quinta-feira, 5 de junho de 2014

A CUSADA DA MORTE








                                                         A Cusada da Morte







   Robaldo estava feliz da vida! No dia seguinte pela manha, um Sábado, iria visitar a cidade de Carmo do Rio Claro, MG, não muito longe de Poços de Caldas, onde residia. Resolvera que, este final de semana iria inaugurar sua mais nova aquisição... Um Fusca 1994, serie especial, equipado com catalizador e tudo. Equipamento muito importante em um carro que não possui la’ muitos equipamentos a serem ressaltados como pontos positivos de venda. Mal sabia o dono da agencia que vendeu o veiculo, pobre mortal, que, bem poderia ter guardado sua verborreia comcominante para alguem que não estivesse, por tanto tempo, perseguindo aquele carro que comprou. Finalmente, havia realizado seu sonho de juventude e, esta semana iria com ele, chumbinho, como ja’ havia carinhosamente, apelidado seu “companheiro”, apreciar as belezas de um final de semana no interior de Minas Gerais.
  Chegaria ao destino Sábado pela manha e, voltaria no Domingo, depois de apreciar o sol descansar atrás da represa de furnas que, anos passados, havia “roubado” uma grande parte da cidade que agora a abrigava.
   Como planejado, la’ estava nosso amigo, a caminho do passeio de final de semana... Apreciava seu novo carro da mesma maneira que deixava a paisagem da estrada florida e cheia de curvas também povoar aqueles momentos agradáveis que vivia. Estava curtindo tanto as qualidades de seu carro, que quase lamentou quando chegou ao destino.
   Seu desjejum daquela manha, ao invés do sanduíche de Queijo de Minas com cafe’ e frutas, como habitualmente acontecia, foi substituído por um pastel, que so’ sabia ser de queijo porque estava escrito no guardanapo que o embrulhava, ja’ que o gosto que sentia, a cada dentada, era o do vento, que saia impregnando seu nariz com cheiro de gordura queimada. Acompanhava sua primeira refeição um copo de caldo de cana... E’! O final de semana prometia...
   Assim que chegou `a pousada que o acolheria por dois dias, tomou conhecimento dos pontos turísticos da cidade. O que ver, o que fazer, o que saber sobre a represa, uma vez inimiga da cidade.
   Decidiu para a tarde daquele dia, a conselho do concierge do hotel, participar de uma pescaria onde um residente local, pescador aposentado que ali estava desde os dias de vacas gordas, era o quia.
   Subiu ao seu apartamento para reconhecimento e vestir algo mais apropriado `aquela  “aventura”...
   Assim que entraram no barco, o guia explicava como pescar o Piau, primo distante das piranhas, um peixinho pequeno que fazia parte da maior quantidade de habitantes  das aguas da represa. Como usar no anzol uma isca, feita de massa com queijo parmezao, por incrível que pareca, uma iguaria para aqueles pobres inocentes que morreriam pela boca.
   Ja’ com a barca em movimento, a atenção era total... Seu Buru’, o pescador/guia, se sentia como responsável por aquela turma que não tinha a menor vocação para pescaria.
   Robaldo porem, não estava se sentindo muito `a vontade. Não gostava de pescar e, so’ estava ali porque, aparentemente, era a melhor diversão do local... "Pelo menos, os “pescadores” devolvem as “pescarias” ao seu habitat natural. Menos mal!" Pensava, enquanto com a mão segurando o queixo, olhava evasivamente para as aguas da represa. Não estava se sentindo muito `a vontade mas, o dia quase chegava ao fim e, no dia seguinte, pretendia visitar outras atracões como a serra da Tormenta, as Cachoeiras, o Museu do Indio, depois comer alguns doces locais e voltar pela Ponte Torta, de onde apreciaria de perto a represa de furnas.
   Mas isso era para amanhã... Hoje, o negocio era fazer o melhor de uma decisão mal tomada. Ate’ então, a única coisa que o agradou foi a viagem, a potencia do seu Fusca, a realização de um sonho antigo...
   A barca estava cheia. Nosso amigo, no entanto, estava sentado em um banco lateral, apenas apreciando a natureza e, de vez em quando, tendo sua visão atraída para um dos ineptos pescadores que, aparentemente, disputavam entre si, quem era o pior deles.
   Em dado momento, um cardume de piaus, atraiu sua atencao... Os pequenos peixes pareciam golfinhos, subindo e rescendo das aguas, com suas manchas escuras nas escamas prateadas refletidas pelos raios de sol de final de tarde... Seu Buru’, assim que ouviu o barulho, contrastando com o silencio local, apenas quebrado, vez por outra, pelo grito histérico de Magvalda, uma mulher escandalosa que parecia nunca ter feito nada na vida a não ser acompanhar a novela das seis.
   Robaldo estava tao encantado que, alem de se levantar, ainda debruçou para fora do barco, tentando ficar mais perto da cena deslumbrante.
   Assim que os outros notaram a admiração do admirador, vieram `as pressas para o outro lado, onde ele ainda estava. Nosso amigo, que ainda se distraia com os pobres peixinhos, que talvez houvessem decidido, em uma “reuniao relampago”, fazer algo diferente para distrair a atencao daqueles babacas que não tinham nada mais o que fazer, o que, aparentemente, pela confusão que poderiam verificar, `as vezes que subiam fora das aguas, haviam conseguido.
   Assim que Robaldo percebeu a correria, segurou-se como pode em um dos postes que sustentava a cobertura da embarcação, instintivamente tentando se precaver do que pressentia poderia acontecer, assim que notou uma senhora de proporções ligeiramente avantajadas tropeçou em um balde cheio de iscas, que inadvertidamente encontrara em seu caminho. Procurando equilíbrio, Magvalda, como se lia no cracha’ que ela ostentava no vestido,tentando em vão, abrigar seus seios monstruosos, se segurou no mesmo poste que Robaldo ainda se apoiava e, como um pião, rodou, metendo uma bundada na perna do pobre, que não conseguiu se segurar e caiu, direto, com a cara no lago. Os pobres dos peixes, quase atingidos pelo homem, saíram nadando em disparada e, embora assustados, estavam agradecidos por não serem obrigados a dividir as aguas da represa com aquela senhora que causou o acidente, como puderam observar, bem maior do que aquele homem.
   Imediatamente, jogaram uma bóia para o “passageiro” que, agradecido, segurou-se e foi resgatado. A “senhora” não tinha a menor ideia do que estava acontecendo e, ainda tentava se levantar do chão onde caíra sentada, ricocheteada pelo impacto que quase havia mandado o dono do Fusca “novinho” de volta para a eternidade...
   Infelizmente, ao invés de ver cachoeiras e museus, fotografias antigas, comer docinhos locais, o Domingo foi passado em uma cama da casa de saúde local, so’ por precaução.
   Segunda feira, recuperado do susto e ja’ de volta ao trabalho, admirava seu Fusca da janela de seu escritório, ainda tentando esquecer o acontecido, quando um amigo, batendo em suas costas, perguntava como foi o final de semana...
   Robaldo olhou para trás e, lembrando o pesadelo que vivera respondeu, como se seu amigo houvesse presenciado o acontecido:
-  Olha! Meu amigo! Se eu por acaso não tivesse uma bóia para me socorrer, aquela mulher teria me
   matado... Teria sido a cusada da morte.






