segunda-feira, 21 de abril de 2014
HOMEM DE PAU PEQUENO
Homem de Pau Pequeno
Magda Magdalena Morgado estava muito feliz. Resolvera aproveitar seu mês de ferias para visitar Pau Grande, RJ, sua cidade natal. Tinha certeza que, desta vez encontraria o que sempre buscou em sua vida, para sua felicidade, um homem de Pau Grande.
Havia saído da cidade muito nova e a primeira impressão que teve, ao chegar, e’ que tudo era tão pequeno...
As ruas estavam estreitas, as casas coladas umas nas outras... Ate’ a pracinha da cidade parecia ter encolhido em sua percepção de mulher que deixou a cidade quando menina e voltava agora depois de viver tanto tempo em uma cidade muito maior e mais agitada.
Percebeu também que a cidade estava mal cuidada, abandonada, suja.
Sua ideia, em principio, quando deixou o Rio de Janeiro, era de encontrar o amor de sua vida, casar, e aqui ficar mas, agora, depois de algumas horas, ja’ não tinha tanta certeza de que queria voltar a viver em Pau Grande definitivamente.
A casa onde nasceu e foi criada ainda estava la’, no mesmo lugar, intacta, a não ser pela inexorável ação nos anos...
Resolveu ficar no pequeno hotel local, pelo menos por alguns dias, ate’ que pudesse providenciar a limpeza de sua propriedade.
No dia seguinte, bem cedo, depois de contratar a limpeza, saiu em busca de velhas amigas.
A primeira que encontrou foi Ava Gina, agora casada com duas filhinhas; a maior se chamava Ava de cinco anos e a menor Gina, com apenas dois aninhos... Foi uma festa! As duas pularam e se abraçaram que nem duas galinhas no terreiro...
Ali mesmo soube das grandes novidades e fofocas da cidade.
Tonico, um menino ate’ jeitoso que tinha mania de beijar todas as maninas da cidade havia se casado com Marcelo, filho da Puglia, uma senhora Italiana que morava ao lado do Educandário.
Jairo, faxineiro da lanchonete, agora era o Prefeito da cidade.
Adelicia do Pinto Velho havia se casado com o filho da Alice Barbuda, quem era 30 anos mais novo do que ela e, o pior, quer dizer, o melhor e’ que os dois viviam demonstrando seu amor em todos os bancos e arvores da cidade. Ja’ haviam sido presos mais de cinco vezes por atentado ao pudor...
Numa dessas vezes, por falta de vaga, colocaram os dois em uma mesma cela. Menos de meia hora depois, quando o delegado flagrou os dois trepando no chão da cela, chamou um guarda municipal e ordenou que levassem os dois ate’ em casa, so’ para ter certeza que não atentariam ao pudor mais uma vez, pelo menos no mesmo dia. Havia porem uma razão para isso... Adelicia era gostosa pra cacete e tinha uma bunda de dar inveja a qualquer mulher. Agora! Adivinha qual era a tara do marido? Pois e'!...
Depois de colocarem as fofocas em dia resolveram visitar Gravitolina Lino, outra amiga de infância... Perderam o dia e a noite toda em reminiscências agradáveis e engraçadas.
No dia seguinte, tratou de supervisionar a limpeza de sua antiga moradia que, para sua surpresa, estava melhor do que esperava, mesmo depois de tantos anos de negligência.
Em menos de uma semana ja’ estava hospedada em sua própria casa.
Havia organizado um encontro onde pretendia rever todos que com ela cresceram naqueles dias distantes...
Ouvira dizer, por uma das convidadas que era a primeira reunião daquele tipo que acontecia na cidade ha’ anos... Comida e bebida `a vontade, encontros agradáveis, recordações saudosas marcavam aquela reunião.
No meio da noite, quando Magda saia do banheiro da sala, ainda ajeitando as calcinhas por cima da saia, deu de cara com um homem lindo. O mais lindo que jamais havia visto. Alto, forte, olhos azuis, cabelos negros... Um Pão!
Ao encarar o cara ate’ engasgou com um pauzinho de sacanagem que ainda trazia `a boca. O homem, verdadeiro cavalheiro, se desculpou imediatamente e abriu um enorme sorriso para a anfitriã.
- Meu nome e’ Carlos. Falou.
- Tudo bem Carlos? Eu sou Magda, dona da casa...
- Que bom te conhecer Magda... Mas você mora aqui? Sempre passava pela rua e via
a casa fechada.
- A verdade e’ que moro no Rio. Vim aqui para limpar a casa e faze-la minha casa para
finais de semana. E você? Mora aqui?
- Mudei para ca’ com meus pais ha’ três anos para acompanha-los. Um dia estava na praça
reclamando que a cidade era suja, um homem que se apresentou como o prefeito, quando soube que
eu era urbanista, me contratou e aqui estou...
- E você gosta daqui?
- Gosto! A cidade e’ calma... Esta’ meia abandonada mas e’ para resolver isso que
estou aqui.
Magda estava perplexa. O homem era justamente o que sempre havia sonhado e jamais esperava encontrar naquela cidade. E, aparentemente, Carlos também havia simpatizado com ela, ja’ que não “desgrudaram” a noite inteira.
O dia estava amanhecendo quando Carlos se despediu de sua anfitriã, não antes de marcar um próximo encontro...
Em uma semana o novo conhecido ja’ frequentava a casa de Magda. Alem de tudo, o homem cozinhava como ninguém e, melhor ainda, fazia questão de lavar os pratos e arrumar a cozinha antes de se dirigirem a sala para tirar sarro ate’ o fim da madrugada.
Apesar das caricias eróticas que trocavam, Carlos era um cristão fervoroso e acreditava que sexo, so’ depois de casados.
Se fosse por Magda, ela tinha dado no primeiro dia mas, aquela altura dos acontecimentos ja’ estava ate’ pensando em casamento. Por mais que procurasse, não via nada de errado em seu novo conhecido.
O mês de ferias foi muito melhor do que poderia esperar e, como tudo que e’ bom, passou rapidinho.
Foi com lagrima nos olhos que comunicou a seu amigo que deixaria a cidade em apenas dois dias. Este, por sua vez, havia acabado de descobrir quer sua vida não seria a mesma sem a companhia de Magda. A noite foi triste, contrastando com tantas outras, vividas em um ambiente de descontração e alegria.
Ao se despedirem `aquela noite, Magda ainda pensou: “Nao e’ tao longe do Rio. Posso vir aqui sempre...”
No dia seguinte, sete horas da noite, como havia acontecido quase todos os dias daquelas ferias, la’ estava Carlos, com um buquê de flores, `a porta da casa de Magda que o recebeu com carinho, pulando em seu pescoço, o cobrindo de beijos enquanto agradecida, colocava as flores no sofa’, notando porem que ele estava com um semblante solene e introspectivo.
