sábado, 25 de junho de 2016

RAPUNZUDA










                                                               Rapunzuda











   Rapunzuda, apelido de Rapunzel, por motivos óbvios, uma mulata muito bonita que teve seu nome inspirado na heroína da conhecida historia infantil, favorita de sua mãe, finalmente, após tanto sofrimento, conseguia arrumar um emprego de doméstica na casa de uma madame ma' pra cacete... Uma boa “filha da puta” como Rapunzuda pensava a respeito da patroa.
   A mulher não valia nada mas pagava em dia e isso e' o que importava. No inicio Rapunzuda chegou cheia de marra, dizendo que queria, carteira assinada, décimo terceiro, férias, o escambal; ao que a patroa respondeu:
-  Te pago salário mínimo, não assino porra nenhuma, não tem férias nem decimo terceiro... Se você
   trabalha doze meses, porque vou te pagar um mês a mais? Se não quiser, pode se mandar agora
   mesmo. Depois desse tal PEC das domésticas ninguém mais ta' empregando. Se você não quiser 
   trabalhar aqui, tem quem queira. Não sou sócia do governo e não estou aqui para pagar pelo roubo
   de políticos safados e cara de pau.
   Quando ouviu aquilo tudo, ficou chateada mas, tava dura, não tinha um puto de um tostão e, pensando bem ate' que a patroa não estava muito errada. Ela também jamais concordaria em sustentar político vagabundo... Resolveu então aceitar o emprego...
   Agora, trabalhando, pelo menos podia pagar o aluguel do barraco minúsculo onde morava. Apesar de toda dificuldade, estava pelo menos satisfeita... Porem, do parco salário que recebia, não sobrava nada... Nunca mais pode ir ao salão para fazer as unhas ou cabelos. Os cabelos ja' estavam tão longos que levava mais de meia hora tomando banho so' pra poder lavar toda aquela juba.
   Rapunzuda tinha mania de cantar...  Ja' saia do barraco cantando e continuava assim pela rua ate' a casa onde trabalhava, poucos blocos de onde morava. Gostava de imitar a Elza Soares... “Se acaso você chegasse no meu chateau e encontrasse aquela mulher que você deixou...” Alias, reparando bem, ela era ate' um pouco parecida com a cantora... Olhos amendoados, neste caso, de nascença, não por plástica; cabelos crespos e longos, aquela mesma voz rouca, meia gordinha, peituda e com bunda grande. Era ate' bonitinha...
   Príncipe, apelido do açougueiro do bairro, por onde Rapunzuda passava todos os dias, a caminho do emprego, ja' estava começando a ficar apaixonado pela cachopa. Quando ouvia a voz da moça, largava qualquer coisa que estivesse fazendo, so' para poder dar uma olhadinha em seu interesse amoroso.
   Um dia largou o facão, com o qual cortava os restos mortais de uma galinha, com tanta pressa que o cabo bateu na mesa de corte e a ponta voltou em sua direção, desta vez quase cortando o pinto, fato que, se tivesse sido consumado, acabaria de vez com qualquer chance de tentar conquistar Rapunzuda. Duvido que uma mulher daquela se interessaria por um despintado... O pior e' que naquele dia, so' teve chance de ver sua “amada” pelas costas, o que aliás, não era nada mal. O rebolado da mulata era algo, no mínimo, interessante de ser apreciado. Seu andar mais parecia uma bolsa de supermercado repleta de compras em movimento, tendo por cima dois mugangos, que ela, diligentemente equilibrava, para que não caíssem e, ao se espatifarem ao chão, destruídos em mil pedaços, acabassem com o sonho erótico daqueles que, vendo aquilo tudo, sonhavam em come-los.
   No trabalho, tentava ignorar os mal tratos da “madame” que entre outros vícios, tinha a mania de chama-la puxando pelos cabelos que, diga-se de passagem, agora, depois de quase um ano de trabalho, estavam quase chegando na cintura. Mildred, sua patroa, começava a reclamar que os cabelos da serviçal estavam muito grandes e anti higiênicos e pediu que ela os cortasse. 
   Rapunzuda porém, ja' havia se acostumado com os cabelos longos e ate' começava a gostar deles, principalmente depois que descobriu que uma das taras do Príncipe, o açougueiro, que ela ja' havia notado, mas dava uma de gostosa, esperando que ele tomasse a iniciativa, eram aqueles cabelos cacheados e longos.