Copyright 5/2014 Eugenio Colin.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

LILINHA








                                                                 LILINHA








   Hi folks! remember me?
   Last time I spoke my peace I was only a very little baby. Literally... Well, I’m one year old now.
   I had a beautiful party to celebrate my birthday, with cake, a lot of balloons and a lot of  sparkling candles which, by the way, I didn’t understand... I think it should have only one candle... After all, I’ve turned only one...
   I was wearing a white shirt with gold letters with something written on it on it and, of course, I didn’t know what, since I cannot read yet, and a little pink paper hat on my head, held by a string that was almost choking me and I didn’t know how to get rid of it but, it was okay. I kept it on me anyways. I didn’t want to hurt my parent’s feelings. They planned the whole thin with so much love and care... I walked all over the lawn of a big house... What I didn’t understand was why such a big house like that didn’t have a room with a bed. That day, in one of my walks, I saw my other grandpa, the one with the mustache, sleeping on the floor, the space was big but he did not stretch his legs. Maybe he wanted to leave enough room for my walks but, I think someone could manage to have a bed there, so he could sleep better... Poor man!
   I ate my cake with my hands, as it should be, since I can’t use silverware yet. After the cake, or before, I don’t remember, some one gave me my first house and, best of all, mortgage free. My house came with piano, telephone, stove and all the good stuff. It is a kind of very tight but it’s okay. I liked it! The only thing that upset me a little bit was that I did not get a cell phone. Why? My mom has one, my dad has one, even my grandparents have cell phones. Why can’t I have one too?
   Latter that night, seated on my chair, I had more cakes, this time, little ones, with more candles. I didn’t like that much and gave them to my mom that ate them all. One by one... I also got a big envelope with a card inside with a lot o things written on it. I’m sure they were nice things. I can’t read but I trust my parents.
   My party was really special how my days have been since I came here...
   Now that I’m a little bigger, I made a very important decision... I want to be called Lilinha. This was the name that my grandpa gave me and I like it better than Savannah or Gurgula or Nolilinha... Savannah reminds me of a field with a few trees, Gurgula sounds like a terror movie and Nolilinha makes no sense at all, since I’m here. Besides, my grandpa, the one who lives in another planet,  knows better.
   I also realized that my cat is crazy. She eats herself. Maybe mom doesn’t feed her enough. Sometimes, she looks at me with her strange eyes, when I get near to pet her, she runs really fast and jump over the bed. I don’t know why... She’s crazy!!!
   I also know that my parents already think of my future. I think they want me to be a carpet installer when I grow up, because several times a week they train me, along with other kids, how to roll a very big carpet on the floor. I think, the next thing will be how to use a knife, glue, hammer and other stuff.
   Oh! I’m beginning to know how to swim. My dad takes me to a pool with a bunch of other kids and dads and he teaches me how to float on the water. Sometimes my dad even takes me under the water and I like it. I think that to learn how to swim is very good. Knowing how to swing will prevent me from falling in the pool when I’m running like crazy around it on my little bike, when I get one.
   I have a few teeth now and they help me a lot when I eat McDonald’s fries. Finally I don’t have to chew them and I’m beginning to learn all the goodies of life.
   My mom got much better. I think she replaced her old batteries and now she doesn’t need to recharge several times a day. But I think she’s too bony. Another day I tried to kiss her but I bumped on her leg and I almost hurt myself... What a huge pain on my forehead...
   Also, I’m afraid she will turn into a frog... Sometimes, when watching TV with me, or even playing at the floor, she makes strange noises with her throat. It scares me! I hope she stays like she is now and remains my mom.
   But I know I still have a lot to learn... There are a lot of things that I don’t understand about grown ups. One day I heard my granny saying she needed something too much. She repeated several times: too much, too much, too much... Then, my mom gave her a few tomatoes and she calmed down.... Very strange!
   I’m walking much better now. I’m learning how to run, only a few steps at a time but, I think it’s normal, right? Sometimes I get very tired and I seat on the floor just to have a break and rest for a while. Maybe one day I’ll be able to run like my aunt Nellie.
   Oh! Big news... I’m moving to a bigger house now. It has a nice garage, a swimming pool and a lot of other stuff that they talk about all the time but I don’t understand what are they. My mom and my dad said that the house is very beautiful and is located in a street full of threes. I don’t understand! I didn’t know that numbers could grows on roads. Maybe there are other numbers there too, like ones and fives as well, and they didn’t pay attention...But I trust them and I know I’ll be happy there as I’ve been here, and on the old house I used to live, in front of a jungle.
  