- Tudo bem? Indagou ela.
Ao invés de responder, Carlos ajoelhou no chão e disse:
- Magda! Não tenho como deixar você ir embora e arriscar perde-la para outro.
Embora te conheça a menos de um mês, tenho certeza que você e’ a mulher da
minha vida. Não sei como viver sem você. Por isso, queria a honra de te-la como
minha esposa. Se aceitar, prometo que farei de você a mulher mais feliz do
mundo, e isso seria minha maior felicidade. Poder viver para te fazer feliz.
- Aiiiiiiiiiiiiiiii ! Foi a única coisa que Magda conseguiu dizer ao cair sentada justamente
sobre os espinhos das rosas que Carlos lhe havia presenteado...
O cara olhou para ela sem saber o que fazer quando ouviu:
- Ta’ doendo muito! Acho que entrou espinho na minha bunda...
Infelizmente, desta vez não havia o que fazer... Embora contrariado, Carlos teve que tirar a calcinha de sua amada e com uma pinça que resgatara do armarinho do banheiro, começar a extrair os "intrusos" cravados `as nádegas de sua amada. Depois de uma inspeção cuidadosa e verificar que nada mais estava enfiado na bunda da namorada, colocou, com todo respeito, compressas de arnica com sal para aliviar a dor de sua amada.
Sentindo-se melhor, ainda deitada na cama, com o cu pra cima, Magda disse que ficaria muito feliz em casar com ele.
Em menos de um mês tudo estava preparado. A festa foi o maior acontecimento da cidade desde que Garrincha se sagrou campeão pelo Botafogo em 1967.
Finalmente, o grande dia chegara. Magda estava doida para dar para um homem de Pau Grande.
Depois da festa que durou quase ate' o sol nascer, ainda deixando tudo do mesmo jeito que os convidados haviam largado, garrafas vazias, pratos com restos de salgadinhos e cheios de resquícios de sacanagem, guadanapos pelo chão, uma verdadeira zona, nervosamente, se preparava para dormir, quer dizer, trepar, colocando um lindo Baby Doll que não escondia absolutamente nada.
Com o coração quase saindo pela boca se deitava ao lado de seu, agora esposo, o qual a esperava ansiosamente.
Começou a acariciar aquele corpo sensual de atleta, deslizando sua mão delicadamente por seu pectus, abdome, ate’ chegar ao seu pênis...
Então, não pode se conter quando viu, para sua surpresa um pinto que com benevolência não passava de cinco centímetros. "Mas os homens daqui deveriam fazer jus ao nome da cidade... Xi! Mas ele não nasceu aqui... E agora?" Pensava em silencio...
Esperava, pelo menos, que aqueles cinco centímetros resolvessem seu problema. E’ claro que amava seu marido e nada a impediria de ser feliz. Nem o fato de ter se casado com um homem de pau pequeno.
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segunda-feira, 14 de abril de 2014
JILO'
Jilo’
Padre Jose’ Maria Guardanapo acabar de assumir a posição de pároco de Jijoca de Jericoacoara, pequena cidade do norte do Ceara’ com apenas 17 mil habitantes.
Era um grande desafio para qualquer um que se candidatasse ou fosse obrigado a assumir tamanha responsabilidade... Todos diziam que a cidade era a campeã do pecado do estado. Era um tal de homem com homem, mulher com mulher que dava ate’ medo.
Parecia que todo homem era bicha e toda mulher, sapatão.
Mas, Padre Guardanapo não via nada de anormal, pelo menos `a primeira vista. Apenas mais uma tarefa igual a muitas outras que teria de cumprir em sua longa vida de missionário dedicado ao trabalho pastoral.
Assim que assumiu suas novas funções, tratou de organizar a igreja e comprar dois confessionários, ja’ que ali não existia nenhum e, eles seriam imprescindíveis para a concretização da nova campanha que estava começando a planejar mentalmente.
A época não era das melhores para iniciar uma tarefa de redenção daquela cidade endiabrada. Estavam a apenas uma semana do carnaval...
O pároco não queria nem pensar no que iria acontecer na cidade naqueles dias pecaminosos e permissivos.
Mas, pensando melhor, talvez essa fosse uma ótima oportunidade para catapultar costumes cristãos.
Em sua mente prolifera ja’ ate’ imaginava slogans para a campanha a que se proporia. Frases como; “O Inferno e’ quente pra caralho, o Céu tem ar condicionado”, “Ande nas nuvens! Literalmente!”, “Troque seus muitos pecados por poucas oracoes”, “Fale comigo! Te dou uma carona para a vida eterna”, “Quanto maior o prazer da carne, maior o fogo no rabo...”, já passeavam em seus pensamentos...
Foi muito difícil para um homem beato como Guardanapo, conseguir ver tanta mulher pelada nos desfiles das escolas de samba. Mas, com fe’, conseguiu superar a tentação.
Aquela Quarta-feira de cinzas, tao ansiosamente aguardada chegou e, com ela, o inicio de seu plano para a evangelização daquelas almas perdidas.
Apesar de todo dia usando os alto falantes da Igreja `a todo volume, apenas algumas pessoas compareceram para a cerimonia das cinzas.
Como um verdadeiro otimista que era, ele pensava, talvez num processo de ocultar de si mesmo sua enorme frustração: “Melhor cinco do que nada”.
Aos poucos, com muito trabalho, muita conversa, muita promessa que nem ele mesmo sabia se poderia ser cumprida, alguns gato-pingados começaram a aparecer para se confessar... Um dia, um dos jovens que captou sua atenção por ser muito forte e bonito apareceu para se confessar. O Padre entrou no confessionário, ainda cheirando a novo e falou:
- Qual o seu pecado meu filho?
- Padre, eu comi Jilo’... Disse o rapaz.
- Filho! Comer Jilo’ não e’ pecado... Acho que nem e’ gula... Se ajoelha ao altar, reze
uma Ave Maria e pode ir em paz... Disse Guardanapo.
No dia seguinte, uma linda Jovem, morena olhos verdes, um par de coxas pra ninguém botar defeito, que poderiam ser admirados mesmo por trás das arestas de um confessionario pediu para se confessar.
La’ foi Padre Guardanapo novamente para seu confessionario ainda cheirando a novo e falou:
- Qual o seu pecado minha filha?
- O Agenor Padre... Disse a moça.
- Que tem o Agenor filha?
- Ele ta’ doido pra me comer e o pior e’ que eu também to doida pra dar...
- Minha filha! Sexo so’ deve ser administrado depois do matrimonio...
- Seu Padre, O que e’ administrado?
- Quero dizer que so’ os casados podem manter relações sexuais livremente...