   Em uma manha de Segunda-feira, ao passar pela “Picanha do Príncipe” nome do estabelecimento de seu admirador principal, notou que o açougue estava fechado. “Talvez ele esteja atrasado hoje” pensou ela...
   No dia seguinte contudo, e no outro, e pela semana inteira, a “Picanha do Príncipe” ficou sem funcionar o que, mesmo sem serem casados, ou namorados, preocupava `a Rapunzuda.
   Naquele final de semana, dando uma de detetive, pergunta daqui, informa dali, acabou descobrindo onde o Príncipe morava. 
   Mesmo sem saber se deveria, acabou batendo `a porta da casa do homem, que veio atende-la fazendo um barulho filho da puta, derrubando tudo que estava `a sua frente, no caminho entre a cama onde estava deitado e a porta da casa.
   Ao abrir a dita, ainda de olhos fechados, apalpando as paredes tentando “enxergar” onde estava, perguntou:
-  Quem e'?
-  Sou Rapunzuda! Não nos conhecemos pessoalmente mas, costumo passar pelo açougue todos dia e,
   esta semana...
-  Claro! Reconheço tua voz, pelas canções que ouço todos os dias quando você passa. Por favor, 
   entra!
-  O que houve com você? Esta’ doente? Precisa de ajuda? Perguntou Rapunzuda.
-  Fiquei cego! Disse Príncipe.
-  Cego? Como? O que aconteceu?
-  Não sei! Desde o ultimo Domingo não consigo abrir os olhos...
-  O que houve? Indagou ela, curiosa.
-  Não sei! Domingo passado fui dormir chorando depois de ver um filme que me emocionou muito e,    depois disso, nunca mais consegui abrir os olhos...
   Rapunzuda, dando uma de doutor olhou pro cara, passou a mão nos olhos do "amigo" e ordenou:
-  Vem comigo, vamos lavar este rosto.
   Amparando Príncipe pela mão, o levou ao banheiro, passou a mão no sabão, lavou os olhos do "paciente", e disse:
-  Pronto! Abre os olhos!
   Príncipe, obedecendo, abriu os olhos e exclamou:
-  Milagre! Voltei a enxergar.
-  E'! Na próxima vez, lave o rosto pela manhã, depois de chorar a noite inteira, para se livrar desse
   monte de remela grudenta que cobre teus olhos e te deixa "cego"... Disse ela, achando que seu novo
   amigo era meio "desligado".
   Embora houvesse descoberto que o tal do Príncipe era burro, Rapunzuda estava feliz, pelo menos se sentiu útil e importante, completamente oposto, `a maneira pela qual se sentia em seu emprego.
   Nas semanas subsequentes, ela e seu príncipe ate' trocaram algumas palavras. Gostava dos elogios que ouvia diariamente `as canções que cantava enquanto caminhava.
   Em uma manha de terça-feira, Mildred, a patroa filha da puta, a estava esperando com uma tesoura escondida atrás das costas. Assim que Rapunzuda foi `a cozinha e começou a lavar pratos, a patroa, sorrateiramente, meteu um monte te tesouradas nos lindos cabelos cacheados da empregada que, puta da vida, se demitiu imediatamente, jurando levar a patroa `a justiça, não so' pela agressão cabeluda, como também pelo descumprimento da PEC das Domésticas, mesmo sabendo que isso jamais seria resolvido antes dos próximos dez anos... Justiça brasileira!
   No dia seguinte, ao passar triste e sem rumo pela frente da “Picanha do Príncipe”, cantando: “meu mundo caiu, e me fez ficar assim... Aquela piranha conseguiu, e agora diz que tem pena de mim...” chamou a atenção de seu “amigo” que, imediatamente indagou o motivo de tanta tristeza...
   Ainda debruçada no balcão, depois de contar o acontecido, ela ouviu:
-  Vem trabalhar comigo. Você fica no caixa. Assim eu não tenho mais que cortar carne com mão 
   suja de dinheiro... Quanto aos cabelos, não fica triste... Eles crescem novamente. Além do mais,
   você não precisa de cabelos longos para ser a mulher mais linda que eu ja' vi...
   Pronto! Agora o cara derreteu a mulata...
   Ali, naquele local de trabalho, se concretizava uma amizade, destinada a se transformar em um romance que traria paz, amor, e felicidade eterna para o Príncipe e sua Rapunzuda..
  