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sexta-feira, 23 de maio de 2014

APRENDIZADO







                                                          Aprendizado








   Candinho era o sujeito mais querido da cidade... Tudo bem que estamos falando de uma cidade pequena mas, mesmo assim, ser o mais querido entre quinze mil habitantes não e’ tarefas das mais fáceis...
   O cara, porem, não tinha sorte. Ele costumava dizer sobre si mesmo que, se não fosse pela falta de sorte, não teria sorte alguma. Mas, era obstinado, persistente, não desistia fácil e achava que decepções fazem parte do dia a dia que vivemos.
   Nem se lembrava mais da ultima namorada que teve. Não porque não gostasse de mulher ou não se interessasse por elas mas, sempre, algo dava errado e a menina se mandava, algumas ate’ com raiva dele.
   Uma vez namorou a Clarisse, menina nova, recém chegada `a cidade, oriunda de São Paulo. A garota era uma espoleta. Gostava de trepar o dia inteiro, se pudesse. Logo no primeiro encontro com Candinho, encontro que ela mesma provocou, agarrou o cara e levou para sua casa em um final de semana, quando seus pais estavam viajando e ela estava sozinha.
  Mal abriu a porta, ja’ no interior da casa, começou a agarrar o “convidado”, beija-lo com volúpia, rasgar sua roupa ao mesmo tempo que se dirigia em direção `a seu quarto. Não havia acendido as luzes para evitar que os vizinhos saberem que ela estava em casa acompanhada, e dias depois não a delatarem para sua mãe, senhora super protetora do interior Paulista que, nem de leve suspeitava que sua filha dava pra todo mundo.
   Assim que chegaram perto da cama, Clarisse, ja’ pelada, se atirou de costas dizendo:
 Vem! Anda logo! Não aguento mais...
   Candinho, ainda com as calcas arreadas em suas pernas, parcialmente impedindo seus movimentos, sem saber por onde andava, com pressa de atender `as necessidades primatas de sua companheira bateu com violência sua virilha em um móvel, oculto em seu caminho pela total ausência de minima claridade, que nunca deveria estar naquele lugar e, não aguentando a tremenda dor, colocou as duas mãos  no local da pancada e começou a gritar de dor.
   Clarisse, desapontada, sentou-se `a cama, olhou para ele, mesmo no escuro, e falou:
 Possa! Eu ainda nem comecei e você ja’ gozou? So’ por me ver pelada? Que especie 
   de homem e’ esse?
   Depois desse dia a menina começou a espalhar pela cidade que Candinho não aguentava mulher. Gozava so’ em vê-las sem roupa. Ele não ligou mas, aquele episodio atrapalhou a vida “amorosa” de nosso amigo por algum tempo.
   Havia porem uma coisa que Candinho odiava... Pássaros!
   O cara odiava toda e qualquer especie de pássaro...
   Quem sabe, devido ao fato de, na sua infância, ter sido obrigado a tratar, diariamente de vinte cinco pássaros que seu pai possuía. Trinta e cinco! Todo o dia! Era mais de duas horas diárias, segundo ele, jogadas forra... Candinho odiava qualquer especie de pássaro!
   Um dia, em seu caminho ao trabalho, notou que D. Berenice, moradora da rua Antônio Carlos Saraiva Dias do Nascimento Paiva Antunes Cabral da Silva Nunes que, embora sendo a menor rua da cidade, era caminho obrigatório, sem alternativa, para quem queria visitar  a Praça da Cachoeira, por sinal, a única por aquelas bandas... A senhora havia comprado um papagaio e, deixava seu poleiro na janela de sua casa, o dia inteiro.
   O diabo do papagaio falava mais do que técnico de futebol `a beira do gramado...
 Bom dia senhor! Dizia o papagaio cada vez que alguem passasse na rua. Ate’ mulher era “senhor” na mente do pássaro.
   Nas primeiras vezes, Candinho apenas ignorou a saudação. Dias depois entretanto, começou a ficar com raiva do papagaio e, por isso, respondia:
 Cala boca, seu filho da puta...
   O papagaio não estava nem ai para a resposta. A ignorava completamente. Talvez não soubesse o que “filho da puta” significasse. O fato e’ que, mesmo depois que noso herói o deixava para traz, o papagaio continuava repetindo: “Bom dia senhor! Bom dia Senhor!
   Com o passar dos dias, a cena se repetia...
 Bom dia senhor!
 Cala boca, filho da puta!
   Foram meses a fio. A cada dia, mais aumentava o ódio de Candinho em relação ao papagaio.
   Com o passar dos meses, o papagaio começou a aprender outras palavras e repeti-las ordinariamente...
   Algum tempo depois, Candinho arrumou outra namorada. Uma que ele respeitava muito, gostava muito, e ate’, algumas vezes, havia pensado em casamento. Purina, era uma moca completamente diferente. Apesar de muito bem dotada, era extremamente pudica, compenetrada, calma e achava que deveria trepar so’ depois que se casasse. Detestava baixaria ou palavrões, desrespeitos com os outros... Candinho não se importava com a diferença radical entre esta e sua ultima namorada. O importante era que achava que estava apaixonado pela Purina e não fazia a menor questão de “comer o bolo antes da festa”.
   Começaram a passear de mãos dadas pela cidade. Era importante que todos soubessem que Candinho gostava da Purina e, eram sérios em referencia`a este relacionamento.
   Estava tao envolvido com Clarisse que nem se dava conta por onde andavam. O importante e’ que sempre estavam de mãos dadas, deixando o mundo saber que tinham um compromisso moral, inabalável, inquebrantável.
   Um dia, sem mesmo saber, passeavam alegremente pela rua da casa onde o papagaio ficava.
   A primeira reação foi de rezar para que o papagaio estivesse com caganeira, dormindo ou, ate’ mesmo, morto. Não queria arriscar que ele proferisse algum palavrão, talvez ate’ um que Clarisse nunca houvesse escutado. Bem possível, neste caso.
   Andavam a passos curtos em direção `a casa do papagaio...
   Agora era iminente. Não havia saída! Agora, o encontro seria fatal...
   Finalmente, apos alguns passos mais, la’ estava o papagaio, em seu poleiro, com um olhar triunfante, como quem sabe que “a guerra esta’ vencida,”
   Andavam vagarosamente em direção `a praça da cidade que se situava a menos de trezentos metros da casa da “maldita ave”.
   Candinho olhou para o papagaio de longe, como se estivesse pedindo  para que os “deuses da baixaria” o protegesse. Pelo menos `a frente da sua namorada.
   Mais alguns passos e Candinho estava a poucos metros do poleiro do papagaio, no alto da janela da casa, onde sempre ficava, andando de um lado para outro, cumprimentando os transeuntes, la’ em baixo. Ainda olhou para ele, pausou e disse:
  Bom dia seu papagaio...
   O papagaio, sem mesmo pensar, olhou de volta, deu aquela andadinha curta que pássaros dão, balançando a cabeça de um lado para o outro e, com a maior simplicidade do mundo respondeu:
-  Aprendeu ne’? Seu filho da puta...