- E’ fácil pro senhor que e’ padre e não gosta de pinto... Todas minhas amigas ja’
deram pra ele e dizem que ele tem um cacete enorme. Eu ja’ não aguento mais. To
subindo pelas paredes meus dedos já estão ate’ com calo de tanto... O senhor sabe...
- Eu entendo minha filha! Você que dizer que sua vagina ja’ esta toda ferida pelas
masturbações frequentes que você administra em si própria...
- Bem! Eu ia dizer que minha boceta ta’ toda assada e eu to com os dedos inchados
de tanto coçar a farfonha mas, tudo bem...
- Minha filha, tente resistir `as tentações... Reze dez Ave Marias, dez Padre Nosso, dez
atos de contrição, va’ em paz e não peque mais...
- Aí Padre! Vamos fazer um acordo... Eu rezo três Ave Marias, três Padres Nosso e fica
por ai. Nem sei o que e’ acontrição...
A cada dia, pouco a pouco, um a um, mais fieis se apresentavam `a igreja, para se confessar e assistir `a missas, principalmente jovens, o que agradava Padre Jose’, revelando que seu trabalho começava a surtir efeito.
No dia seguinte, aquele jovem bonito novamente chegou `a igreja para se confessar...
A mesma confissão: “Padre! Comi Jilo’”. Mais uma vez o Padre esclareceu que comer jilo’ não era pecado. A mesma penitencia e o jovem foi embora...
A campanha evangelizadora estava surtindo efeito. Semana apos semana, mais pessoas compareciam `as missas.
Aquele jovem bonito porem ja’ estava dando nos nervos do Padre. Dia sim dia não vinha ele dizendo que comeu jilo’. Pe. Envelope ja’ estava cansado de dizer que comer jilo’ não era pecado. Quando `aquela morena, pensava ele, ou ja’ deu pro tal do Agnaldo ou ja’ morreu infecção xerecal... Nunca mais a havia visto.
Para comemorar seus seis meses na paroquia, lançou uma campanha regional. Todo aquele que se confessasse naquela semana ganharia uma rifa para uma moto Biz, novinha.
Foi um tal de fiel pra todo lado... A fila dobrava o quarteirão mas, Padre Envelope estava feliz. Estava com a bunda inchada de ficar o dia inteiro sentado ouvindo pecados, alguns dos quais, extremamente cabeludos mas, tudo bem. Tudo em prol de uma vida melhor para seu rebanho...
No intuito de tentar conhecer melhor aos que vinham se confessar e, também para dar um toque mais pessoal e intimo `as confissões, o Padre começou a perguntar os nomes dos fieis...
Todos ajoelhavam, diziam seus nomes e a confissão prosseguia. A dado momento, não pode deixar de reparar um jovem muito estranho, unhas pintadas, peruca roxa, brincos nas duas orelhas, lábios discretamente pintados... Um horror!
Mas Padre Envelope não podia, nem era de seu habito, descriminar a ninguém...
Assim sendo, assim que o jovem se ajoelhou no confessionário, ainda cheirando a novo, Padre Jose’ perguntou:
- Meu filho, qual e’ seu nome?
O rapaz, tirando os cabelos da testa, desmunhecando mais do que o Agnaldo Timóteo em seus áureos tempos antes de cantar Mãezinha Querida, respondeu:
- Meu nome e’ Jilo’...
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segunda-feira, 7 de abril de 2014
BUNDA DE FORA
Bunda de Fora
- Olha aqui sua piranha, a próxima vez que chegares aqui a esta hora, vais voltar para casa de uma
vez por todas. Deu pra entender?
Marinete apenas abaixou a cabeça... Não queria abusar da sorte. Embora não fosse o sonho profissional de sua infância, também não podia reclamar. O ambiente era hostil e extremamente competitivo mas, o concreto e’ que conseguia fazer muito mais do que precisava para se manter com dignidade...
Sem pensar muito no acontecido, tratou de se despir a começar a trabalhar... O “After Hours”, nome daquele “estabelecimento”, em pouco tempo ficou famoso por toda cidade... Estava localizado em um dos pontos mais tradicionais da Lapa, no Rio de Janeiro . O problema e’ que ninguém conseguia pronunciar aquele nome corretamente... “Aftosa”, “A Furiosa”, “Afterous” eram alguns dos atendados em acertar aquele nome esquisito. Mas, quase na calcada, havia um minusculo bar onde os que não tinham dinheiro para entrar ficavam sentado em mochos vendo as mulheres peladas em uma televisão grande. O espaço era tao minusculo que os assentos tinham que ser removidos das hastes que os sustentavam para que, no final da noite, as portas pudessem ser fechadas. Alem do mais, quem ali sentasse estava mais pra fora do que pra dentro. Por isso mesmo, aquela “casa de espetaculos”, com o tempo, ficou conhecido em todo bairro como “Bunda de Fora” o que, diga-se de passagem, e’ bem mais fácil de se pronunciar do que “Aforous”.
Também combinava muito mais com as cenas mais comuns em seu interior. As “meninas”, tanto as dançarinas como as garçonetes, se vestiam apenas com um pequeno avental, frente única, com um bolso, amarrado na cintura. Se não fosse pelo avental e o sapato de salto alto, poderíamos dizer que estavam como haviam nascido, so’ que bem mais crescidinhas, e interessantes, e’ claro!
Marinete era a mais bonita entre todas as dançarinas... Era loira, olhos verdes, corpo perfeito e, uma bunda capaz de amortecer uma queda de um prédio de cinco andares.
As garçonetes usavam o bolso do avental pata guardar o caderninho de anotar pedidos... Ate’ telefones, `as vezes ali entravam... As dançarinas guardavam as gorjetas.
Cada uma das dançarinas tinha seu fã clube particular, menos Marinete, embora fosse ela quem conseguia maiores gorjetas. Também, pudera! Pelo tamanho daqueles atributos... Todas as dançarinas espalhavam pelos clientes que ela era besta, metida a cheirosa. Mesmo sem nunca ter sido cheirada por ninguém... Pelo menos em publico. Diziam ate’ que ela so’ tomava banho uma vez por semana... Assim sendo, com o tempo tentavam não aplaudi-la ou lhe dar altas gorjetas...
Mesmo assim, Marinete não se importava. So’ queria trabalhar e prover seu próprio sustento.
Com o tempo, passou a prestar mais atenção em um senhor que ja’ havia visto na plateia algumas vezes.
Depois daquele dia começou a reparar que ele ali comparecia quase todos os dias. Estava sempre com um cálice de vinho tinto meio cheio. Quando uma das garçonetes via que estava quase acabando, ia ate’ ele e completava o cálice.
Alguns dias depois, Marinete se aventurou...
- Posso sentar? Disse ela...
