar provar um dos “frutos proibidos” que pela avenida desfilavam.
   Finalmente chegara o grande dia, `as nove horas da noite, la’ estava o Mato-Grossense, deslumbrado, estupefacto, atônito, abundorbado... Era tanta mulher pelada que o cara ja' estava ficando vesgo, além de estar suando profusamente, mesmo com aquela brisa refrescante que amenizava o calor do verão carioca...
   Dois dias no Rio de Janeiro e nenhum incidente. Não havia sido assaltado, ninguém o havia chamado de babaca, nem mesmo caipira... Val ja' se sentia em casa, ate' o dono do Bar das Quengas, onde fazia suas refeiçoes, estabelecimento de “alta classe” onde “damas da noite” se reuniam, localizado na esquina da Mem de Sa' com Washington Luiz, bem no coração de seu trajeto diário, ja' o conhecia... Tudo corria `as mil maravilhas, muito melhor do que jamais poderia haver planejado...
   No ultimo dia de desfile, `as três horas da manha do dia seguinte, o cara não resistiu; pulou a cerca e foi ate' o asfalto para se “minglar” com aquelas mulatas fabulosas...
   Mal adentrou a passarela e começou a dançar, uma linda mulata agarrou em seu pescoço e lhe tascou um beijo na boca. Ao olhar para o rosto e o corpo da mulher, Val não podia acreditar... O céu estava claro mas estava “chovendo em sua horta”, e muito...
   Ao ouvir: “estou tão cansada, me acompanha ate' minha casa?”, nosso amigo so' não desfaleceu porque era muito macho. A mulata era a mais linda que jamais havia visto. Melhor do que a Raimunda do avião, quer dizer, a “Rai”. Claro que ele foi...
   Em la' chegando, no meio de uma conversa animada enquanto os dois tentavam se conhecer, Roberta, que aparentemente estava apaixonada ja' que não tirava os olhos de Valdisnei, pedindo licença, entrou no banheiro e, em poucos minutos de la' voltou toda asseada e perfumada, vestindo um lindo baby-doll rosa... Deu uma boa olhada para seu novo conhecido, de cima a baixo e disse: 
“- vou me deitar! Você vem?”
   Sabia que estava dentro de um apartamento mas, certamente, estava “chovendo em sua horta, e muito!
   Atendendo ao convite, Val tirou a roupa e, apenas usando uma sunga, foi ao encontro de seu destino...
   Rola pra la' esfrega pra cá, pega daqui, espreme dali e Val, acidentalmente, se depara com algo que certamente não deveria estar ali... Ainda deu uma boa segurada, so' para se certificar se “aquilo” era aquilo realmente o que estava pensando e, quando ouviu: “- Ai, aperta com forca amor, pode ate' morder, não ligo não, vou ate' gostar...”,  teve certeza.
-  O que? Você e’ homem? Indagou apavorado, pulando da cama.
-  Homem não! Transgender como se diz no exterior... Respondeu “Roberta”.
   Seu mundo caiu! De repente, Valdisnei se sentiu desolado e todo aquele encantamento havia chegado ao fim... "E se aquele monte de mulher pelada que vi, fosse tudo homem? Meu Deus, o mundo ta’ perdido..." Pensou, enquanto praticamente em um movimento único, pulava da cama, se vestia, e saia correndo daquele “apartamento maldito”.
   Carregando toda a tristeza do mundo em suas costas, nosso amigo voltava para o hotel para arrumar as malas e retornar correndo para sua cidade, onde os homens são homens e as mulheres são mulheres.
   Por sorte, conseguiu antecipar seu voo que so' aconteceria dois dias depois.
   Ja' dentro do avião, recostado em sua poltrona, tentando aliviar a pressão que o assento anterior fazia em seus joelhos, sentiu um perfume que achava ser familiar. Desta vez nem teve tempo de virar o rosto e meter a cara naqueles peitos que ja’ conhecia. 
-  Oi! Que sorte te encontrar novamente... Disse Raimunda, quer dizer “Rai”.
-  Tudo bem? Respondeu Valdisnei, meio escabriado, começando a desenvolver um pavor
   recalcitrante por mulatas gostosas.
   A viagem ocorreu sem maiores incidentes, a não ser por aquelas sacudidelas que todo mundo que voa de avião ja' esta' ate' acostumado... 
   `A saída, ao se despedir de Raimunda, quer dizer “Rai”, ela falou baixinho:
-  Da’ pra me esperar um pouco? Gostaria de falar com você...
   Val esperou pela “conhecida” por alguns minutos e, saíram do avião de braços dados.
-  Vou ter que ficar na cidade por uma semana para acertar minha escala mas não conheço ninguém
   aqui. Sera’ que você poderia me ajudar a achar um lugar pra ficar?
   O cara deu uma boa olhada pra mulata e, quase tentando esquecer os horrores pelos quais havia passado respondeu:
-  Se você não se importar pode ficar comigo... Moro em Várzea Grande, a poucos minutos daqui.
   O lindo sorriso de “Rai” foi a resposta que ele não ouviu.
   Com o pretexto de ajudar sua companheira, em um ato cortês, “tentando” alcançar a alça de sua mala, “acidentalmente” meteu a mão entre as pernas da "atendente de voo", com força e determinação, so' por via das dúvidas, desculpando-se imediatamente após. A moça não entendeu nada, mas sorriu...
   Valdisnei sorriu em resposta, certo de que, desta vez, não se repetiria o que havia  acontecido no Rio de janeiro, depois do Carnaval.






Copyright 2/2015 Eugenio Colin

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

HOW HUMANITY WAS CREATED...








                                        How humanity was created...
           








   Things were very calm in paradise... Nothing new never even happened...
   In order to spice up a little bit, after observing the sabbath God decided to crate the humanity...
   On the first day God created the cow. 
   God said:
   "You must go to the field with the farmer all day long and suffer under the sun, have calves and give milk to support the farmer I will give you a life span of sixty years."
   The cow said:
  "That's a kind of a tough life you want me to live for sixty years.  Let me have twenty years
   and I'll give back the other forty."
   And God agreed.
   On the second day, God created the dog. 
   God said:
   "Sit all day by the door of your house and bark at anyone who comes in or walks past.  
   I will give you a life span of twenty years."
   The dog said: 
   "That's too long to be barking.  Give me ten years and I'll give back the other ten."
   So God agreed (sigh).
   On the third day God created the monkey.  
   God said:
   "Entertain people, do monkey tricks, make them laugh.  I'll give you a twenty year life 
   span."
   The monkey said:
  "How boring, monkey tricks for twenty years?  I don't think so.  Dog gave you back ten, 
   so that's what I'll do too, okay?"
   And God agreed again.
   On the fourth day God created man.  
   God said: "Eat, sleep, play.  Do nothing, just enjoy, enjoy.  I'll give you twenty years."
   Man said: 
   "What? Only twenty years?  No way! Tell you what, I'll take my twenty, and the forty cow
   gave back, and the ten dog gave back and the ten monkey gave back. That makes 
   eighty, okay?"
   "Okay," said God. "You've got a deal."
   So this is why for the first twenty years we eat, sleep, play, enjoy, and do nothing;
for the next forty years we slave in the sun to support our family, for the next ten years we do monkey tricks to entertain our grandchildren; and for the last ten years we sit in front of the house and bark at everybody.

   And, that's how humanity was created...





   Copyright 1/2001 Eugene Colin