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quarta-feira, 14 de maio de 2014

HOMEM SEM PAU








                                                           Homem sem Pau







   Magda agora trazia dentro de si um dilema... Durante toda sua vida havia guardado tudo de melhor em si, seu amor, sua intimidade, sua virgindade, para presentear a um homem de Pau Grande... Sempre fantasiou que sua em sua noite de núpcias seria praticamente violentada por um homem desvairado que, com um cacete enorme, arrobaria suas entranhas mas, ao invés, teve em naquele dia tao esperado, um homem extremamente delicado carinhoso, cuidadoso que havia conseguido no máximo, com muito custo, fazer cosquinha na sua farfonha.
   Para quem cresceu lendo romances pornográficos, sonhando com concurso de pingolin, descascando cenoura so’ pra se distrair, a situação estava, realmente, totalmente, fora de controle... Não que não amasse seu marido mas, um cacete de cinco centímetros, e isto quando estava duro, era algo muito aquém de suas expectativas... Não tinha certeza que conseguiria viver com esta situação por muito mais tempo.
   E’ claro que não pretendia, pelo menos por enquanto, acabar com seu casamento por uma diferença métrica de apenas uns vinte centímetros que seus sonhos de puberdade idealizavam mas, por outro lado, se fosse ficar o resto da sua vida apenas sentindo cosquinha na periquita, então não precisava de um homem para isso. Ate’ um ventilador “turbo” resolveria o problema.
   No momento, o que precisava mesmo era um pinto grande e grosso que pudesse sacia-la por alguns dias.
   Magda não sabia o que fazer... Não queria ferir os sentimentos de seu marido, mesmo sabendo que com aquele pinto miniatura ele não estivesse conseguindo “ferir” nem pensamento. E agora? E’ claro que não queria sair pela cidade dando para qualquer “cacetudo” mas, também, agora era uma questão de sanidade mental...
   Resolveu então arranjar uma desculpa para ir ao Rio de Janeiro, queria pensar por algum tempo, reorganizar seus pensamentos sexuais, assumir ou desistir...
   Deu um beijo de ate’ logo em seu marido, colocou sua valise no porta-malas do carro e partiu em direção `a alguns dias de reflexão.
   Resolveu se hospedar no Copacabana Palace... Seria so’ por alguns dias e, melhor ainda, pensara, longas caminhadas pelas areias da praia a ajudariam a sossegar o tacho.
   E, assim o fez em seu primeiro dia de volta ao Rio de Janeiro, depois de uma noite mal dormida, quando havia sonhado com cobras, pepinos gigantes, troncos de arvores rolando a ribanceira a a esmagando contra as areias da praia... Traja-se casualmente, como tantos outros que aproveitam as manhãs da cidade correndo pela orla da praia. Calca leg, tênis confortável, peitos esmagados, cabelos presos e óculos escuros...
   Andou! Andou! Andou! Do Hotel ate’ o Arpoador, ate’ o final do Leblon, de volta ao Arpoador, de volta ao Hotel. Estava tao cansada que naquela noite mal conseguira comer algo leve antes de dormir.
   No dia seguinte, ainda exausta, decidira apenas observar os que em sua situação do dia anterior estavam. Debruçou-se `a janela de seu apartamento e olhava para a praia, vagamente... La’ ficou por horas, com a mente vagando, absolutamente em duvidas do próximo passo a ser tomado. Resolveu se produzir toda e sair para jantar em um dos muitos restaurantes que se aproveitavam do cenário magnifico para cobrar preços absurdos por refeições minusculas `a título de serem sofisticadas.
   Toda bonita e cheirosa, desacompanhada em uma mesa de restaurante era o suficiente para atrair a atenção de todos os que, casualmente e notavam.
   Magda estava tão concentrada em seus pensamentos que nem percebia o quanto se fazia notar.
   Terminada a refeição, resolveu voltar `a pe’ para seu hotel, não muito longe de onde estava...
   Não havia dado mais de dez passos quando levou uma porrada no ombro que a estabacou de cara no chão. O homem que a acidentou, muito cavalheirescamente quase se ajoelhou pedindo desculpas. Ajudou-a a levantar e se ofereceu a leva-la de volta ao hotel em seu Mercedes-Benz conversível que fizera questão em mencionar que possuía. Magda não aceitou. Disse que estava próximo `a seu hotel e que estava bem, conseguiria caminhar sozinha embora com o rosto e uma das mãos ligeiramente cortados... O homem porem, “atencioso” como ninguém, pediu que sentassem por alguns minutos em um dos bancos do calcadão, so’ para se certificar que ela estava realente bem, antes de seguir seu caminho.