Imediatamente o senhor levantou, puxou a cadeira para ela e, so’ depois de se cerificar que sua companheira estava confortavelmente acomodada, voltou a seu lugar.
Marinete pode perceber que se tratava de um homem fino, educado, parecia ter muito dinheiro também, quando reparou que estava bebendo um vinho Francês que devia ser caro pra cacete...
Depois que aquele cliente recusou uma dança particular em um dos quartinhos no fundo do estabelecimento, mantido para esta finalidade, começou a pensar se queria tirar dinheiro do coroa...
Soube, pela sua “conversa investigativa” que era dono de uma industria mecânica de manutenção de aviões executivos particulares. Soube também que havia sido casado apenas uma vez e que era viúvo por quase vinte anos.
Parecia ser muito esperto, ja’ que so’ falava sobre o que achava relevante ser informado `a sua “nova amiga”.
- O senhor vem aqui sempre? Indagou ela.
- Me chamando de senhor você mesmo esta’ podando a tua chance de me dar uma cantada e tomar o pouco que tenho... Respondeu o “senhor”.
E’! Aquele ia ser difícil de levar no bico... Concluiu Marinete.
Teria que mudar de tática... Ainda pensava na melhor maneira de agir quando viu seu nome sendo chamado ao palco para a próxima apresentação...
Ao findar seu numero, depois de alguns minutos, se contorcendo como uma cobra num pau duro e comprido, se jogando ao chão como se estivesse morrendo de dores, voltando `a mesa de seu novo “amigo”, pode perceber que ela ja’ havia ido embora... Marinete se surpreendeu com a decepção sentida ao olhar para a mesa vazia que exibia o cálice ainda guardando um minimo de vinho sobre algumas notas deixadas como gorjeta.
Sentou-se `a mesma cadeira onde alguns minutos atrás estava e tentava analisar seus sentimentos... “Porque estou triste? E’ so’ um cliente em potencial...”
A noite terminava para Marinete como muitas outras... Sentada em seu camarim, contava seu dinheiro, se vestia e voltava para sua casa vazia de companhia e recordações significativas...
Ela estava em um ponto em sua vida quando realmente não sabia o significado de tudo aquilo. As gorjetas diminuíam na mesma proporção em que e inveja das colegas de trabalho aumentava. “Nao e’ minha culpa se tenho boa aparência.” Justificava a si mesma, ao olhar-se em frente ao espelho e constatar que, apesar de sues quarenta e cinco anos, ainda era “muito gostosa”, como ouvira varias vezes em seu trabalho por bocas alcoolizadas de alguns dos frequentadores que a patronizavam.
Mas, de valia aquilo tudo? Era linda, jovial, uma ótima pessoa, tinha uma situação econômica relativamente tranquila e, apesar de tudo, sempre sozinha, nem se lembrava mais de quando teve o ultimo namorado. A única recordação que trazia daquele relacionamento
Ela porem, estava resignada... Se era essa a vida que teria de viver, tentaria faze-lo da melhor maneira possível.
A rotina se repetia mais uma vez; ligava a televisão, tomava um banho, esquentava algo leve para comer e quando o sono chegava ia com ele para cama...
Embora sempre tivesse sido seu melhor dia para o que fazia, Marinete não sentia a minima vontade de trabalhar naquele Sábado. Estava mentalmente cansada, desiludida, decepcionada consigo mesma... Por vezes ate’ lembrava das palavras de sua mãe: “minha filha, sem instrução, a solução e’ usar seu bundão...” Palavras sabias que, especialmente nos últimos dias, a atormentavam enfaticamente.
Pensando bem, concluíra Marinete, e’ melhor eu ir trabalhar do que perder este emprego...
Nove horas da noite, e ela ja’ estava la’...
A noite decorria como qualquer outra. A mesma rotina, as mesmas piadas, as mesmas cantadas... Dia apos dia, nada mudava...Tudo igual!
“Aquele coroa não veio hoje...” pensava enquanto dançava, segurando no pau e olhando para a plateia, ofuscada pelos refletores que a iluminavam...
Dançou uma vez, depois do descanso mais outra, e mais outra... Ate’ que os últimos “clientes” embriagados e “duros” deixassem a casa de espetáculos...
Marinete, se arrumou, despediu de uns poucos que ainda não a odiavam e saiu...
Alguns passos mais tarde, ja’ preparada para chamar um taxi, viu um carro preto, muito bonito, muito novo, estacionar bem `a sua frente. Não deu muita atenção...
Esticava o braco tentando chamar um taxi quando ouviu:
- Posso te levar?
Era aquele cliente que sempre estava sozinho, com o qual ela falou apenas uma vez. Meia desconfiada, olhou para ele novamente... E’ claro que deveria aceitar a oferta... Ja’ havia ate’ sentido sua ausência...
Saindo do carro, dando a volta e abrindo a porta para ela, num gesto cavalheiresco com o qual pouco estava acostumada, falou:
- Onde posso te levar?
- Podemos conversar um pouco e depois eu fico aqui mesmo... Respondeu ela.
- Como você preferir...
Sentado novamente no carro, o desconhecido se apresentou como Augusto Agostinho Agado... Ela não riu! Mas teve que dar uma segurada boa...
Iniciaram uma conversa descontraída quando puderam entender um pouco sobre o outro, os planos futuros, suas realidades presentes...Trocaram confidências a respeito de um passado sofrido que pareciam compartilhar... Abriram o coração como se dependessem um do outro para suprir a solidão que os acompanhava.
De repente, depois de alguns momentos de silencio e reflexão, Guto, como o “senhor” era conhecido pelos íntimos soltou a bomba...
- Gostaria de passar a noite com você. Se você quiser...
- Tudo bem! Respondeu Marinete, sem mesmo pensar... Atitude que surpreendeu a ela mesma.
Dali saíram em direção `a casa de Guto.
Atravessaram quase a metade da cidade em direção ao Alto da Boa Vista. Em la’ chegando, ao ver uma casa rustica, muito confortável, incrustada entre a pedra e a floresta, contrastando com as outras da rua, de um estilo completamente diverso, Marinete começou a pensar se havia tomado a decisão certa. Ao sair do carro e dos jardins da casa poder avistar milhares de luzes da cidade que clareavam outras historias, algumas possivelmente iguais `a que estava protagonizando, de repente se sentiu vulnerável. Guto porem, percebendo seu desconforto, tentando faze-la se sentir `a vontade comentou:
- Veja! Se, a qualquer momento você quiser ir embora, e’ so’ me dizer. Te levo de volta.
Aquelas palavras a acalmaram momentaneamente. Passearam um pouco pelos jardins da casa, ao entrarem, ainda conversaram um pouco na sala de visitas, ao som de musica suave, regada a champanhe importada.