   
   
   

   
Copyright 9/2015 Eugene Colin.

   

segunda-feira, 20 de junho de 2016

A MESMA PESSOA...

             
                                                   





                                                          A Mesma Pessoa...








   Escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo. 
   Segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos...
   Expulsei de minha vida pessoas a quem amava, já me arrependi por isso... 
   Passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
   Acreditei em amores perfeitos, so' para descobrir que eles não existem; amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram...

   Passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir do mundo...
   Menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi...
   Fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar contrito em meu canto, calado...

   Sorri chorando lágrimas de tristeza, também já chorei de tanto rir...
   Acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente mereciam minha simpatia...
   Tive crises de riso quando não cabia... Quebrei pratos, copos e vasos, com raiva do mundo...
   Senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse...
   Gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar...
   Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar alguns, outras vezes falei o que não pensava para magoar a outros...
   Acho que fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros tantos...
   Contei e escrevi piadas e mais piadas sem graça, embora ate' alguns tivessem rido, apenas para ver as pessoas felizes...
   Inventei, e ainda invento, histórias com final feliz so' para dar esperança a quem precisa...
   Já sonhei demais, ao ponto de confundir ficcao com realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro me acho, me agacho, fico ali lembrando do medo que um dia me dominou...

   Cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia nunca mais...
   Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente deveria... Corri atrás de um carro, por ele levar embora, a pessoa a quem eu amava.
   Chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas, ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda, a realizacao da realidade.
   Chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas, que nunca precisei qualificar, sempre foram e serão sempre especiais para mim.
   Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
   Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
   Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!

   Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão...
   Mas, com certeza não serei assim pra sempre, embora, com certeza, serei sempre a mesma pessoa!.








Copyright 10/2001 Eugene Colin.








sábado, 11 de junho de 2016

BLISS...










                            Bliss...






Sometimes I ask myself what love is,
a touch, a look or, maybe, a kiss...
a feeling inside, slowly taking my heart,
a sense of loss when, from you, I'm apart...
a walk at the beach, hand in hand, in the sun,
a laugh, a talk or just having fun...
Your eyes, that glare, when starring at me,
your smile, so pure, like none else can be,
our hands together with our fingers entwined,
the though of you, always live, in my mind...
a sweet pain inside, that I feel in my chest,
the trust of us, one day, having our "nest"...
To be with you, every day, every night,
the joyful hope, some day, that I might...
The many things that I love about you,
along with others that I, daily, accrue...
I cannot answer myself what love is,
But I surely know that, for long, you're my bliss...




Copyright 9/2015 Eugene Colin

segunda-feira, 6 de junho de 2016

A ÁRVORE










                                                              Árvore







                Ha' pouco uma árvore, maldita criatura
                quase que acaba com minha estrutura...
                Estava feliz, na gata pensando,
                em ver os seus olhos, com ela sonhando...
                Olhava pra frente, como todos que andam,
                os que acertivos, pensamentos comandam...
                Ela ainda estava comigo, a meu lado
                embora pro chão eu olhava calado...
                Pensava no encontro, em como vai ser.
                Sera' que esta sorte eu vou merecer?
                E aquele sorriso, como e' que sera'?
                E aquela alegria que ele me da' ?
                A mesma imagem trazia na mente
                olhando pro céu, sorrindo contente,
                comigo abraçada, a meu lado, cantando
                os olhos tão verdes, a mim encantando,
                andando na praia, pisando na areia,
                nadando no ar como uma sereia
                que sai de seu rumo sem mesmo notar,
                apenas pra todos poder encantar...
                Me via tão longe, la' em Salvador
                pensando em tudo, morrendo de amor...
                Não via mais nada, nem galhos, nem gente
                somente a mulher que me faz tão contente...
                Finalmente paramos um pouco de andar.
                Seu corpo tão lindo eu fui abraçar.
                Eu tinha certeza que a iria beijar...