   Funcionou!
   Conversaram por quinze minutos, meia hora, duas horas... A esta altura ja’ sabiam bastante um sobre o outro. Magda não escondeu que era casada e que ali estava `a procura de um caminho a seguir, na encruzilhada em que seu casamento estava... Cornelio, nome do homem, disse que estava, finalmente, naquele dia fazendo juz a seu nome pela primeira vez...
   Conversa vai, conversa vem, confissões confessadas, confissões escutadas, Magda convidou o estranho para acompanha-la ate’ seu hotel. Quando la’ chegaram, Cornelio se ofereceu a leva-la ate’ a porta de seu apartamento e ela aceitou...
   Asim que ela encostou o cartão na fechadura e se voltava para trás, seu companheiro ocasional tascou-lhe um beijo que quase a fez desmaiar. Magda nem pensou no casamento, marido, dignidade, porra nenhuma... A única coisa que queria era sentir emoções ainda ignoradas.
   Os dois andava em direção `a cama ao mesmo tempo que se livravam de suas roupas `a medida que avançavam em direção ao destino. E tome beijo, passar de mãos, segura aqui, encosta ali, ate’ que finalmente se deitaram...
   Magda ja’ estava toda molhada, ansiando pelo prazer que seu marido ainda não havia conseguido lhe proporcionar, quando, acariciando as pernas de Cornelio, diga-se de passagem mais lisas que que as suas, chegando ao lugar onde estaria o que procurava, percebeu que seu marido parecia um “gigante” em comparação ao que apalpava. A esta altura, seu companheiro, passando a mão por seus cabelos, trazia ente os dedos a peruca masculina que usava... Naquela euforia e mistura de sensações, passava por frações de segundos pela mente de Magda que o cara era careca e tinha vergonha do fato. Depois, instintivamente tentando se acalmar e, possivelmente se preparando para enfrentar a cruel realidade, reparou que o homem tinha seios no local onde deveriam estar músculos...
   A esta altura, sentou-se `a beira da cama, colocou a cabeça sobre as mãos que, com os cotovelos apoiados sobre seus joelhos ajudavam a suportar todo o peso daquela decepção, traição, expectativa frustrada, e tudo mais que `aquele momento sentia.
   Virou em direcao `a Cornelio, que confessara ser Cornélia, em busca de uma explicação. O que ouvira foi algo inusitado... Seu companheiro confessou ser um transgender que se passava por homem para conseguir conquistar mulheres, na esperança que, no processo, alguma delas decidisse tentar, e acabar gostando de sua companhia.
   Magda esta indignada. “Porra! Que azar!” Pensava em voz alta...
   Cornélia ainda tentava se explicar, concomitantemente com sua caracterização masculina que ja’ havia começado a reestruturar, aos sons de “Sai daqui!”, Sem vergonha!”, “Canalha!”... Ate’ “Filho da Puta!” deixara escapar...
   Finalmente, ja’ `a porta do apartamento, pronto para deixar Magda novamente com seus problemas, talvez, em seu egoismo, sem ter percebido que havia contribuído para o agravamento deles, ainda falou:
-  Sou apenas uma mulher diferente, também `a procura do amor...
   Magda, sem piedade, olhou para "ele" e gritou:
-  Você não e’ e, nunca sera’ uma mulher! Você não passa de um homem sem pau.




 Copyright 5/2014 Eugenio Colin
  
  

quinta-feira, 1 de maio de 2014

MAIS PENSAMENTOS...









       
                                                   Mais Pensamentos








- Faz uma semana que não falo com a minha mulher ... Não gosto de interrompê-la.

- Sempre peça dinheiro emprestado à um pessimista... Ele não espera ser pago.

- Consciência é aquilo que dói, quando todas as outras partes do corpo se sentem tão bem.

- O dinheiro é a raiz de todo mal. Para obter mais informações,  envie R$ 10.

- Após décadas de estudo ficou comprovado... Casamento é o principal motivo dos divórcios.

- Dizem que todo mundo merece uma segunda chance. Eu ficaria satisfeito com a primeira.

- Salário mínimo é como menstruação, vem uma 1 por mês, dura 3 ou 4 dias e, se
  atrasar, deixa todo mundo louco.

- Tem um corno lendo essa frase. Ele vai ler até o fim porque além de corno é curioso e
  vai confirmar isso dando uma risadinha.