Começaram a trocar caricias singelas que se tornaram mais intensas em alguns minutos. Dai os beijos se tornaram mais ardentes, as caricias mais intimas ate’ que Marinete, a esta altura completamente entregue e dominada sentia seu sexo sendo beijado com volúpia, o que a fez, literalmente, enlouquecer... A esta’ altura ja’ era “escrava” daquele “senhor”...
Passaram a noite inteira se amando ardentemente ate’ quase quando os primeiros raios de sol anunciaria o dia seguinte.
Eram mais de dez horas da manha quando Marinete acordou e não viu seu companheiro a seu lado. Por um instante ficou preocupada, sem saber o que fazer... “Devo ir embora?” Pensou...
Ainda procurava por algo para cobrir seu corpo quando viu Guto chegar com uma enorme bandeja de prata com um cafe’ da manha completo. Frutas, cafe’ torradas, geleia, queijo, presunto, manteiga. Tudo o que tinha direito.
- Não sabia o que você gosta, trouxe tudo o que encontrei... Disse Guto.
Marinete olhava para aquele homem intrigada... Estava nervosa, sem jeito. Situação um pouco infamiliar para ela, sempre safa, pronta para uma reação.
Reunindo coragem falou:
- Posso te fazer uma pergunta?
- Claro! qualquer coisa.
- Quantos anos você tem?
- Setenta e dois! Muito velho para você?
- Você tomou alguma coisa ontem?
- Tomei champanhe com você. Não uso nenhuma droga recreacional, se e’ o que você quer saber...
- Como e’ possível? Você manteve ereção a noite inteira. Estou morta de cansaço e você inteirão...
Como pode?
- Se eu disser algo você não vai rir de mim?
- Claro que não! O que?
- Você acredita em amor `a primeira vista?
- Não sei!
- Pois e’! desde a primeira noite que vi você dançando, não consegui te tirar da minha cabeça.
Queria tanto falar com você...
- Mas quando eu fui conversar você nem me deu bola, depois sumiu! Ficou tantos dias
sem aparecer...
- Não queria te usar ou te “comprar”... Sumi porque estava fazendo um teste para ver
se te esquecia...
- Você nem me conhece...
- Vamos ver! Você e’ solitária, muito sofrida, odeia o que faz mas, assim mesmo da’
tudo de si. Não aceita convite de clientes para se prostituir, e’ descrente de homens,
amor, família, embora seja o que mais queira ter, ja’ passou por situações muito
difíceis, quase perdeu a vida, não se acha digna de se relacionar com mulheres, se
julga inferior devido `a profissão, ha’ algum tempo parou de procurar por amor, acha
que não e’ para você... Continuo?
- Não precisa! Você me conhece...
- Você acha que eu sou maluco?
- Não sei! Um pouco! Respondeu Marinete, com um sorriso encantador...
- Mas você me surpreendeu com toda essa virilidade...
- Estava querendo fazer amor com você desde que a vi dançar pela primeira vez mas,
não queria pagar... So’ se você quisesse também...
- Puxa vida! Sabe que também fiquei triste nos dias em que você não apareceu?
Pensei que nunca mais ia te ver...
- Que bom! Então você gosta um pouquinho de mim...
Marinete olhou bem para ele. Pausou, pensou um pouco e respondeu:
- Muito! Não sei porque mas, gosto muito de você...
- Que horas são? Perguntou ela, assustada...
- Porque?
- Tenho que ir pra casa, descansar um pouco, recuperar forcas pra trabalhar `a noite.
- E se você não trabalhar hoje?
- Se faltar, perco o emprego...
- E se você se casar comigo? E trabalhar so’ se quiser, onde quiser? Podemos ir `a
Europa em nossa lua de mel...
Marinete olhou para ele muito seria, esboçou um sorriso ao mesmo tempo em que lagrimas rolavam de seus olhos.
- Você e’ maluco! Isso tudo e’ muito doido!
Guto apenas recolheu as lagrimas com seus polegares ao mesmo tempo em que segurava o rosto de Marinete carinhosamente.
Ela o olhou mais uma vez e o abracou em resposta...
- E se você não gostar de mim? Disse ela.
- Eu ja’ gosto de você... Sabe o que deveria fazer? Sumir daquele lugar... Pensa
que não notei? Todos esperam por você dançar... Ficam calados, enebriados pelo teu
corpo, tua beleza, teus sorrisos que devem te machucar tanto... Você e’ explorada.
Sei que você ganha boas gorjetas mas são muito menos do que você merece.
- Isso mesmo! Tudo bem... Não trabalho mais. Nem vou la’ dar satisfação...
- Então, hoje vou preparar os documentos de união estável, amanha documentamos tudo e
vamos a teu apartamento buscar tuas coisas.
- Não precisa de documento!
- Precisa sim! Primeiro assinamos e depois você organiza nosso casamento na igreja.
- Você e’ solteira, não e’?
- Sou!
- Você não acha que eu sou muito velho? Vão me chamar de teu pai!
- Você se importa?
- Claro que não! quero mais e’ que morram de inveja cada vez que nos verem juntos.
Depois que almoçaram Guto levou sua “noiva” em casa, voltando para preparar o lugar que a receberia como dona.
Meses depois, ocasionalmente passaram, agora como marido e mulher, pelo mesmo local onde Marinete trabalhava. Agora, vendo aquilo tudo sob novas perspetivas apenas sorriu, ao lembrar daquelas noites que via passar com Bunda de Fora...
Copyright 2/2014 Eugenio Colin.
domingo, 30 de março de 2014
ANÃOZINHO
Anãozinho
Mona Liza estava com sorte. Acabara de sair da Escola Normal e, de cara, arrumou emprego como professora na melhor escola de sua cidade.
Como se tudo não bastasse, `a ela foi destinada a melhor classe de todas.
Os alunos eram educados, asseados, amigos... Eram aplicados e adoravam estudar. De cara, todos gostaram da nova professora. Mona Liza era muito bonita... Olhos grandes, dedos longos, lábios carnudos, coxas grossas e pés finos e, apesar de ter acabado de se formar, ou talvez por isso mesmo, gostava de crianças.
- Tudo corria perfeitamente bem para a nova professora e, também para a escola. Professor Salvador, o diretor daquele estabelecimento, estava super feliz... Tao feliz que, um dia, depois das aulas, quando ela ja’ estava de saída, a chamou de lado para uma conversa particular.
- Dona Liza. disse o Diretor, queria lhe pedir um favor espacial...
- Claro Professor! Respondeu ela.
- E’ o seguinte... Meu filho e’ um pouco complicado. E’ um bom menino mas e’ um
tanto rebelde, não gosta muito de estudar e, o pior...
- Ainda tem pior Professor?