                E a maldita da árvore vem atrapalhar!!!???






Copyright 1/2014 Eugene Colin

sexta-feira, 20 de maio de 2016

A FILHA





         

                                                                   A FILHA








   Uma filha se queixou a seu pai sobre sua vida e de como as coisas estavam difíceis...
   Ela já não sabia mais o que fazer e queria desistir. Estava cansada de lutar e combater. Parecia que assim que um problema estava resolvido um outro surgia. Seu pai, um "chef", levou-a até a cozinha dele. Encheu três panelas com água e colocou cada uma delas em fogo alto. Logo as panelas começaram a ferver. Numa ele colocou cenouras, em outra colocou ovos e, na última, pó de café. Deixou que tudo fervesse, sem dizer uma palavra. A filha deu um suspiro e esperou impacientemente, imaginando o que ele estaria fazendo. 
   Cerca de vinte minutos depois, ele apagou as bocas de gás. Descacou as cenouras e colocou-as numa tigela. Retirou os ovos e colocou-os em outra tigela. Então pegou o café com uma concha e colocou-o numa xícara e, virando-se para a filha, perguntou: 
-  Querida, o que você está vendo?
-  Cenouras, ovos e café - ela respondeu. 
   Ele a trouxe para mais perto e pediu-lhe para experimentar as cenouras. Ela obedeceu e notou que as cenouras estavam macias. Então, pediu-lhe que pegasse um ovo e o quebrasse. Ela obedeceu e depois de retirar a casca verificou que o ovo endurecera com a fervura. Finalmente, ele lhe pediu que tomasse um gole do café. Ela sorriu ao provar seu aroma delicioso. Neste ponto a filha perguntou humildemente: 
-  O que isto significa, pai? 
   Ele explicou que cada um deles havia enfrentado a mesma adversidade, água fervendo! Mas, que cada um reagira de maneira diferente. A cenoura entrara forte, firme e inflexível mas, depois de ter sido submetida à água fervendo, ela amolecera e se tornara frágil. Os ovos eram frágeis. Sua casca fina havia protegido o líquido interior mas, depois de terem sido colocados na água fervendo, seu interior se tornou mais rijo. 
   O pó de café, contudo, era incomparável. Depois que fora colocado na água fervente, ele havia mudado a água. 
   O pai, seriamente, mas com muita ternura, acariciando os cabelos daquela quase menina, que se achava perdida:
-  Qual deles é você? Perguntou ele à sua filha. 