- Querida bebida, tínhamos um acordo de que você me deixaria engraçado, inteligente
  e me faria dançar melhor. Vi o vídeo! Precisamos conversar...

- Um pobre com pinto pequeno disse: Tamanho não e' documento e dinheiro não traz felicidade.

- Sabe a hora em que dá aquela vontade de arrumar a casa e lavar a louça ... Pois é ... Eu também não!

- Quem nunca teve dor de barriga num ônibus, não sabe o significado literal da
  expressão: "cagando e andando".

- Sinto você me chupando, seu gemido me enlouquece... Procuro o teu corpo e não acho. Acendo a
  luz e digo: "Agora te pego pernilongo desgraçado!"

- Não entendo como alguém pode ser viciado em drogas, em um mundo que existe
  chocolate e internet."

- Joãozinho, diga uma frase com a palavra formatar: "Fessora, leve esta faca se acaso
  formatar alguém."

- A primeira amnésia a gente nunca esquece!

- Sexo é igual vestibular, não importa a posição, o importante é estar dentro!

- Mulheres gostosas estão sempre conectadas no mundo... Elas tem Bunda Larga.

- A vida se resume a quatro frascos: Mamadeira, Coca-Cola, Cerveja e Soro.

- João, beije minha mão. José, beije o meu pé. Jacinto, por que você esta’ fugindo?"

- Herança é aquilo que os mortos deixam para que os vivos se matem.

- Dizem que quem tem boca vai a Roma. Meu fogão tem 4 e nunca saiu da cozinha.

- A maior arma contra a tristeza é sorrir. Mas se você for banguela, é melhor ficar triste.

- Quem inventou o trabalho não tinha mais nada o que fazer.

- Quando você sair de casa e um pombo te cagar na cabeça, agradeça a sua sorte por
  vacas não voarem."

- Não há dia melhor do que hoje, para deixar para amanhã o que você não vai fazer nunca!

- Nasci careca, pelado e sem dentes, o que vier é lucro...

- Nas horas difíceis da vida, você deve levantar a cabeça, estufar o peito e dizer de
  boca cheia: "Agora fodeu!"

- Chato é o sujeito que fica mais tempo com você, do que você com ele.

- Se barba fosse sinal de sabedoria, o bode não tinha chifre."

- Os velhos costumam dar conselhos porque já perderam a capacidade de fazer cagada.

- Dieta da sopa: Deu sopa eu como!"






Copyright 3/2014 Eugenio Colin.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