- E’ que ele adora falar palavrão... Fala uma palavra e três palavrões... Não sei mais o
que fazer. A senhora o aceitaria como aluno? Não tenho como matricula-lo em outra
escola. Ele tem que vir e voltar comigo... Sou pai solteiro. Sabe como e’!
- Bem Professor, eu posso tentar. Não prometo nada mas, vou fazer o que puder...
A assim foi feito.
Dia seguinte, la’ estava Marquinho, o filho do Diretor.
Mona Liza o tratava, de certa maneira, imperceptivelmente, tentava não fazer perguntas que pudessem gerar controversias, deixando-o mais ou menos `a vontade. Era como se tivessem feito um pacto secreto velado. De vez em quando at’e via o menino rebelde abrindo um livro ou, pelo menos, olhando na direcao do quadro-negro.
Porem, uma coisa que incomodava Mona Liza era a mania do menino andar pela sala, de um lado pata o outro, aborrecendo aos colegas, testando sua paciência.
O garoto era realmente muito indisciplinado mas, tinha algo muito importante a seu favor: era filho do diretor... Assim sendo, resolveu relevar os maus hábitos, e usar essa caracteristica do menino para faze-lo seu “secretario”. Fazia Marquinhos andar daqui pra la’, fazer isso ou aquilo, justificando assim, bem como usando a seu favor sua mania de desfilar pela sala de aula, por entre as carteiras dos outros alunos.
O menino estava mais ou menos controlado e as aulas seguiam mais ou menos sob controle...
Professora Liza tinha um método próprio no qual sempre tentava envolver os alunos no contexto de suas explicacoes. Não gostava de passar trabalhos para casa. Sabia que a maioria não seria executado e ela acabaria se aborrecendo. Achava que, se o aluno estudasse e fisese suas tarefas na escola, alem de aprenderem mais, e melhor, ela teria controle sobre seus desempenhos.
Em uma Sexta-feira, quase ao final do dia letivo, quando não estava com muito saco para explicar mais nada, decidiu matar o tempo pedindo aos alunos para falarem a primeira palavra que viesse `a suas mentes depois de ouvirem uma letra que ela diria.
Todos gostaram da ideia e começaram a sorrir, antecipando a diversão...
Começou ela...
- Mariazinha, diga uma palavra começada com a letra P.
- Diz puta, diz puta! Sugeriu Marquinhos falando baixo ao ouvido de sua colega.
- Pastor, professora. Disse Mariazinha...
- Muito bem! Agora, Gustavo, diga uma palavra com a letra M.
- Diz merda, diz merda! Disse Marquinhos, atras do colega, falando baixinho.
- Marmelada! Disse o menino.
- Muito bem! E você Jorginho, diga uma palavra com a letra F.
- Diz filho da puta, diz filho da puta... Insistiu Marquinhos.
- Fazenda, professora.
- Muito bem! Murici, me diga uma palavra com a letra C.
- Diz caralho, diz caralho! Implorou Marquinhos.
- Casa! Disse Murici.
- Agora você Marquinhos, que esta’ andando pela sala inteira, sugerindo palavras aos
coleguinhas, me dia uma palavra começada com a letra A.
O pobre do menino pensou, pensou, e mesmo assim não conseguiu achar um único palavrão começado com a ela A. Depois de alguns segundos falou:
- Anãozinho professora!
- Muito bem Marquinhos! Muito bem!
- E’! Mas com um cacete deste tamanho... Disse o menino abrindo os bracos,
sugerindo algo enorme...
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sexta-feira, 21 de março de 2014
CACETE IMPRESTÁVEL
Cacete Imprestável
Marinaldo era o melhor colega de todos em seu trabalho... Exemplo para todos. Não fumava, não bebia e, como estava divorciado de sua mulher ha’ muito tempo, também não trepava. Não que isso fosse uma qualidade, por assim dizer mas, na hora em que, solicitado para um conselho, ou uma palavra amiga, o que freqüentemente acontecia, esta característica o colocava em uma situação de imparcialidade privilegiada e indispensável a qualquer conselheiro.
Amigo para todas as horas, estava sempre presente em reuniões sociais acompanhando seus colegas de trabalho e, na maioria das vezes, sendo o motorista designado ja’ que, da turma toda era o único que não bebia.
Marinaldo era feliz. Não se sentia frustrado por não ter uma namorada, primeiro porque isto era uma decisão sua e, segundo, e principalmente porque as colegas de trabalho não cansavam de dar em cima dele. Se quisesse, poderia sair, ou namorar, duas ou três por dia.
Alem se ter um corpo de atleta de Olimpíadas e ser bonito pra caralho, corria uma historia, na empresa onde trabalhava que o cara tinha um cacete maior do que o de um cavalo o que deixava as mulheres malucas de curiosidades e desejos obscenos. Ele não confirmava nem desmentia, nem para os mais íntimos. Gostava de deixar sempre a duvida pairando no ar, ja’ que a especulação era a ele favorável e ajudava a botar seu ego la’ em cima.
Marinaldo, por uma questão de respeito `as mulheres, uma vez que o banheiro do escritório da empresa para qual trabalhava era compartilhado por todos, costumava a fazer xixi sentado. Não queria que por descuido ou falta de mira, mijasse no assento ou na borda do vaso.
Um dia, estava saindo do banheiro ao mesmo tempo que um dos colegas, Mimi, que, diga-se de passagem era gay e, por isso mesmo não conseguiu desviar os olhares do membro do Marinaldo, ja’ quase totalmente dentro de suas calcas. Pode porem observar que a ponta do mesmo estava ainda um pouco molhada. Assim sendo, concluiu, e espalhou por toda empresa, que o cacete do colega era tao grande que mesmo mijando sentado, a ponta atingia o fundo do vaso.
Pra que! A mulherada começou a dar em cima do homem que nem abelha em volta da colmeia. Se Marinaldo não comeu quem não comeu foi porque não quis comer...
O tal do Mimi então era uma praga. Não perdia uma oportunidade de esfregar a bunda no colega de proporções avantajadas.
Como Marinaldo estava em “remissao” nenhuma das colegas pode comprovar a veracidade do fato e, por isso mesmo, ele continuava merecendo a atenção das colegas e a inveja dos colegas.
Muitos deles estavam doidos para fazer Marinaldo tomar um porre. Muitas colegas ate diziam: “- Se algum dia ele ficar bêbado e abro suas calcas e verifico o tamanho do boato...”
Mas o cara era osso duro de roer. So’ tomava suco de laranja onde noventa e nove por cento das bebidas servidas eram alcoólicas.
Um dia porem, quando menos todos esperavam, em uma Happy Hour improvisada o moco ficou triste de repente... Aos poucos começaram a descobrir que estava fazendo, naquele mesmo dia, cinco anos que havia se separado de sua ex-mulher. Muitos ate’ achavam que ela ainda ocupava um lugar especial em seu coração.