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domingo, 15 de maio de 2016

AMOR










  
                                                                  Amor











   Pensando sobre o amor... Porque dependemos tanto dele, refletido na pessoa, ou pessoas, a quem amamos, para que sejamos felizes?
   O que e' o amor?
   Essa e' uma das perguntas mais difíceis de responder... Séculos se passaram, relações se desenvolveram, assim como também o amor. Mas ninguém sabe dar uma definição correta sobre o que e' o amor...
   Para alguns, amor e' amizade em fogo, para outros, amor e' sorte mas, não importa como seja definido, o amor e' a única verdade na historia da humanidade.
    O amor e' paciente, o amor e' gentil... O amor não tem inveja... O amor triunfa sobre
sentimentos menores e e' amigo da verdade.... O amor protege, preserva e aposta nos aspectos positivos da vida. O amor e' o sonho dos nossos melhores momentos de afeição transformados em realidade. O amor, quando acontece, une duas pessoas com um elo de amizade, verdades irrefutáveis, intimidade e interdependência. Ele amadurece uma relação e conforta uma alma. O amor deve ser experiemntado e não apenas sentido. A quantidade de amor não pode ser medida. Uma nova dimensão em nossas vidas pode ser alcançada pela magia do amor. Para que isso aconteça e, acreditando que o amor e' um sentimento positivo, e' so' nos concentrarmos nas qualidades da pessoa `a qual amamos.
   Se isso pode ser alcançado com facilidade, então sera' fácil amar...
   Quando duas pessoas se amam, o sentimento que compartilham e' intimo, profundo
e intenso... O significado do amor e' diferente de todos os outros sentimentos que experimentamos... Para muitas pessoas que nunca amaram e' um sentimento sem muita importância, um sentimento inexistente. Não e' que o amor não exista em cada um de nos mas sim que, `as vezes não o descobrimos e, quando o fazemos, so' podera' ser realmente aproveitado se a pessoa a quem dedicamos esse amor for capaz de entender sua pureza e importância.
    No passado, e mesmo atualmente, muitos ja' estudaram e especularam a respeito deste fenômeno que tem o poder de transformar completamente a vida de uma pessoa.
    Para nos e' mais fácil entender a respeito de coisas paupáveis e concretas mas, como e' possível algo tão subjetivo como o amor ter tanto poder?
    A psicologia define o amor como um fenômeno cognitivo com uma causa social. Também diz que nele existem três componentes principais: Intimidade, cometimento e paixão... O amor ainda inclui amizade, compatibilidade, tolerância, a busca da realização da pessoa amada, total falta de egoísmo, estar junto em todos os momentos, mesmo quando isso não e' fisicamente possível, dividir alegrias e tristezas, dar liberdade e abrir espaços para poder receber mas, principalmente estar sempre disposto a ajudar a quem se ama, com uma palavra, com um toque, com uma lagrima de solidariedade, com um gesto amigo, com um silencio sincero...
   Refletindo sobre o que e' o amor, a realidade so’ chega quando o receptor do sentimento e' encontrado. 
    Muitas vezes, apesar de tanto sentimento positivo ( se o amor pode ser assim considerado ) o doador eventual não consegue se fazer entender pelo receptor e este, por sua vez entristece, se preocupa, se confunde mas, na grande maioria das vezes e' porque tudo isto e' muito novo para um, ou outro que, sobrecarregado pela ansiedade de proteger, esclarecer, informar, causa, por isso mesmo, uma impressão antagônica; uma que o objeto daquele afeto, também confuso, por todo um turbilhão de emoções intrelaçadas, não consegue entender.
   O importante e' que os envolvidos saibam que compartilham os mesmos sentimentos , mesmo que tais não sejam explicitados ou esclarecidos da maneira que o outro pretendia ou futurisava.
   Um sentimento tão complexo e inexplicado como o amor, não e' algo que se domine ou masterize através de um tempo pré-determinado ou indeterminado.
   De fato, as grandes historias amorosas de que se tem conhecimento, são justamente aquelas nas quais as regras foram permanentemente abolidas, em que a relação e' um permanente aprendizado quando, por vezes o “aluno” se apossa da “maça” da sabedoria  e, a professora que ate’ então ditava as regras, se rende a uma “semente” que brotou  inesperadamente e que, se bem cultivada, frutificara', tonando-se assim mais uma conquista dos que a cultivam.
   Em outras palavras, e' impossível descrever algo que não e' destinado a ser explicado e sim experimentado.
   Aqueles que conseguem viver com ambiguidades são aqueles que conseguem entender de uma maneira positiva o que o outro, pensa, sente, diz, almeja, pretende...
   E' como se alguém perguntasse: 
-  Onde esta' a cachorra da tua mãe?
   Dependendo da interpretação, principalmente se o ouvinte e' uma pessoa que se apressa a responder sem tentar entender ou ponderar sobre o que ouviu, esta pergunta pode ser o termino de uma amizade, de um relacionamento... Mas, se apesar da pergunta, a mãe mencionada não for dona de uma cadela, neste caso, estaremos presentes, na melhor das hipóteses, a um funeral. Se não o seu, por certo o do amor..








Copyright 6/2015 Eugene Colin

sexta-feira, 6 de maio de 2016

PROMESSA...










                                                         Promessa...