AYRTON SENNA DO BRASIL








                                                     Ayrton Senna do Brasil








   No dia de hoje, primeiro de maio, em 1994, ha’ exatamente vinte anos atrás, o mundo perdia um dos maiores pilotos do automobilismo de todas as épocas, e o Brasil chorava em harmonia.
   Nunca mais as manhas de Domingo seriam as mesmas...
   O Brasil ja’ havia conquistado campeonatos de automobilismo antes mas nunca, ninguém, levantou tao alto e com tanto orgulho a bandeira de seu pais.
   Ayrton Senna começou a correr de Kart ainda jovem. Não conseguia pilotar na chuva. Todas as vezes que disputava uma corrida em pista molhada, derrapava, pedia o controle do carro e a corrida. Por isso mesmo, começou a treinar apenas na chuva e São Paulo, sua cidade natal, era o local propicio para isto. Aprendeu todas as nuances de como controlar derrapagens, tirando vantagem delas, usava a aquaplanarem para impulsionar seu carro...
   Em 1981 foi Campeão de Formula 3. Em 1984 fez sua primeira corrida de Formula 1 no Grande Premio do Brasil, quatro dias apos ter completado 24 anos. Ainda na temporada de 1984, correndo por uma equipe de parcos recursos, o mundo conheceria nosso campeão definitivamente... Em uma corrida disputada sob chuva torrencial em Monte Carlo, apos ter se classificado em decimo terceiro lugar no grid e, enquanto a muitos dos pilotos desistiam, Ayrton Senna passava um por um ate’ que na trigésima volta, Jacky Ickx, ex-piloto Belga, diretor daquela prova, amigo do piloto que liderava a corrida, deu a mesma por encerrada, no exato momento em que este era ultrapassado por Senna, consequentemente dando a vitoria a seu “amigo”, que colecionou apenas a metade dos pontos devido `a corrida não ter sido completada em sua totalidade de voltas. Ironicamente, isto fez com que o “amigo” perdesse o campeonato por apenas meio ponto. Outro show de pilotagem foi dado por Senna no grande premio de Portugal em 1985. Claro! Sob chuva. Em 1993 os organizadores estavam preocupados por ter decidido levar o Grande Premio da Europa para Donington Park onde diziam ser praticamente impossível uma ultrapassarem. Ayrton Senna ultrapassou quatro pilotos antes do final da primeira volta. Esta corrida e’ ate’ hoje conhecida no mundo do automobilismo como  “A corrida da volta perfeita”. Alguns pilotos precisaram de sete pit stops para trocar os pneus de chuva/lisos, dependendo das mudanças climáticas ao longo da corrida, enquanto Senna corria com a maior naturalidade, ignorando obstáculos que frustravam os outros pilotos. Ao final da prova um repórter conversando com um engenheiro de equipe falou: “definitivamente, desse planeta ele não é”. E o engenheiro respondeu: “disso eu nunca tive dúvida!”
   Assim era Senna... Parecia que ela fazia suas próprias regras... Frases que falou, tais como: “Segundo e’ o primeiro dos perdedores”, “Meu limite e’ um pouco alem do dos demais”, “Se você tem Deus a teu lado, tudo se torna claro”, “Dinheiro e’ um negocio engraçado: quem não tem o persegue. Quem tem, esta’ cheio de problemas.”, “Nao nasci para ser segundo.”, ficaram famosas através dos anos a ate’ hoje são lembradas.
   Muito alem de sua carreira maravilhosa e incomparável, Ayrton Senna era um herói nacional. Ele tinha o poder de parar uma nação , reunir milhões de pessoas e,  em frente a um televisor e fazerem todos sentir orgulho de serem Brasileiros.
   Não so’ no Brasil, ele era idolatrado. Perguntem a um menino Japonês quem e’ Ayrton Senna e você vai ficar surpreso com a resposta... Faca a mesma pergunta a um menino Italiano ou, quando estiver em qualquer outro pais da Europa, pergunte a qualquer pessoa quem foi o maior piloto que já correu em Formula 1... A resposta vai ser sempre a mesma.
   O Pais estava apenas “acordando” de uma revolução e Ayrton Senna deu sua contribuição inestimável ao retorno da normalidade. Ayrton era o Brasil que dava certo. O Brasil que ganhava, o Brasil que era respeitado, o Brasil que o mundo começava a ver com outros olhos.
   Em 2009 a revista Auto Esporte consultou 217 pilotos que passaram pela Formula 1 e Ayrton Senna foi nomeado por eles como o maior piloto de todos os tempos. A BBC também o elegeu como o mesmo título quando declarou em um edital: “Provavelmente nenhum piloto da Fórmula 1 tenha se dedicado mais ao esporte e dado mais de si mesmo em sua rígida busca pelo sucesso. Ele era uma força da natureza, uma combinação incrível de muito talento e, em alguns casos, uma determinação
espantosa.”
   Um dono de uma equipe famosa, declarou uma vez que; “Senna era, fora das pistas um homem muito maior do que dentro delas...”
   No dia primeiro de maio de 1994, quando liderava o Grande Premio de San Marino, a barra de direção se quebrou fazendo com que ele perdesse o controle de seu seu carro batendo violentamente na proteção da curva Tamburello... O resto, todos nos sabemos... O que muitos não sabem e' que atrás da curva existe uma estatua de bronze onde os Italianos freqüentemente visitam e prestam sua homenagem a quem, como nos, também consideram, o maior piloto automobilístico de todos os tempos. Também, vale lembrar que a ultima escuderia pela qual correu, exibia ate' a data de vinte anos de sua morte, o duplo S que ele tornou famoso, no bico de seus carros. No dia primeiro de maio, em sua homenagem foi afixado no mesmo local um stecker onde se lê: "Ayrton Senna sempre."
   Durante toda sua carreira, Ayrton Senna doou milhões de dólares para ajudar `a crianças necessitadas. Pouco antes de sua morte ele criou a estrutura de uma instituição dedicada `as crianças pobres Brasileiras, tornando-se mais tarde o Instituto Ayrton Senna, ate’ hoje, cada vez mais envolvido na educação de carentes.
   Todos os que tiveram a oportunidade de ver Senna em acao sabem da alegria de ouvir um tema musical criado especialmente para tirar suas vitorias de um contexto casual e dar `a elas a importância que mereciam.
   Quem ainda não teve a sorte de ver uma corrida de Formula1 com Ayrton Senna em um Cockpit deve procurar rever, em um dos muitos arquivos digitais disponíveis... O que eram as manhas de domingos no meio dos anos oitenta e inicio dos noventa, quando o Brasil era, quase que semanalmente, colocado em um dos pódios mais altos onde jamais esteve.
   Aquele menino, uma vez franzino, que nos encantava tanto, tinha o poder de acordar uma nação para com ele comemorar vitorias inesquecíveis.
   Quando chegou ao Brasil pela ultima vez, nosso herói foi recebido com honras de chefe de estado. Em sua homenagem, foi decretado luto oficial por três dias e, estima-se que mais de um milhão e maio de pessoas ocupavam as ruas de São Paulo, por onde seu cotejo passava, para poder agradecer, pela ultima vez, tantas alegrias, tantas vitorias, tanto patriotismo.
   Em 2014 foi tema do enredo de uma escola de samba do Rio de Janeiro e, como não podia deixar de ser, ganhou novamente.
   E’ possível que seus records sejam eventualmente superados mas ninguém, nunca, conseguira superar seu carisma, sua idolatria, seu charme e nunca mais ninguém tera’, de maneira tao definitiva, incorporado ao seu, o nome do pais onde nasceu.
   Ayrton Senna foi o maior e mais completo embaixador que seu pais ja’ teve... Ele sempre teve orgulho em dizer que era Ayrton Senna do Brasil...