Sentados `a uma mesa redonda todos tomavam sua cerveja, comiam amendoim e castanha de caju. Menos Marinaldo! Ate’ que, de repente, instintivamente, passou a mão em uma garrafa de cerveja e começou a beber. No gargalo mesmo.
Ses colegas não falaram nada. As mulheres começavam a rezar para que ele ficasse de porre e puxasse o cacete para fora, “ameacando” as ainda virgens.
Marinaldo nem sabia beber. Na terceira cerveja, ja’ estava de porre, falando alto, passando a mão na bunda das colegas, que por sua vez ate’ estavam gostando, cantando em Inglês que nem sabia falar, enfim, dando seu próprio show...
Depois de duas horas, agora tomando ate' Submarino, aquile drink que se coloca cachaça ou algo forte em um copinho de "shot" de cabeça para baixo dentro de um copo de chopp. O cara tava mais tonto do que bêbado profissional.
De repente, quando menos esperava, deu uma vontade enorme de fazer xixi...
Marinaldo saiu `as pressas em direção ao banheiro. Mal se aguentava em pe’. So’ conseguiu chegar inteiro ate’ o banheiro porque o bar estava cheio e aquele monte de gente servia de escora quando nosso amigo se desequilibrava, impedindo que ele se estabacasse no chão.
`As dura penas chegou em frente a um vaso e, desta vez de pe’, se apoiando na parede, puxou o sinto fora das presilhas da calca e, o segurando com carinho, começou a urinar. Ao terminar, balançou o cinto umas três vezes, colocando-o de volta nas presilhas da calca e deixou o banheiro.
De volta `a mesa, mais aliviado, um de seus colegas olhou e percebeu que
ele havia urinado em suas calcas.
Imediatamente, olhando para a enorme mancha molhada nas calcas falou:
- Pô, cara! Tu mijou nas calcas...
Marinaldo na maior calma olhou para baixo, passou a mão nas calcas molhadas, deu uma cheiradinha, tirou o cinto novamente das presilhas, ainda segurando o cinto em suas mãos olhou para ele e, muito serio falou:
- Também, com esse cacete todo furado...
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sábado, 15 de março de 2014
PSICOLOGIA PEIDORREIRA
Psicologia Peidorreira
Durante dois mil anos a Psicologia existiu amorfa e indiferenciada, pois estava fundida à Filosofia, e tinha por preocupação embrionária o homem enquanto um ser possuidor de “algo” além de seu corpo material e sensorial. Dessa forma, a primeira grande definição de Psicologia como estudo da alma perdurou durante muito tempo. Contudo, essa é uma definição muito controversa, pois o termo “alma” abre um leque imenso de formas de compreensão, uma vez que os homens nunca deixaram de discutir quando não de disputar, a respeito da natureza, da função e até da realidade da alma.
Tales, Pitágoras, Heráclito, Parmênides, são alguns dos pensadores que inserem uma abordagem racional, por um lado buscando um princípio ordenador do universo e por outro desenvolvendo o uso da retórica... A Psicologia como ciência, nasceu no inicio do seculo XIX. São diferentes as vertentes da Psicologia, que pretendem observar, compreender e trabalhar o homem, no que diz respeito a seus processos psíquicos, à construção de sua inteligência e afetos, a suas formas de ser, atuar e se relacionar no mundo, que nas suas expressões normais ou patológicas, quer na educação, na clínica, na empresa… Aonde quer que o homem esteja atuando.
Porem, entre todos os estudos jamais realizados nenhum conseguiu classificar tao bem a personalidade do homem como os estudos feitos pelo Dr. Sekaga Eukuro, Psicologo Japonês que dedicou toda sua vida ao estudo dos homens através de sua maneira de peidar.
Aqui estão algumas de suas classificações mais notórias:
Alienado... Aquele que peida inconscientemente.
Andarilho... Aquele que peida andando.
Apaixonado... Aquele que assume o peido da namorada.
Arquiteto... Aquele que planeja como peidar.
Assassino... Aquele que estrangula o peido.
Ateu... Aquele que peida dentro da igreja.
Atleta... Aquele que peida e sai correndo.
Azarado... Aquele que peida e o peido sai alto.
Babaca... Aquele que peida para ver a cor.
Boa-fé... Aquele que peida e diz "Que cheiro estranho!".
Cara-de-pau... Aquele que assume o peido e pede remédio para gases.
Cientista... Aquele que engarrafa o peido para analisar.
Cínico... Aquele que peida e põe a culpa nos outros.
Desastrado... Aquele que peida e caga ao mesmo tempo.
Descarado... Aquele que força o peido.
Detetive... Aquele que peida e procura quem peidou.
Desconsiderado... Aquele que peida no elevador lotado depois de comer feijoada.
Dissimulado... Aquele que peida e fala que foi um descuido
Egoísta... Aquele que peida debaixo do cobertor para cheirar sozinho.
Empreendedor... Aquele que peida na reunião e pensa como comercializar o "produto".
Esforcado... Aquele que tenta peidar mesmo sem vontade, e consegue.
Frustrado... Aquele que peida baixo e inodoro.
Gago... Aquele que peida aos poucos.
Galanteador... Aquele que assume o peido das moças.
Gay... Aquele que considera o peido um ventinho gostoso.
Herói... Aquele que esta' com caganeira e ainda consegue peidar.
Hippie... Aquele que considera o peido uma manifestação de arte.
Idiota... Aquele que peida na hora do almoço e põe a culpa no cachorro.
Inconsequente... Aquele que e acende um fósforo para ver se pega fogo.
Infantil... Aquele que peida na água só para fazer bolinhas.
Infeliz... Aquele que pensa que vai peidar e caga na calça.
Ingênuo... Aquele que peida sem pensar.
Inteligente... Aquele que peida e sai de perto.
Medroso... Aquele que peida e pensa que levou um tiro.
Militar... Aquele cujo peido soa como uma metralhadora.
Músico... Aquele que peida em vários tons.
Oportunista... Aquele que aproveita o peido do outro para soltar o seu.
Político... Aquele que peida, sente o cheiro, e ainda reclama.
Químico... Aquele que peida e analisa o grau de poluente.
Sensível... Aquele que peida e tem a sensação de ter cagado.
Sonolento... Aquele que peida dormindo e nem sabe que peidou.
Tagarela... Aquele que conversa com o próprio peido
Tímido... Aquele que tem medo de pensar em peidar.
Zeloso... Aquele que não serve repolho em suas reuniões sociais por motivos óbvios.
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sábado, 8 de março de 2014
ADÃO & EVA
Adão & Eva
Brigida Bruxelda Boa Sorte se deu mal desta vez...