   Hoje, enquanto cozinhava, pensando no filme que assisti ontem `a noite, "O pagador de Promessas", me senti como um político...
   E' claro que faz sentido! Senão, vejamos...
   Estava preparando uma receita que havia pensado dias atras enquanto lembrava do filme que, por não conseguir a versão brasileira, acabei assistindo a versão francesa, que foi traduzida como "La Parolle donnée", que significa, "a palavra dada" ou, mais livremente traduzindo: "a promessa".
   O resultado final da receita foi tão surpreendente que me senti compelido a dividir minha alegria com todo mundo.
   Foi então que me vi como um político... Porque? Bem, politico promete tudo, mas não cumpre nada. E não pense que e' so' político brasileiro que assim faz, pelo contrario! Existem piores espalhados pelo mundo inteiro. Em vários países do mundo, inclusive no Brasil, os caras são mestres em "duping". Muitos ate', enquanto concorrem ao cargo, encomendam pesquisas para saber o que os eleitores desejam ou desesperadamente necessitam. Prometem tudo mas, depois de eleitos, fazem apenas o que lhes garante a re-eleição ... Esquece o povo! O povo so' serve para atrapalhar, lamentar, reclamar, pedir... Certo! Pra votar também. Que pena que na grande maioria das vezes vota errado. Ou melhor, enganado...
   E o que tem a ver a "panela com o fogão", para não vulgarizar, escrevendo "o cu com as calcas"?
   Acontece que, semanas atrás, quando publiquei uma receita de "pizza de macarrão", prometi que não publicaria outra receita novamente.
   Recebi tantos comentários agradecidos e encorajadores, refentes `aquela receita que, ontem, me senti compelido a publicar mais uma...
   Então veio `a minha mente a determinação do "Ze' do Burro" em cumprir a promessa que havia feito... Minha outra parte, que queria publicar a receita, argumentava que "o padre" se recusou a receber "a promessa", ja' que a mesma havia sido feita a Iansã e como, no filme, a igreja católica não reconhecia o candomble', a promessa era frívola, descecessária de ser cumprida.
   Ai era a hora de fazer um exame de consciência...
   Minha promessa foi pueril?
   Porque, se foi, nada me impedia de publicar a receita.
   Me reportei então ao passado, tentando recordar das promessas que ate' agora havia feito...
   Uma, tenho ciência, não pude cumprir porque não dependia so' de mim. Essa então não valeu...
   Dentre outras, que me vieram `a mente, não consegui me lembrar de nenhuma que tenha descumprido...
   E' claro que, estava levando isso tudo muito a serio. Estamos falando apenas em publicar uma receita de um experimento culinário que superou as melhores expectativas do concebidor e que, certamente traria prazer aos que se aventurassem na reprodução. A quebra da promessa não taria consequências maléficas, não ofenderia a ninguém  e, se mudasse o curso da humanidade, que agora teria mais uma oferta de prazer, aos que assim encaram a culinária como tal, seria apenas para melhor.
   Por certo, se alguém, mesmo que involuntariamente, colocasse na receita, leite de magnésia ao invés de fermento em po', causando assim uma homérica caganeira de incomenssuráveis proporções, ou mesmo a morte dos mais azarados que provassem o resultado culinário, neste caso, nem os malefícios como as consequência, poderiam ser a mim atribuídas, concomitantemente eximindo-me do desliz...
   Mas, como uma promessa deve ser encarada?
   So' algumas devem ser cumpridas ou como dizia o Carlos José de Almeida Prado da Anunciação Tereza dos Pinhais e Albuquerque Lima: "promessa e' promessa!"
   Eu sei que muitos leitores, deleitados pelos resultados da ultima receita, nem se lembram mais que prometi não mais publica-las. Outros, por certo não tomaram conhecimento daquele blog e, assim sendo, não sabem o que foi prometido. Outros tantos, se lambuzariam de prazer, ja' que uma boa dose de molho rescendido, nesta receita abunda...
   Mas e eu? O que penso? Pode uma promessa ser esquecida ou desprezada?
   E os princípios, os valores individuais, não são eles os mesmos independentes das circunstancias?
   E'! Sinto muito! Gostaria de compartilhas com vocês os excelentes resultados que ontem alcancei mas, infelizmente, tenho que cumprir minha promessa...






Copyright 3/2016 Eugene Colin