Copyright 5/2014 Eugenio Colin

sábado, 26 de abril de 2014

MOTOCICLETA









                                                           Motocicleta







   Rolando Caio da Rocha, mais conhecido por seus amigos como “Machucado”, não se sabe porque, se sentia o jovem mais feliz do mundo naqueles dias. Havia realizado o grande sonho de sua vida desde que “aposentou” sua Gulivette, companheira fiel que o levara varias vezes, quando ainda era quase um menino, `as praias da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. E’ bem verdade que na subida tinha que pedalar pra cacete mas, ele não ligava. O importante e’ que conseguia ir `a praia, se divertir com seus colegas e ficar bronzeado para tentar impressionar, e muitas vezes conseguindo, as meninas com as quais iria dançar nos bailes de Sábado `a noite, no clube social que frequentava semanalmente.
   Machucado havia conseguido, depois de muita economia, comprar sua Yamaha Dragstar 1100. A moto era uma jóia, para quem gosta... Embora fabricada cinco anos atrás estava novinha, com pintura original, sem um arranhão. Brilhava mais do que os dentes do “Boca de Ouro”... O sonho de consumo de Machucado e de muitos de seus amigos. Tinha ate’ aqueles fiapinhos de couro nas manoplas, característicos das motos americanas pristinamente equipadas.
   O para brisa era de acrílico translúcido, faróis de milha, mata-cachorro e tudo mais que uma moto de categoria internacional tinha direito.
   Ja’ por algum tempo nosso amigo sonhava com os passeios que seriam possíveis com sua nova moto, as cidades vizinhas da sua, no Sul de Minas Gerais, estado que resolveu tomar emprestado como seu, para fugir `a violência das megalópoles onde viveu grande parte de sua vida.
   E’ claro que a infância livre, feliz e despreocupada de seus dias de menino no Rio de Janeiro havia ficado para trás há muito tempo. assim sendo, otimista como era, ao invés de sentar em casa em frente `a televisão, abrir a caixa de sapatos cheia de fotos do passado e se lamentar por uma realidade fora do alcance de seu controle, resolveu procurar outra cidade para viver, com mais liberdade, maior segurança, menos problemas.
   Não teria mais a Barra da Tijuca, nem os bailes de sábado `a noite...
   Em compensação, as estradas sinuosas e cheias de curvas sombreadas por arvores, cujas folhagens, embaladas bela brisa fresca e suave, que fazem parte da região, exalavam um perfume magnifico jamais sentido em suas milhares de viagens de adolescente em seu rumo `a praia.
   Quanto a Sábado `a noite, O máximo que poderia conseguir em uma cidade do interior era um forro’ na praça principal da cidade, animado por musicas sertanejas. Mas, ate’ isso ja’ estava fazendo parte de sua nova realidade e, depois de alguns meses vivendo na local que escolhera, ja’ estava se acostumando aos seus novos sons.
   Os anos haviam, inexoravelmente, substituído Tom Jobim por Michel Telo’, Toquinho e Vinícius de Morais por Fernando e Sorocaba, Ivan Lins por Luan Santana, Gál Costa por Paula Fernandes, Emílio Santiago por Guilherme e Santiago, e assim por diante... Talvez fosse melhor para Machucado esquecer suas preferências musicais  e se concentrar mais em sua nova moto.
   Porem, apesar de todo o excitamento e sensação de sonho realizado, havia uma coisa que o incomodava muito mas, com a qual teria que conviver, pelo menos por algum tempo, devido `a sua total incapacidade financeira em resolver o problema. A moto estava com o escapamento totalmente aberto, consequentemente muito barulhenta, fato que o entristecia profusamente mas que teria de ser compensado em sua mente pela alegria que em geral o dominava.
   Seu primeiro desejo, naquela manha de Sábado, era o de levar Aurélia Pulquéria, sua namorada, para uma volta pelas estradas bucólicas da região.
   Ao chegar `a casa da namorada, assim que ela o viu usando um casaco de couro, segurando um capacete que ostentava a mesma cor da moto, começou a pular de alegria... Sabe la’ o que e’ isso! Namorar um jovem da cidade grande, bonito pra caralho e ainda mais dono de moto... Isso era o sonho de adolescente de qualquer menina daquelas bandas... A garota pulava mais do que carro em estrada de chão esburacada do interior. Os gritos eram tantos que sua sua mãe chegou `a porta para se certificar que sua filha estava bem... A coroa ate’ deu uma olhadinha na linda moto... Provavelmente  havia pensado: “Se um garoto bonito como esse me poe numa garupa de moto, vou dar tanto pra ele que ele não vai conseguir nem fazer xixi no minimo por duas semanas.”
   A sorte do Machucado e’ que ninguém consegue ler pensamentos... Assim sendo, pegou sua querida Pulquéria pela mão que, diga-se de passagem, era bonita pra cacete e tinha um par de coxas de fazer muita popozuda morrer de inveja, alem dos peitos que mal cabiam dentro do sutiã... O cara tava com sorte. Tinha a moto de seus sonhos e uma lindas namorada pra andar com ele.
   Saíram felizes pelas ruas da cidade ate’ alcançarem a estrada que os levaria `a cidade vizinha.
   A paisagem era maravilhosa, o sol sombreando a estrada com reflexos de folhas, cerejeiras, hortênsias, acácias caídas no chão ainda emprestavam seu perfume aos que suas lindas flores caídas feriam...
   Aurélia esmagava seus peitos contra as costas de seu namorado ao mesmo tempo em que ele passava a mão na coxa da garota que ja’ estava ate’ babando, no local adequado, e’ claro!
   Em dado momento, em meio aquele momento magico, Aurélia diz para o seu namorado:
-  Essa tua motocicleta faz um barulho filho da puta.
-  O que? Perguntou Machucado.
-  Essa tua motocicleta faz um barulho filho da puta. Repetiu ela.
 - O que? Disse novamente o rapaz.
-  Essa tua motocicleta faz um barulho filho da puta. Falou ela, mais alto desta vez.
-  Como e’ que e’? Respondeu ele, quase gritando.
-  Essa tua motocicleta faz um barulho filho da puta. Disse Aurélia novamente, desta 
   vez gritando `a todos pulmões.
   A esta altura, tentando entender o que sua namorada queria dizer virou a cabeça para trás e disse, gritando:
-  Porra! Fala mais alto que essa minha motocicleta faz um barulho filho da puta..






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