A moca era bonita pra cacete, um corpo de fazer qualquer gay morrer de inveja, cabelos negros lindos, um par de olhos verdes que poderiam iluminar desejos inexplicáveis a qualquer mortal. As coxas da menina eram tao bonitas que ela tinha que andar sempre de calcas compridas... Quem olhasse para aquele par de coxas se sentia compelido a ataca-la imediatamente... Era a mulher mais linda do estado mas, apesar disso tudo, havia acabado de perder o concurso de Miss Sergipe o qual, se tivesse ganho, certamente traria para o Estado a gloria de ter a primeira Miss Brasil ali nascida.
Lagrimas doridas banharam suas aspirações de um futuro de viagens internacionais, anúncios de chocolates famosos muito bem remunerados, propaganda de detergentes e sabonetes em todo Brasil a ate’ mesmo que sabe se tornar atriz de televisão.
Mas BB, como era intimamente, não era mulher de ficar chorando pelo leite derramado. Limpava a mesa, esquentava mais leite, tomava seu cafe’ e ia `a luta.
Assim sendo, no final do concurso, quando entrevistada, embora estivesse com vontade de dizer que estava diante de uma frente de viados babacas e coroas mal amadas que não entendiam porra nenhuma de mulher, elogiou `a vencedora e agradeceu aos jurados e patrocinadores.
Agora, o jeito era seguir seu plano B, ou seja, procurar um emprego de professora primaria. Afinal acabara de se formar em primeiro lugar em todo Estado. BB era o orgulho de sua querida Siriri, cidade onde nasceu e foi criada. E’ claro que agora em Aracaju, as oportunidades seriam um pouco maiores.
Sem olhar muito para o passado recente, foi a luta e, talvez por sua beleza, talvez por sua desenvoltura, talvez por sua cultura, arrumou emprego na primeira entrevista.
A Escola era a mais requisitada, mais moderna, mais badalada da região... Embora não fosse uma entidade católica ou religiosa, guiava seu currículo por uma norma de respeito pelos princípios cristãos presentes desde dos tempos de Francisco Pereira Coutinho, primeiro dono da capitania que originou o Estado.
Na entrevista, um problema, segundo Professor Pereira Pinto... BB deveria disfarçar seus dotes físicos, principalmente os enormes seios que orgulhosamente ostentava. Mas ela estava em um período de acomodação profissional, assim sendo, não exitou aquiescer em amassar os peitos para não despertar desejos infantis precoces.
Tudo combinado, horário de aulas estabelecidos, a nova contratada foi encaminhada ao Centro de Treinamento para Novos Professores. Em la’ chegando, as informações básicas para o bom desempenho da nova professora foram esclarecidas. Entre elas, a única que a estranhou foi que o plano de aula seria exposto no próprio dia, exigindo assim dos professores que fossem bastante flexíveis e espontâneos, por outro lado, dando `a coordenadora da escola total comando sobre a matéria e, de certa forma controle sobre os professores.
Sem problema! A cada dia BB, assim como todos os outros professores, passavam pela sala de coordenação e tomavam conhecimento do assunto para a aula.
Os assuntos era os mais variados possíveis... Vida em Família, Obediência aos Pais, Relação entre Irmãos, Nascimento de Cristo e assim por diante...
Um dia porem, o assunto da aula daquele dia era Adão & Eva.
"- Puxa! Não era melhor falar sobre a Arca de Noe'?" Pensou...
BB não entendeu! Em sua opinião isso não era assunto pata crianças de seis anos de idade. A principio não sabia como abordar o assunto constrangedor. Para melhor mentalmente planejar o que explicaria para seus alunos, pediu que todos desenhassem por alguns minutos para relaxar um pouco, antes do inicio da aula.
Todos adoraram a ideia e não exitaram em rabiscar todo tipo de papel que conseguiam colocar `as mãos. Toninho ate' usou o pedaço de papel higiênico que sua mãe colocara em sua merendeira, para ajuda-lo em caso de uma caganeira súbita.
Depois de alguns tempo, BB começou suas explicações...
Primeiro, comentou que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no ultimo...
- No primeiro dia criou o dia e a noite, no segundo, separou o mar do céu, no terceiro o mar e na
terra, as arvores e plantas, no próximo, criou o sol a lua e as estrelas. No quinto dia criou os
animais aquáticos e as aves e no ultimo, os animais terrestres e os homens. Ao homem deu o
nome de Adão. Alguns dias depois reparou que O Homem ficava o dia inteiro sem fazer nada,
enchendo o saco dos animais. Pensou então que se ele tivesse uma companheira talvez deixasse os
pobres do animais em paz. Ai então, aproveitou enquanto o novo habitante do paraíso tirava uma
pestana, tirou uma de suas costelas e criou a mulher a quem deu o nome de Eva.
De tudo isso, os mais felizes eram os animais que se viram livres do cara chato que os aporrinhava
o dia inteiro.
Dito e feito! Agora o cara so’ andava atrás de Eva...
Um dia, em um passeio, enquanto Eva estava escondida em uma moita, fazendo alguma coisa,
Adão, esperando por ela, avistou uma serpente.
Assim que Eva saiu de trás da moita, a Serpente começou uma conversa mole, cheia de veneno,
tentando convencer aos dois a comer o fruto proibido.
Adão, você teria vontade de dar uma mordidinha nesta "maçã", ter um filhinho e
começar a povoar o mundo?
Então vai la’ e da’ um beijinho nela. Disse a Serpente apos ver o caro babando de
vontade de tentar algo novo.
- Tudo bem! Disse Adão. Mas o que e’ um beijinho?
A Serpente dá uma breve descrição do que é um beijo. E Adão tomou a mão de Eva e a
levou atrás de um arbusto. Alguns minutos depois, voltou e disse:
- Obrigado, Serpente! É muito bom!
A Serpente respondeu:
- Eu sei, Adão. E isso é só o começo... Agora eu quero que você faça umas carícias em Eva.
- Mas o que é uma carícia? Perguntou Adão.
E a Serpente deu mais uma breve descrição do que é uma carícia. Adão correu para de trás do
arbusto com Eva. Alguns minutos depois, voltou com um sorriso nos lábios e disse:
- Serpente, isso é muito melhor que beijo!
Você está indo muito bem, Adão... Agora eu quero que você faça amor com Eva.
Disse a Serpente.
- O que é fazer amor? Perguntou o homem.
Então o Serpente deu a Adão uma breve descrição do que é fazer amor e ele levou de novo Eva
para atrás do arbusto.
A Serpente ouvia um bate-boca que não havia acontecido nas outras vezes.
Mais alguns minutos e volta Adao, com uma cara de frustração dizendo:
- Serpente, o que é dor de cabeça?
E assim, depois de muita insistência e, com o auxilio da Serpente, começou o mundo... Concluiu
BB.
Copyright 3/2014 Eugenio Colin
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